capítulo 41

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— E ele? Você acha mesmo que pode estar atrás de mim?

— Não sei — respondeu Seth, a voz tensa como um fio esticado prestes a romper.

— Acho que não... — tentei soar mais segura do que me sentia. — Você sentiria o cheiro dele em algum momento, certo?

Ele não disse nada. O silêncio que se seguiu foi mais alto do que qualquer resposta. Aquilo me incomodou. Levantei-me devagar e me aproximei, sentando ao lado dele na cama.

— O que foi? — perguntei, tentando decifrar o olhar dele.

Seth se virou, encarando-me por um segundo antes de mudar de posição, sentando-se de frente para mim. A expressão em seu rosto era um mapa confuso de tensão e preocupação.

— O Carlisle disse que ele tem um dom.

— Dom? Que tipo de dom?

— Algo relacionado à... camuflagem.

Franzi a testa, tentando compreender.

— Camuflagem? Você quer dizer que ele sabe se esconder bem?

Seth respirou fundo, como se estivesse procurando as palavras certas para não me assustar mais do que o necessário.

— Não é só isso. Parece que ele consegue tornar a própria presença... praticamente imperceptível.

Meu coração disparou. O que antes parecia uma ameaça distante agora se aproximava como uma sombra silenciosa.

— O quê? Então vocês não conseguem achá-lo?

— Não. Não se ele não quiser ser encontrado.

Engoli em seco, sentindo a garganta apertar. Olhei para a janela, e de repente a escuridão do lado de fora pareceu muito mais densa.

— Então você está me dizendo que ele pode estar ali fora agora... e a gente nem saberia?

As palavras me saíram num sussurro, e quando a ficha finalmente caiu, virei para ele com indignação queimando no peito.

— É por isso? É por isso que você anda me seguindo o tempo todo, fingindo que só queria ver se eu estava bem?

Seth sustentou meu olhar, firme.

— Eu estou tentando, Alisson.

— Tentando o quê? Não me deixar sozinha?

Ele hesitou. Por um instante, seus olhos pareceram mais escuros, carregados por algo que eu ainda não conseguia nomear.

— Também.

O silêncio entre nós era denso, quase palpável. Seth passou a mão pelos cabelos, nervoso.

— Para nós, o poder do Lúcio talvez não funcione com tanta precisão quanto com os vampiros. Nossos sentidos são mais aguçados. Temos barreiras naturais. — Ele estendeu a mão até a minha, o toque quente e firme, como uma âncora. — Estou tentando sentir a presença dele. Qualquer coisa. Qualquer alteração no ambiente, qualquer sensação fora do lugar.

Soltei um riso seco, incrédula.

— E por que diabos ninguém me contou isso antes? No dia em que você me levou à casa deles, só me contaram metade da história!

— Talvez não quisessem te assustar — murmurou ele.

— Ótimo. Maravilhoso. Amei a consideração. — A ironia na minha voz escorria como veneno. — Mas e a minha vida? E a dos meus pais? Alguém pensou nisso?

Minha respiração já saía acelerada. Seth apertou minha mão, tentando me acalmar.

— Ei...

— E se eu for mesmo... interessante pra ele? — sussurrei, sentindo o medo se infiltrar por entre as fissuras da minha raiva.

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