Capítulo 30

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A volta para casa não foi tão divertida quanto a ida até a casa dos Cullens.

Seth estava em completo silêncio, atento a qualquer ruído vindo da floresta. A tensão pairava no ar como uma tempestade prestes a desabar.

Quando chegamos em frente à minha casa, esperei enquanto ele se escondia atrás de uma árvore para se vestir. Quando reapareceu, tentou suavizar o clima.

— Chegamos com 15 minutos de antecedência. Acho que vou ganhar pontos com seu pai.

Ele sorriu de leve, tentando aliviar o peso que pairava entre nós.

Tentei retribuir o sorriso, mas falhei miseravelmente.

Seth percebeu e me puxou para um abraço apertado.

— Eu sei que você está com medo. Não vou deixar ninguém te machucar — murmurou contra meus cabelos.

— Eu sei... — minha voz saiu mais triste do que eu queria.

Ele se afastou um pouco para me encarar.

— Então, qual o problema?

Desviei o olhar antes de responder.

— Tenho medo que ele machuque você... tentando me alcançar.

O semblante de Seth se endureceu, mas ele me envolveu novamente num abraço ainda mais forte.

— Ele não vai.

— Promete?

Minha voz quase falhou, um fio de esperança e desespero embutidos na pergunta.

— Prometo — sua resposta veio firme, inabalável.

Ficamos em silêncio por um momento, apenas sentindo a presença um do outro. Então, ele suspirou.

— Acho que está na hora de eu te deixar oficialmente em casa.

Apertei os dedos em sua camisa, como se pudesse prendê-lo ali.

— Não quero que vá.

— Também não quero.

— Então fique. — Olhei nos olhos dele. — Espere eu entrar no quarto... e entre pela janela, do jeito que sempre faz.

Ele sorriu de canto, os olhos brilhando no escuro da noite.

— Tudo bem. Vou esperar.

Suspirei, aliviada, antes de me afastar e caminhar até a porta. Com a mão na maçaneta, olhei para trás uma última vez. Seth estava parado sob a sombra da árvore, me observando como um guardião silencioso.

Respirei fundo e entrei.

— Uau, chegou antes do horário combinado? — meu pai comentou, surpreso. — O passeio foi ruim?

— Não — respondi rápido demais. — Seth só não queria que eu chegasse tarde.

— Hum — ele assentiu, parecendo levemente satisfeito com a resposta.

Minha mãe sorriu.

— Vou subir pro quarto. Quero trocar de roupa, tirar esses sapatos e descansar.

— Claro, querida. Boa noite.

— Boa noite.

Subi direto para o quarto, liguei a luz e fui até a janela. Abri um espaço maior do que o necessário, um sinal silencioso para Seth.

Não demorou dez segundos para ele aparecer. Com a agilidade de sempre, escalou a janela e entrou sem fazer barulho.

— Ei... de novo — ele murmurou, a voz baixa e suave.

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