Capítulo 47

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O céu cinza começava a escurecer enquanto Seth e eu deixávamos a casa de Sue. A brisa carregava o cheiro úmido da floresta molhada

Nenhum de nós falou por um tempo. Caminhávamos lado a lado, os ombros quase se tocando.

Foi Seth quem parou primeiro.

— Está tudo bem? — ele perguntou, virando-se para mim. Os olhos castanhos, sempre calmos, atentos, como se quisesse decifrar cada nuance do que eu sentia.

Demorei alguns segundos antes de responder.

— Sim. — murmurei, deixando escapar um pequeno sorriso. — Adorei passar a tarde com você e com a Sue. Foi um dia tranquilo.

Ele assentiu devagar.

Um silêncio confortável pairou entre nós por mais alguns instantes, até que Seth desviou o olhar para a trilha adiante, depois voltou a me encarar, hesitando por um breve segundo.

— Fico feliz em saber que você se sentiu à vontade lá dentro — disse com uma voz tranquila. — Tive receio de que se sentisse pressionada... por causa da minha mãe.

Balancei a cabeça, sorrindo levemente.

— Não, de forma alguma. Sue é incrível. Foi acolhedora, e, honestamente, senti que ela queria mesmo me conhecer melhor.

Seth deu um leve sorriso, aliviado, como se tivesse carregado um peso.

— É que minha mãe... ela tem um jeito meio rígido, sabe? Mas é só proteção. Ela se preocupa demais.

Olhei para ele, com a certeza de que aquela preocupação era parte do que o tornava quem ele era.

— É bonito isso, Seth. Mostra o quanto vocês se importam.

Ele assentiu, com um leve suspiro.

— É... depois da morte do meu pai, ela assumiu uma postura mais firme. Não diria que ela é controladora, mas sei que se preocupa com o meu bem-estar e com o da Leah também. Só que... acho que, por eu ser o mais novo, e ter me envolvido tão cedo nesse mundo dos lobos, ela fica ainda mais em alerta.

Havia algo na maneira como ele falou que me fez querer tocá-lo, como se o peso de tantas responsabilidades, somadas à perda do pai ainda vivesse ali, escondido atrás dos sorrisos gentis.

— Deve ter sido difícil... — murmurei. — Ter que crescer tão rápido, por causa da transformação.

Ele deu um meio sorriso, sem humor, olhando para o chão por um instante antes de voltar os olhos para mim.

— De certa forma, sim. A transformação nos obriga a amadurecer rápido, precisamos entender e controlar a fúria, aceitar essa nova identidade. A matilha exige isso. Ser firme, estar sempre pronto, proteger os outros... Mas, quando estou com você, eu me lembro.

— Lembra de quê? — perguntei.

— De que ainda sou um garoto de 15 anos. — Ele deu um passo mais perto. — De que posso baixar a guarda. Ser só... eu.

As palavras dele se vieram em mim como uma brisa quente, inesperada.

Levei a mão até o rosto dele, roçando de leve a lateral com os dedos. Seth fechou os olhos, como se aquele toque tivesse poder.

— Você pode ser quem quiser comigo — sussurrei. — Não precisa se provar o tempo todo.

Ele abriu os olhos, e o olhar que lançou sobre mim era cheio de ternura.

— E você? — ele perguntou.

Sorri, sentindo um calor subir pelo corpo.

— Acho que ainda tenho muito a amadurecer, muito a crescer. Mas... gosto de quem sou quando estou com você.

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