Capítulo 01

5.7K 305 267
                                        

Nunca fui muito de sair de dentro da cidade de Forks — no máximo, ia até Portland ou Seattle

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Nunca fui muito de sair de dentro da cidade de Forks — no máximo, ia até Portland ou Seattle.
Também não sou muito de fazer amizades. Na verdade, não sei muito bem por onde começar, como me comportar, como agir ou qual a maneira certa de falar para conseguir me aproximar de alguém.

Meus pais também adoram me manter ocupada com aulas de piano e balé. Nunca me interessei muito pela vida típica dos adolescentes, como sair para fazer compras, ir comer numa lanchonete e bater papo com outras garotas — muito menos participar daquelas conversas típicas de "qual garoto você gosta?", que acontecem bastante em festas do pijama... que, aliás, eu nunca frequentei.

Apesar de tudo isso, sempre acabei chamando atenção numa cidade apagada como Forks, com seu ar cinzento. Meus cabelos ruivos como fogo e meus olhos azuis se destacam bastante — o que me faz sentir desconfortável. Detesto sentir que estão me observando. Fico tão nervosa que até esqueço como se anda quando percebo alguém me olhando.

Não nasci em Forks. Mudei-me para cá aos quatro anos de idade. Meu pai é dentista e minha mãe advogada, e ambos acharam que seria uma boa ideia abrir um consultório e um escritório nesta cidade. Sou da Flórida. Apesar de ter me mudado muito nova e quase não ter lembranças de lá, sinto que minha vida seria totalmente diferente se ainda morasse naquele estado. Sinto que, na Flórida, seria obrigada a sair de casa e conviver mais com pessoas por causa do clima quente.

Por mais incrível que pareça, gosto de Forks. Seu clima chuvoso e cinzento, com o contraste do verde das árvores e musgos... Acho tudo isso muito tranquilizador e aconchegante.

No momento, estou no carro com minha mãe, que só faz e recebe chamadas nos dois celulares do escritório de advocacia.

— Não, Jennifer, eu já fui ao cartório resolver as papeladas do Sr. Garden... Só um minuto...

Ela tira o telefone do ouvido e me pergunta:

— Como foi seu dia, querida? Algo interessante na escola ou nas suas atividades?

Antes mesmo que eu possa responder, ela já está de volta ao telefone:

— Sim, Jennifer, avisa a senhora Leona que ela precisa ir ao escritório ainda hoje...

Ela tira o telefone do ouvido de novo, o que eu entendo como um sinal para que eu responda:

— Não, mãe. Nada de interessante. Só tenho um trabalho da aula de Literatura, que é tirar fotos e fazer uma redação sobre o que mais gosto na cidade. Estou sem ideia alguma do que fazer...

Em questão de segundos, escuto novamente sua voz:

— Sim, Jennifer, entre em contato com o Sr. John ainda hoje...

E logo em seguida:

— Não se preocupe, querida, sei que conseguirá...

E esse foi o diálogo do dia com minha mãe, pois, nesse meio-tempo, já tínhamos chegado em frente de casa. Eu estava pronta para descer do carro e passar a tarde sozinha, como de costume, já que meus pais só estão presentes na hora do jantar — e mesmo assim, não por completo, pois o trabalho nunca para, nem em casa.

Minha mãe fez a mesma coisa de sempre ao me deixar: me deu um abraço e disse "se cuida", antes de voltar à sua vida de advogada, com seus dois telefones e sua assistente Jennifer sempre na linha.

Entro em casa e já começo a preparar meu almoço. Mas sempre acabo jogando quase toda a comida fora por falta de interesse e apetite. Minha cabeça está focada no que irei fazer para a aula de Literatura. Na aula anterior, o professor pediu fotos que representem o que gostamos no lugar onde vivemos. Mas o que fotografar em Forks? A chuva? Os musgos? As árvores?

Nada aqui é chamativo ou marcante, e talvez por isso mesmo eu ame tanto essa tranquilidade.

Sei que há uma floresta e um lago não tão longe daqui. Acho que consigo ir até lá e tentar capturar essa paz que o clima cinzento de Forks me transmite. Fora que amo a floresta — acho-a fascinante e silenciosa, um ótimo lugar para colocar os pensamentos e ideias no lugar.

Decido ir. Com minha bicicleta mesmo — creio que não seja tão longe assim. Arrumo minha mochila com lanche, água, um casaco mais quente e minhas companheiras de aventuras em Forks: minha câmera e, lógico, a capa de chuva, que nunca pode faltar. Nem perco tempo tentando ligar para avisar meus pais onde vou, pois a linha certamente estará ocupada. Então mando um SMS e deixo um bilhete pendurado com um ímã na porta da geladeira, caso eu me atrase.

E assim sigo, de bicicleta, rumo à floresta. Sei que há uma reserva por lá, e esse é meu ponto de chegada.

ImprintingOnde histórias criam vida. Descubra agora