Fechei a porta atrás de mim com cuidado quase reverente, como se pudesse aprisionar o calor da noite e a presença de Seth dentro de casa.
O silêncio me envolveu de imediato, mas não era pesado; era um silêncio cheio de ecos, de respiração acelerada e do toque que ainda pulsava na minha pele.
Deitei-me no sofá da sala, abraçando-me com força, sentindo ainda a marca do toque dele, lembrando que o mundo era capaz de surpresas que eu antes julgava impossíveis. Minha pele ainda ardia com lembrança dele, meu coração batia rápido, e o brilho nos olhos dele me fazia sorrir sem perceber.
O tilintar da chave na porta anunciou a chegada dos meus pais. Pouco depois, eles entraram juntos, carregando sacolas do mercado. O cheiro de pão fresco e frutas recém-compradas invadiu a sala, trazendo uma sensação de normalidade que contrastava com o calor que ainda sentia por Seth.
— Chegamos! — disse minha mãe, sorrindo, cansada.
— E trouxe o que precisava. — completou meu pai, apoiando a sacola sobre a bancada da cozinha e soltando um suspiro de alívio.
Tentei recompor-me no sofá, respirando fundo, enquanto eles descarregavam as compras. Cada movimento parecia amplificado, o ranger da geladeira, o farfalhar das sacolas, até o som dos passos no piso da sala. Tudo me lembrava que eu precisava retornar ao mundo real, afastando o calor e a presença de Seth da minha pele.
Meu pai desviou o olhar para mim, notando minhas roupas ainda impecáveis, perfeitas para sair. Um leve traço de dúvida se formou em seu rosto.
— Vai sair? — perguntou, sem saber que eu já havia passado a tarde fora.
De repente, senti uma vontade súbita de sair de novo, caminhar sozinha pela rua, sentir a brisa fria no rosto e o cheiro úmido da floresta que cercava Forks.
Levantei-me do sofá sem pressa.
— Sim, só vou dar uma volta — murmurei.
— Uma volta? Com o Seth? — perguntou meu pai, levantando uma sobrancelha.
— Não, sozinha mesmo — respondi, tentando soar casual.
— Sair sozinha? Por que quer sair agora? — insistiu minha mãe, a voz carregada de preocupação.
— Por nada, só quero caminhar um pouco — acrescentei, tentando desfazer qualquer preocupação que pudesse surgir.
Eles trocaram um olhar rápido, contido, como se quisessem perguntar algo mais, mas decidiram não perguntar.
Empurrei a porta da frente e senti a brisa fria imediatamente me envolver, trazendo o cheiro úmido da floresta ao redor.
O vento agitava meus cabelos e fazia com que minhas roupas colassem levemente ao corpo, lembrando-me do calor recente que minha pele ainda guardava. A lua surgia entre nuvens pesadas, lançando sombras difusas pelas ruas silenciosas.
Caminhei sem rumo definido, absorvendo cada detalhe. O sussurro das folhas, o rangido distante de uma porta que o vento fazia oscilar. Cada passo sobre a calçada molhada parecia pulsar junto ao meu coração, lembrando-me da tarde que passei com Seth, seu olhar que brilhava com calma, o toque que ainda queimava na minha pele. Pode ver sua transformação de perto, com os olhos bem abertos, parecia tão real e, ao mesmo tempo, tão impossível, como se a própria vida tivesse se aberto diante de mim em um instante de beleza pura e inacreditável.
Continuei a caminhar lentamente, sentindo o frio atravessar minhas roupas, mas permanecendo ali, consciente de que cada sensação que carregava comigo.
A cidade parecia diferente à noite. As luzes dos postes lançavam círculos amarelados sobre o asfalto molhado, refletindo o brilho das poças deixadas pela chuva. As ruas estavam silenciosas; apenas o som distante de um carro quebrava a calmaria. Tudo parecia mais intenso à noite, os sons, os cheiros, até o ritmo da minha própria respiração, como se cada detalhe escondesse possibilidades que eu antes acreditava só existir em livros.
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Imprinting
Fiksi PenggemarSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela ausência dos pais que só pensam em trabalho e não consegue se conectar com os amigos. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da esc...
