Capítulo 33

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Subo no ônibus junto com Madison e Chloe, sentando-me ao lado da janela.

A chuva começa a cair forte, tamborilando contra o vidro e embaçando a paisagem do lado de fora. O cheiro de terra molhada invade o interior do ônibus, misturando-se ao barulho das conversas dos alunos.

— Então. — Madison começa, um sorriso provocador. — O que Seth disse?

— Nada demais.

— Nada demais? — Chloe se inclina um pouco mais para perto. — Ele claramente atravessou a praia inteira só para falar com você.

Suspiro, encostando a cabeça no vidro frio.

— Ele só queria saber se eu estava bem.

— E você está? — Chloe pergunta, desta vez sem o tom brincalhão de antes. — Você estava tão aérea hoje.

Eu hesito por um segundo antes de responder.

— É como eu disse, só estou cansada. Nada demais.

Madison e Chloe trocam um olhar rápido, como se tentassem decidir se acreditam em mim ou não.

Aproveito o pequeno silêncio entre elas como desculpa para mudar de assunto.

— E você, Madison? O que achou da excursão? Você estava tão animada.

Madison revira os olhos.

— Tirando o frio e a caminhada interminável? Sim, foi legal.

— Pelo menos pegamos umas pedras interessantes. — Chloe brinca, sacudindo a sacola com as amostras.

Sorrio de leve e volto a olhar pela janela. A chuva grossa embaça o vidro, tornando impossível ver a floresta passando do lado de fora.

Por um instante, fecho os olhos, deixando o balanço do ônibus me embalar.

O cansaço ainda está lá, mas agora parece um pouco menos pesado.

Talvez, só talvez, esta noite eu consiga dormir melhor.

O ônibus segue pela estrada molhada, os faróis iluminando a névoa fina que começa a se formar. O barulho da chuva contra o teto e as janelas preenche o interior do veículo, criando um som ritmado e hipnótico.

A conversa entre os alunos vai diminuindo conforme o cansaço se instala. Alguns cochilam encostados nos assentos, enquanto outros mexem no celular, absorvidos em suas telas.

Eu permaneço com a cabeça apoiada no vidro, observando as gotas escorrendo pelo vidro em trilhas irregulares.

— Ei. — A voz de Chloe me tira do devaneio.

Viro o rosto para encará-la.

— Hum?

Ela inclina a cabeça, me observando atentamente.

— Só queria saber se você quer dormir um pouco. Posso te acordar quando chegarmos.

Seu tom é gentil, sem traços da brincadeira de antes.

Sorrio de leve.

— Talvez. Obrigada.

Fecho os olhos, tentando relaxar, mas minha mente ainda está inquieta.

As imagens dos pesadelos voltam à superfície, como se estivessem esperando o momento exato para me assombrar. Vejo o rosto de Lúcio, o olhar cruel, o cheiro metálico de sangue no ar. Seth caído.

Minha respiração falha por um segundo, e eu forço meus olhos a se abrirem novamente.

Não aqui. Não agora.

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