Capítulo 46

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— Lembra que eu te contei sobre o Jacob ter se rebelado contra a matilha do Sam, e eu e a Leah fomos com ele? — começa ele, a voz tranquila, mas firme. — Desde então, passamos a proteger os Cullen, a conviver mais de perto com eles. Basicamente, estamos cumprindo nosso papel como guardiões — patrulhando os arredores, mantendo vigilância constante, garantindo que nenhuma ameaça chegue perto... especialmente agora, com os Volturi no radar.

Ele faz uma pausa, e o canto da boca se curva num sorriso levemente irônico.

— E, de vez em quando, também ajudo o pessoal da matilha do Sam. Sabe como é... alguém tem que resgatar garotas indefesas sendo atacadas por vampiros malvados na floresta.

Solto uma risada baixa, arqueando uma sobrancelha ao encará-lo.

— Ah, claro... porque isso é super comum por aqui, né? Garotas indefesas sendo atacadas por vampiros malvados na floresta. Que conveniente. — Inclino a cabeça, um sorriso brincando nos meus lábios. — Imagino que você tenha um cronograma pra isso. Tipo: segunda-feira, patrulha com a matilha. Terça, resgate dramático.

Seth ri, mas há algo nos olhos dele — aquele brilho que sempre aparece quando o assunto somos nós. Ele se aproxima um pouco mais, a expressão suave.

— Acontece que... naquela terça, o resgate dramático mudou tudo. — Sua voz sai mais baixa, mais íntima. — E eu teria feito aquilo mil vezes, mesmo sem saber que você seria... você.

Meu sorriso vacila por um segundo, não de tristeza, mas por aquele tipo de emoção que aperta o peito. Brinquei, mas ele levou a sério — como sempre faz quando se trata de mim.

— Bom — murmuro, tentando manter o tom leve, mas sentindo o calor subir ao rosto —, ainda acho que você devia incluir isso no currículo: salvador oficial de garotas desavisadas e quebrador de rotinas previsíveis.

Ele sorri, aquele sorriso dele. O que faz tudo ao redor parecer menos perigoso.

— Só se você prometer não se meter em mais florestas escuras sem mim por perto — diz ele, com aquele ar protetor que, vindo dele, não parece sufocante... só genuíno.

Cruzo os braços, fingindo ponderar.

— Hm... vou pensar no seu caso. — Lanço um olhar fingidamente desafiador. — Mas não posso prometer nada. Florestas escuras parecem ter uma atração magnética por mim.

Seth ri de novo, e é aquele riso solto e caloroso que me faz esquecer por um instante de todo o resto.

— Então é melhor eu me preparar pra te salvar mais umas cinco ou seis vezes — Ele diz, se ajustando sutilmente ao meu lado, como se quisesse diminuir ainda mais a distância entre nós.

Sinto o calor do corpo dele, a proximidade que não assusta. É como se ele fosse um abrigo em forma de gente — e, de certa maneira ele é. Pelo menos para mim.

Meus olhos encontram os dele, e por um momento o mundo desacelera. O som da floresta parece sumir ao fundo, como se até os grilos e o vento soubessem que algo importante está prestes a acontecer. Seth não diz nada — ele só me olha com aquela intensidade gentil, como se estivesse pedindo permissão sem palavras. E eu não desvio o olhar. Não consigo.

Meu coração bate mais rápido, ele se inclina um pouco, devagar, cuidadoso. Como se não quisesse quebrar o encanto do momento. Meus olhos se fecham por reflexo, e eu já consigo sentir a presença dele ainda mais próxima, o calor da respiração tocando minha pele...

— Trouxe sanduíches! — a voz animada de Sue corta o silêncio com a delicadeza de um trovão.

Seth congela a centímetros de mim. Meus olhos se abrem de súbito, e ele recua devagar, com um meio sorriso culpado e as bochechas coradas. Eu também não devo estar em melhor estado — consigo sentir meu rosto queimando.

ImprintingOnde histórias criam vida. Descubra agora