Capítulo 27

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Estou perdida, sem conseguir discernir para onde estou sendo levada. Minha mente está confusa, sem saber ao certo o que pensar ou como agir diante desta situação. A única certeza que tenho é a necessidade desesperada de garantir que Lucien fique seguro. Desde que ouvi sua voz pelo telefone dessa mulher desconhecida, meu coração não para de bater em aflição.

— Para onde você está me levando? — pergunto novamente.

Um homem dirige, enquanto a mulher está sentada ao meu lado no banco traseiro do carro.

— Logo você vai saber — responde, seca, olhando através da janela.

Eu nunca vi essa mulher antes, tenho certeza, então, por que tenho a impressão de que ela não gosta de mim?

— É o João Alberto que está por trás disso, não é? — indago olhando para o seu perfil.

Ela se vira, seus olhos castanhos brilhando de ódio, e noto a raiva estampada em seu rosto.

— Quantas vezes eu preciso dizer para ficar de boca fechada, patricinha?

Eu balanço a cabeça.

— Nem precisa responder, eu já sei que é ele. — Desvio o olhar, fixando no vidro escuro da janela, mas sem enxergar nada de fato.

Ele está cumprindo o que prometeu, João disse que eu nunca me livraria dele, mas o que o desgraçado não faz ideia é que eu já não sou mais aquela Érica submissa, que não reagia.

Eu não posso negar que estou com medo. Na verdade, estou apavorada com as possíveis consequências das ações de João. Porém, eu não vou permitir que ele tenha controle total sobre mim tão facilmente.

Sinto meu telefone vibrar no bolso, mas ignoro, decidida a não atender. Eu não quero correr o risco de que percebam que estou com um aparelho, pois acredito na possibilidade de ser encontrada por meio do meu celular.

Lembro-me de como o meu irmão conseguiu localizar meu endereço quando foi me resgatar há mais de um ano, e isso me traz uma ponta de esperança. Preciso acreditar que, de alguma maneira, isso possa acontecer novamente, mesmo que agora o Silas não esteja aqui na função de delegado e não tenha a mesma facilidade para resolver as coisas. Talvez, a polícia possa ajudar, ou até mesmo o detetive que Lucien contratou e em quem tanto confia.

O carro finalmente para. O motorista sai e abre a minha porta, então me puxa para fora e me aponta uma arma. Em seguida, vejo a mulher parar ao meu lado e olhar para cima.

— Vamos! — ordena, e o homem segura meu braço com força, puxando-me.

Este lugar é muito estranho, cheio de mato, e o prédio parece abandonado.

Eu não falo nada, e a mulher sobe as escadarias, enquanto o homem tem a arma apontada para a minha cintura e me força a segui-la. No segundo andar, ela anda até o final do corredor, abre uma das últimas portas e entra.

Meu coração bate descompensado e minhas mãos tremem, pois tenho medo do que pode estar do outro lado dessa porta.

O homem me empurra para dentro, e meus olhos vagueiam pela sala com poucos móveis. Então, eu o vejo. Ele tem um sorriso cínico desenhado em seu rosto. Ao seu lado, está a estranha, que me observa com raiva.

Encaro João, não demonstrando o meu medo.

— O que você fez com o Lucien? — pergunto entredentes, sentindo-me enojada por estar no mesmo ambiente que ele.

— Se eu fosse você, estaria mais preocupada com o que pode te acontecer, Érica. — Sua voz faz minhas entranhas se revirarem. Tudo nesse homem é repugnante.

Destinados a Amar NovamenteOnde histórias criam vida. Descubra agora