Não sei por quanto tempo pedalei, mas parece que foram horas. Finalmente, cheguei a algum lugar. Não sei a que distância estou da reserva, mas creio que esse lugar vá servir.
Entro na floresta e não vejo nenhum lago, então decido ir mais para dentro. E lá se vão mais horas — eu acho. Não tenho certeza. Não trouxe celular nem relógio de pulso.
Estou me sentindo tão cansada que, no meio da caminhada, achei um tronco de árvore caído. Ele me parece seco, perfeito para me sentar e tomar um pouco d'água e comer meu lanche. Minha barriga ronca tanto... acredito que seja pelo fato de ter pedalado e andado por horas sem nem mesmo ter almoçado direito.
É quando escuto uma voz vindo de dentro da floresta. Me levanto num segundo, assustada, deixando meu sanduíche cair no chão...
— Como uma garotinha como você veio parar tão dentro da floresta? Não tem medo de que alguém possa... te atacar no meio do nada?
Olho para a direita, para a esquerda, para trás e para frente, tentando achar o dono da voz. Então o vejo: um homem de olhos vermelhos, lábios cor de cereja e uma palidez que nem eu mesma tinha. Sua voz é rude. Ele está longe, mas me lança um olhar intrigante. De repente, se aproxima numa velocidade impossível de se acreditar. Ele se abaixa, apanha meu sanduíche do chão e, com ele na mão, me olha e diz:
— Não me parece muito apetitoso. Vocês, humanos, são bem repugnantes. Nem posso acreditar que há uns 300 anos eu comia isso também.
Já você me parece bem apetitosa... e tem um cheiro delicioso.
Ele puxa o ar, como se tentasse absorver todo o meu cheiro.
— Oh, sim... extremamente cheirosa. Me deu até fome. Mas não queria acabar logo com a nossa conversa. Seu rosto assustado está me divertindo tanto...
Sei que dizem que é errado brincar com a comida, mas é tão raro eu encontrar alguém que me instigue tanto. Desejo te apreciar aos poucos, como um bom vinho...
Depois de terminar essa frase, que me chocou profundamente, ele começa a me rodear, passando o rosto e o nariz pelo meu pescoço, como se me cheirasse. Em seguida, para novamente à minha frente, olhando fundo nos meus olhos.
Nesse momento, entrei em surto e fiz algo que nunca imaginei ter coragem: com certeza foi meu instinto de sobrevivência. Dei um tapa no rosto gelado dele e saí correndo. Mas, parando para pensar agora, foi uma ideia estúpida. Ele deu um pulo e parou na minha frente, furioso, a ponto de me arremessar longe. Parecia que eu era um graveto seco de árvore. Nunca imaginei que alguém pudesse ter tanta força.
Ele se aproximou de novo, se abaixou e me olhou com prazer por me ver sentindo dor pela pancada do meu corpo contra o chão. Disse:
— Sério que achou que conseguiria, querida? Vocês são tão patéticos... não sei se me divertem ou me irritam...
Me observando naquela situação, agachou-se ao meu lado - eu, deitada no chão da floresta, sem forças e com medo demais para tentar me levantar - e continuou:
— Estou tão frustrado. Não dá pra acreditar que me chamaram aqui para ajudar um casal de vampiros a salvar sua filha dos Volturi e nem sequer ofereceram uma refeição decente. Ainda pedem para não caçar na região... Difícil cumprir essa promessa quando se está com sede. Nem sei se vale a pena ficar contra os Volturi. O Aro jamais me deixaria passar fome se me pedisse um favor. Eu tentei, querida, de verdade... Mas é difícil tentar ser bonzinho quando não se é...
Eu o olho, sem entender o que ele está dizendo — e com ainda mais medo ao perceber, por suas palavras, que há outros vampiros na cidade. E ele continua:
— Você não está entendendo nada, né?...
— Ele dá uma risadinha baixa.
— Viu só o que a sede faz? Me fazendo abrir com uma humana patética e tão frágil... Estou adorando te ver aí no chão. Que tal me implorar por piedade? Talvez eu me comova. Mas já aviso, é muito difícil isso acontecer...
Nesse instante, ele me segura com as duas mãos e me ergue pela gola da blusa, ficando de pé enquanto me levanta até que meu pescoço se aproxime de sua boca, que já está pronta para me morder.
— Se quiser, pode fechar os olhos, querida. Prometo ser rápido. Sei que disse que ia te apreciar aos poucos, mas estou com tanta sede que não vou conseguir...
Já estava preparada, jurando que meu fim seria ali, no meio daquela floresta, quando ele para e começa a olhar para o lado, como se tivesse escutado algo. Me solta e fica alerta, esperando algo surgir entre as árvores. De repente, aparece uma alcateia de lobos enormes, rosnando e parecendo ferozes, correndo em direção a ele. Ele foge floresta adentro, e os lobos vão atrás.
Mas um deles para bem na minha frente e começa a me encarar. Naquele momento, achei que morreria ali de qualquer maneira. Se aquele vampiro não me devorou, esse lobo com certeza iria.
***
●● VISÃO DO SETH ●●
A reserva está uma verdadeira zona. Estamos esperando um ataque de vampiros contra a filha da Bella, Renesmee.
Vários jovens da aldeia estão se transformando por causa da presença crescente de vampiros na cidade, o que acabou antecipando essas transformações.
Estamos prontos para lutar. Renesmee é o imprinting do Jacob, e sempre protegemos o alvo do imprinting de um dos nossos. Jacob passa bastante tempo na casa dos Cullens para ficar perto dela. Durante a gravidez, também fiquei lá para ajudar, mas agora que ela está maior, voltei para a aldeia, e Jacob continua por lá a maior parte do tempo.
Estamos sempre em alerta para ajudar os recém-transformados e proteger os demais moradores de Forks, já que a cidade está cheia de vampiros que, ao contrário dos Cullens, bebem sangue humano.
Costumamos patrulhar a floresta e as redondezas de Forks para ver se encontramos algum deles tentando quebrar o tratado.
Foi então que, um dia, o chefe de polícia, Charlie Swan, ligou para a reserva avisando que uma menina chamada Alisson tinha ido para a reserva e não havia voltado. Pediu ajuda, dizendo que estava juntando pessoas para procurá-la, mas que, como já conhecíamos bem a região, seria bom se começássemos a busca antes.
Sabendo do risco que ela podia estar correndo com os vampiros soltos, agimos rapidamente.
E foi nessa busca... que eu a vi.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Imprinting
FanfictionSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela falta de amigos e pela ausência dos pais que só pensam em trabalho. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da escola na floresta da...
