Desde a noite em que Seth saiu pela minha janela, pude sentir que algo havia mudado.
Seth não voltou no dia seguinte.
Nem no outro.
Sentir que as coisas começaram a ficar estranhas, quietas demais.
O silêncio que se instalou no meu quarto era diferente de qualquer outro que eu já tivesse experimentado. Não era o silêncio de uma casa vazia, parecia que era o silêncio de uma ausência planejada.
A janela, que antes era o portal por onde o mundo dele entrava no meu, agora permanecia trancada. Eu a encarava todas as noites, esperando ver o vulto ágil, o brilho dos olhos castanhos ou ouvir o som suave dos seus pés tocando o assoalho. Mas nada acontecia.
Durante o dia, a vida seguia sua rotina mecânica. Eu ia à escola, voltava, jantava com meus pais. Na escola, eu procurava por ele no estacionamento. Sabia que ele não estaria lá, mas a esperança irracional de vê-lo encostado em uma árvore me perseguia.
O que mais doía não era apenas a falta da companhia, era imaginar o por que ele tinha ido. Seth não estava longe porque parou de se importar; talvez ele estivesse longe porque acreditava que ficar, que amar tão de perto, poderia me colocar em risco ou porque talvez acreditava que o jeito mais seguro de me amar era à distância. É doloroso imaginar tantas hipóteses para explicar seu sumiço tão repentino.
Forks parecia mais cinzenta, e a floresta, que antes eu via como o lar do meu protetor, agora voltava a ser apenas um lugar escuro e impenetrável. No entanto, às vezes, eu sentia um arrepio na nuca. Uma sensação de que eu não estava totalmente sozinha.
Eu sabia que ele estava lá. Em algum lugar entre as sombras das árvores, ele deveria estar patrulhamento ao redor da minha casa, garantindo que o Lúcio não chegasse perto. Ele ainda me protegia, mas agora o fazia como um fantasma. Ele se tornou a própria camuflagem que tanto temíamos no inimigo.
Três dias.
Quatro dias.
A cada hora que passava, a mágoa dele se transformava na minha angústia. Eu olhava para o livro de lendas sobre a minha mesa e sentia vontade de rasgá-lo. Foi aquele papel impresso, somado à minha própria vulnerabilidade, que o afastou.
"Seth, por favor..." — eu sussurrava no escuro do quarto, esperando que, por algum milagre daquela ligação de imprinting, ele pudesse me ouvir. Mas a noite não respondia.
Foi quando percebi que eu não poderia esperar ele voltar para mim por vontade própria, se ele estava preso naquele ciclo de culpa e auto-aversão, eu teria que ser aquela que cruzaria a fronteira.
Aproveitei o momento em que meus pais estavam distraídos no andar de cima e peguei as chaves sobre o aparador da entrada. Meu coração batia contra as costelas, uma mistura de adrenalina e culpa. Eu nunca fiz esse tipo de coisa, mas o silêncio de Seth havia me tornado outra pessoa.
Dirigi pela estrada sinuosa de Forks com as mãos firmes no volante, a chuva batendo no para-brisa como se quisesse me impedir de seguir. A floresta ao redor da mansão dos Cullen parecia um muro intransponível de sombras.
Eu estava quase chegando à entrada da propriedade quando um vulto cinzento saltou das árvores, parando exatamente no meio da estrada.
Pisei no freio com força. Os pneus cantaram no asfalto molhado e o carro deu um solavanco, parando a poucos centímetros da criatura.
Minha respiração estava curta. O lobo cinzento, Leah. Me encarou através do vidro por um segundo eterno antes de caminhar para trás de um carvalho e emergir como humana, já vestindo roupas curtas e surradas.
Saí do carro batendo a porta com força. O frio da floresta me atingiu como um tapa, mas eu mal senti.
— Você ficou louca? — gritei, a voz ecoando entre os troncos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Imprinting
FanfictionSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela falta de amigos e pela ausência dos pais que só pensam em trabalho. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da escola na floresta da...
