O despertador tocou como uma sentença. Eu mal havia pregado os olhos depois do incidente na janela; passei o resto da madrugada sentada no chão, observando a fechadura até o sol pálido de Forks surgir entre as nuvens.
No espelho do banheiro, o reflexo não mentia. Minha pele estava pálida, quase translúcida, e as olheiras formavam sulcos profundos e escuros sob meus olhos. Eu parecia uma versão desgastada de mim mesma.
Quando cheguei à escola, tentei manter a cabeça baixa, mas era impossível passar despercebida. No corredor, antes da primeira aula, Madison e Chloe me cercaram.
— Meu Deus, Alisson! — Madison exclamou, sem qualquer filtro, segurando meu queixo para examinar meu rosto. — Você está horrível! O que aconteceu? O castigo em casa deve estar sendo um verdadeiro inferno, não é? Ou você pegou uma gripe daquelas?
— É, Ali... você parece que não dorme há uma semana — Chloe completou, a voz carregada de uma preocupação genuína, mas que me irritava profundamente. — Suas olheiras estão quase chegando no queixo. É por causa do castigo? Ou... é por causa dele?
Eu me esquivei do toque de Madison, fingindo procurar algo na minha mochila. O nome do Seth não foi dito, mas estava pendurado no ar entre nós três.
— É só o estresse — menti, minha voz soando rouca e distante, tentei passar por elas, mas Madison deu um passo para o lado, bloqueando meu caminho.
— Imagino. Ser trancada no quarto é ruim, mas ser deixada de lado é bem pior, né? — Ela deu um sorriso pequeno, carregado de um veneno sutil.
Senti meu estômago dar um nó. Ouvir aquilo da boca da Madison, no meio do corredor, era como levar um soco.
— Eu... eu preciso ir para a aula, se não vou acabar me atrasando. — respondi, minha voz falhando levemente.
— Ah, Ali, não precisa fingir para a gente, somos suas amigas, lembra? — Madison continuou, aproximando-se e baixando o tom de voz, como se estivesse contando um segredo "amigo". — A gente sabe que ser rejeitada é difícil, especialmente para alguém como você, que sempre foi o centro das atenções, a garota perfeita. Deve ser um choque de realidade ser descartada assim, do nada. Mas não se preocupe, logo você encontra outro passatempo para preencher o vazio.
— Madison, chega — Chloe interveio, parecendo desconfortável com a crueldade da Madison.
— Só estou sendo realista,Chloe. E eu só quero ajudar! — Madison deu de ombros, triunfante. — Olhe para ela. Esse rosto de quem passou a noite chorando por um cara que não quer mais saber dela... É triste, de verdade.
Eu não respondi. Não conseguia. Se eu abrisse a boca, eu choraria e essa opção me faria parecer fraca diante dela. Madison deu um tapinha condescendente no meu ombro e passou por mim, deixando o rastro do seu perfume caro e o eco das suas palavras maldosas.
Passei as aulas seguintes em um transe. As palavras de Madison se misturavam com a imagem do Lúcio na janela. Eu me sentia humilhada e assombrada ao mesmo tempo.
No intervalo, sentei-me sozinha em uma mesa nos fundos do refeitório, encarando minha comida intocada. O resto do dia passou como um borrão cinzento. Eu me forcei a agir como um robô, ignorando os olhares e as fofocas que pareciam ricochetear pelas paredes da escola.
Quando finalmente cheguei em casa, o silêncio do castigo me recebeu como um abraço gelado. Subi para o quarto assim que pude, trancando a porta e me jogando na cama sem sequer acender a luz.
Fiquei ali, imóvel, encarando o teto. As pequenas estrelas de plástico que brilham no escuro, pareciam patéticas agora. Elas tentavam iluminar o quarto, mas eram apenas imitações baratas da luz real. Exatamente como eu me sentia.
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Imprinting
Fiksi PenggemarSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela falta de amigos e pela ausência dos pais que só pensam em trabalho. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da escola na floresta da...
