— E ele? Você acha mesmo que pode estar atrás de mim?
— Não sei — respondeu Seth, a voz tensa como um fio esticado prestes a romper.
— Acho que não... — tentei soar mais segura do que me sentia. — Você sentiria o cheiro dele em algum momento, certo?
Ele não disse nada. O silêncio que se seguiu foi mais alto do que qualquer resposta. Aquilo me incomodou. Levantei-me devagar e me aproximei, sentando ao lado dele na cama.
— O que foi? — perguntei, tentando decifrar o olhar dele.
Seth se virou, encarando-me por um segundo antes de mudar de posição, sentando-se de frente para mim. A expressão em seu rosto era um mapa confuso de tensão e preocupação.
— O Carlisle disse que ele tem um dom.
— Dom? Que tipo de dom?
— Algo relacionado à... camuflagem.
Franzi a testa, tentando compreender.
— Camuflagem? Você quer dizer que ele sabe se esconder bem?
Seth respirou fundo, como se estivesse procurando as palavras certas para não me assustar mais do que o necessário.
— Não é só isso. Parece que ele consegue tornar a própria presença... praticamente imperceptível.
Meu coração disparou. O que antes parecia uma ameaça distante agora se aproximava como uma sombra silenciosa.
— O quê? Então vocês não conseguem achá-lo?
— Não. Não se ele não quiser ser encontrado.
Engoli em seco, sentindo a garganta apertar. Olhei para a janela, e de repente a escuridão do lado de fora pareceu muito mais densa.
— Então você está me dizendo que ele pode estar ali fora agora... e a gente nem saberia?
As palavras me saíram num sussurro, e quando a ficha finalmente caiu, virei para ele com indignação queimando no peito.
— É por isso? É por isso que você anda me seguindo o tempo todo, fingindo que só queria ver se eu estava bem?
Seth sustentou meu olhar, firme.
— Eu estou tentando, Alisson.
— Tentando o quê? Não me deixar sozinha?
Ele hesitou. Por um instante, seus olhos pareceram mais escuros, carregados por algo que eu ainda não conseguia nomear.
— Também.
O silêncio entre nós era denso, quase palpável. Seth passou a mão pelos cabelos, nervoso.
— Para nós, o poder do Lúcio talvez não funcione com tanta precisão quanto com os vampiros. Nossos sentidos são mais aguçados. Temos barreiras naturais. — Ele estendeu a mão até a minha, o toque quente e firme, como uma âncora. — Estou tentando sentir a presença dele. Qualquer coisa. Qualquer alteração no ambiente, qualquer sensação fora do lugar.
Soltei um riso seco, incrédula.
— E por que diabos ninguém me contou isso antes? No dia em que você me levou à casa deles, só me contaram metade da história!
— Talvez não quisessem te assustar — murmurou ele.
— Ótimo. Maravilhoso. Amei a consideração. — A ironia na minha voz escorria como veneno. — Mas e a minha vida? E a dos meus pais? Alguém pensou nisso?
Minha respiração já saía acelerada. Seth apertou minha mão, tentando me acalmar.
— Ei...
— E se eu for mesmo... interessante pra ele? — sussurrei, sentindo o medo se infiltrar por entre as fissuras da minha raiva.
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Imprinting
FanfictionSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela falta de amigos e pela ausência dos pais que só pensam em trabalho. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da escola na floresta da...
