Capítulo 29

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— E como você consegue fazer isso?
Perguntei, atônita.

— É um dom.

O homem respondeu com a voz tranquila, em total contraste com o meu espanto. Seus cabelos castanho-avermelhados, desalinhados, pareciam ter vida própria, e os traços perfeitamente simétricos do rosto davam-lhe uma beleza quase inumana. Apesar disso, fisicamente, ele não aparentava ser muito mais velho do que eu.

Eu o reconheci. Era um dos filhos do Dr. Carlisle — o homem que havia se casado com a filha do Chefe de Polícia Swan.

E ela estava ali, ao lado dele.

— E todos vocês têm dons? — perguntei, tentando digerir aquela enxurrada de informações.

— A maioria de nós. — ele confirmou com um sorriso enigmático, como se se divertisse com minha surpresa.

— E você, tem algum? — a curiosidade me corroía por dentro.

— Sim. Posso ler mentes. — ele deu uma risada leve, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Seu sorriso se alargou, e tive a nítida impressão de que ele já estava vasculhando meus pensamentos.

— Poderia não fazer isso? Por favor? — minha frustração transparecia até na minha postura.

— Ler sua mente? — ele arqueou uma sobrancelha, visivelmente entretido.

— Sim. — respondi, meio sem graça.

— Posso tentar... só não garanto que vou conseguir.

O sorriso dele manteve aquele ar brincalhão, e, de repente, o ambiente pareceu um pouco menos tenso.

— E eu posso ver o futuro. Legal, né? — disse uma voz feminina, vindo de perto.

Uma figura mais baixa e esguia surgiu ao meu lado. Tinha cabelos negros como a noite, cortados em um estilo ousado, e olhos que brilhavam com uma energia vibrante.

— Prazer, sou Alice. E você? — ela estendeu a mão com um sorriso encantador.

— Alisson. Como assim, você vê o futuro? Consegue ver o meu? — a empolgação me tomou por completo. A ideia de alguém ser capaz de prever o que estava por vir era fascinante — e um tanto assustadora.

Alice me observou por um instante, pensativa, antes de suavizar o semblante.

— Provavelmente não, já que você anda com ele.
Ela indicou discretamente Seth, que estava um pouco afastado, mas atento.

— E qual o problema?
Perguntei, sentindo um calafrio inesperado.

— Ela não consegue ver o futuro dos lobos.
Jacob, ao meu lado, respondeu antes mesmo que Alice pudesse dizer algo, como se já esperasse a pergunta.

— Como assim? — a confusão me dominava.

— Nós, lobisomens, somos imunes a alguns poderes psíquicos dos vampiros. — Jacob explicou, seu olhar firme e direto.

— É como se tivéssemos um campo de proteção que bloqueia dons como o da Alice. — Ele fez uma pausa, ponderando.

— Ela não pode ver nosso destino. Simplesmente não consegue. Os lobos têm esse bloqueio natural. É parte do que nos torna... inimigos naturais dos vampiros.

Fiquei em silêncio, absorvendo cada palavra. Aquilo era fascinante — e um tanto assustador.

— Acho que entendi. — murmurei, ainda tentando juntar as peças.

Seth, atento à conversa, aproximou-se e quebrou o silêncio.

— Bem, tem muita coisa complicada por aí, mas acho que, por enquanto, já temos informação suficiente pra digerir. — ele sorriu, tentando aliviar a tensão no ar.

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