vinte e cinco

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O ataque em Hiesfērin trouxe muitas baixas, mas Saron conseguiu derrotar o exército melioniano, forçando-o a recuar para as montanhas, fugindo do frio e do gelo. No entanto, a vitória não foi total. Em Erinfal e Lorien, os outros dois pontos marcados no mapa onde também foram avistadas tropas melionianas, as perdas foram significativas para ambos os lados.

Havia muito pelo qual pensar. Muito pelo que temer. Além de tudo, passei os últimos dias trancada em meu quarto. Doar tanta energia para Sanhee trouxe a mim uma exaustão terrível, a ponto de me deixar indisposta até mesmo para os treinos com Elvie e Kalius.

Durante esses dias, vi apenas Jungwon algumas vezes que aparecia com sua irmã para checar meus sinais vitais. O que eu fiz fora impressionante para eles, afinal, nunca viram algo do tipo acontecer antes. Poderia ser perigoso ou até mortal, tanto para Sanhee ou para mim. Disseram que assim que eu recuperasse minhas forças, conversaríamos com Brielin para entendermos, de fato, o que aconteceu. Infelizmente, Heeseung não confia em Riki a ponto de deixá-lo vir a essa ala do templo, o que resultou no meu completo isolamento das únicas pessoas que ainda desperto algum tipo de simpatia.

E quanto a Heeseung, soube que ele passou alguns dias em Hiesferin, Erinfal e Lorien, cuidando dos feridos, além de escrever cartas para as famílias dos abatidos nos confrontos que ocorreram. Se ele esteve em Aesira durante esse tempo, foi apenas para passar poucas horas no castelo da família real. Sei disso porque eu o senti por perto, de forma que sempre faz o meu coração acelerar em descontrole. Ele não veio para o templo, pois logo voltava para Jiērk onde faria negociações com os demais lordes de Saron, de acordo com as palavras de Elvie.

Observava o céu tomar tons de laranja e roxo da sacada, admirando o dia se tornar noite. Da mesma forma que também observava algumas embarcações distantes no mar. O vento soprava, causando arrepios em minha pele, não demorei para entrar e fechar as portas que davam para a sacada, aproveitando para procurar um cardigan e me aquecer.

Eu estava farta daquele quarto. Há poucos dias, testemunhei uma batalha brutal diante dos meus olhos e agora estava presa aqui, sendo tratada como se tivesse lutado na linha de frente. Tenho certeza de que nem mesmo Yunjin está sendo tratada dessa maneira, apesar de ter liderado suas tropas em Lorien. Não recebi notícias dela, mas sei que a desgraçada está bem.

Enquanto patrulhávamos as divisas entre Saron e Melione, Yunjin Huh me provocou até eu perder a cabeça. Passamos vários minutos trocando socos, esferas de fogo prateado e estacas de gelo, enquanto Oriana e Leana observavam sem intervir. Após essa discussão, estávamos tão machucadas que foi necessário Leana trazer Mye de Aesira para nos curar, pelo menos para que os machucados não ficassem tão aparentes. Bom, Yunjin estava pior que eu. Afinal, ter sangue de dragão tem suas vantagens, como um fator de cura rápida. Mye só precisou curar uma costela fraturada minha, nada demais. De resto, meu próprio organismo cuidou de tudo.

No entanto, realmente só me sinto exausta por ter usado uma grande quantidade de energia para salvar o príncipe Sanhee, coisa que eu nem fazia ideia de que poderia fazer. Ao que parece, há muitas coisas que posso fazer que ainda não faço a mínima ideia e a única pessoa com quem posso conversar a respeito disso é Heeseung.

E esse, só quero distância por um tempo.

Finalmente saindo do quarto, caminhei pela primeira vez em dias para um dos jardins do templo. O ar fresco era uma mudança bem-vinda, um alívio depois de tantos dias de confinamento. As flores balançavam suavemente ao vento, e o som das folhas farfalhando oferecia um consolo momentâneo para minha mente cansada.

Encontrei um banco de pedra e me sentei, fechando os olhos por um momento, tentando me concentrar apenas na sensação da brisa suave contra meu rosto. Mas os pensamentos turbulentos não me deixavam em paz. A batalha, as perdas, Jay e Sunghoon, o desconhecido poder dentro de mim —tudo se misturava em uma cacofonia de preocupações. E agora, o silêncio era a única coisa que me consolava para lidar com tudo isso.

ARCANE | Lee HeeseungOnde histórias criam vida. Descubra agora