32- Missing us

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Eu não me reconhecia mais. Pra dizer a verdade... será que algum dia eu me conheci? Eu era realmente aquele sujeito cruel, desumano e insensível?

Quantas e quantas vezes eu falei que queria ser um homem melhor para que Han se orgulhasse de mim? E que merda foi aquela que fiz?
                   
Está certo que nunca tive piedade de quem se metia comigo. Mas queimar um homem vivo? Pior... eu fiz isso simplesmente por ele ter colocado Jisung no meio da conversa. Confesso que estava com medo de mim mesmo. Até onde eu iria por ele? Que loucuras a mais eu faria por amor a aquele homem?
                 
Eu não queria sujar minhas mãos com aquele ser desprezível do Junseo... decididamente aquele homem que assistiu a outro morrendo queimado não era eu. E veio o depois... olhar nos olhos de Jisung.
                   
Deitar-me ao lado daquele homem maravilhoso que carregava meus filhos... e eu tão sujo. Embora eu soubesse que Han não me culpava, sequer tocou no assunto... a culpa me massacrava.               

Deus... o que estava havendo comigo? Mesmo agora, três semanas depois do ocorrido... eu mal conseguia olhar Jisung diretamente.                    

Simplesmente deixei tudo parado. E impedi que ele se envolvesse também. Nada de Jeon Kyungho, Yejun, Hyeonsu, Hyewon... nada.
                   
Às vezes minha vontade era de sumir por uns tempos para ver se eu me reencontrava. Mas aí eu sempre voltava no mesmo ponto: Jisung. Como ficar longe desse homem? Alguém me explique, por favor, como dominar esse amor tão arrebatador que eu sentia que estava literalmente acabando com meu juízo, com minha capacidade de racionalizar.
                   
Eu não queria que se transformasse num amor nocivo, que machuca, que fere. Só quero ver meu homem feliz. Eu me odiava por ver Jisung me rodeando e eu sem dar chance para uma conversa. Eu não tinha condições. Não ainda.                   

No dia seguinte à morte do Junseo, chamei Jeongin para examinar Han. Felizmente os três estavam bem. Sorri. Consegui sorrir. Sua barriga deu um "salto" de repente. Cresceu absurdamente nesse meio tempo. E ele estava lindo. Meu Deus... como eu amava olhar aquela barriga redonda, que abrigava meus amores.
                   
E era exatamente por eles que eu precisava me transformar numa pessoa melhor. Eu até chego a pensar que não sou tão ruim. Tenho apenas que parar de ficar estressadinho quando o assunto é Jisung. Mas, caralho... o simples olhar de um homem sobre ele faz meu sangue ferver.                   

Há três dias fui buscá-lo que estava com Felix comprando mais roupas para os bebês. Eu pirei ao ver o vendedor jogando charme pra ele. Se não fosse Felix... eu teria partido a cara dele. Será que não seria o caso de procurar um tratamento... um psicólogo... sei lá? Isso não era normal. Ou era? Ah... sei lá, porra! Eu nunca amei.             

Eu estava há horas olhando para o mar... sozinho.                   

Até quando eu continuaria assim? Desde quando fui covarde? Eu evitava conversar com Jisung e sabia que ele estava sofrendo com isso. Conhecendo aquela cabecinha como eu conhecia... não deveria estar pensando boa coisa. No mínimo deveria achar que eu já pensava em me separar.   

Quer saber? Estava na hora de retirar a máscara de rato que vesti e conversar seriamente com ele sobre meus medos e minhas reações absurdas.

Olhei as horas: uma e meia da manhã. Merda... ultimamente ele estava tendo mais sono ainda.

Só poderia falar com ele pela manhã. Levantei-me, batendo na calça para retirar a areia e entrei na Bugatti. Tentaria evitar qualquer pensamento agora. Liguei o som e segui cantarolando baixinho.

Mas como tudo me remetia a ele... a música que começou logo a seguir era a música que dançamos na Cidade do México.

Eu ri alto ao me lembrar de nós dois feito adolescentes, correndo para o banheiro. Ele me excitava além da conta, me deixava maluco. Estava sentindo uma puta saudade daquele corpo, daquela boca.

The powerful - MinsungOnde histórias criam vida. Descubra agora