Capítulo 31

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Sonho:

Estou andando por uma floresta escura, envolta por uma névoa densa que distorce as formas ao meu redor. O farfalhar das folhas soa como sussurros ameaçadores, e um frio antinatural percorre minha pele. Meu coração dispara quando percebo que estou sozinha...

De repente, um rosnado profundo rompe o silêncio.

Seth está ali, em sua forma de lobo — os pelos eriçados, os olhos faiscando com um instinto selvagem. Antes que eu possa chamá-lo, uma sombra se move com velocidade impossível. Um vulto surge das trevas.

Lúcio.

Com os olhos vermelhos e um sorriso cruel que reconheço perfeitamente.

Ele é um borrão de movimento, e, num piscar de olhos, suas presas cravam-se na garganta de Seth.

O uivo dele se transforma em um grito abafado — um som de dor e desespero que faz meu peito apertar, como se algo me rasgasse por dentro.

Tento correr até ele, mas meus pés estão presos ao chão, como se a própria terra me segurasse. O sangue de Seth mancha a neve, um vermelho vivo que se espalha como tinta sobre um véu branco. Seus olhos, antes cheios de vida, encontram os meus por um instante... e então se apagam.

Lúcio ergue o rosto. O sorriso cruel está manchado de sangue. Ele sussurra algo ininteligível, mas a sensação de estar perdendo Seth para sempre me sufoca. Tento gritar, mas o som morre na minha garganta, e a escuridão me engole por completo.

***

Acordo com um solavanco, o coração disparado e os olhos úmidos.

Ofegante, viro o rosto para o lado.

Seth está ali. Dormindo profundamente, o semblante sereno, a respiração estável como o embalo de um mar calmo.

Inspiro fundo, tentando acalmar os batimentos descompassados. Observo-o por alguns instantes, aliviada por vê-lo ali — seguro, vivo, real.

Solto o ar devagar, ainda sentindo o peso do sonho comprimindo meu peito.

Deito-me ao seu lado novamente, ouvindo a respiração ritmada de Seth, tentando afastar a sensação sufocante que ficou. Meu peito ainda dói, e a imagem de seu sangue tingindo a neve continua viva demais para ser apenas um sonho.

Meus olhos o encaram, buscando conforto em sua presença. Minha mão hesita antes de tocá-lo, como se eu precisasse ter certeza de que ele estava mesmo ali. Meus dedos deslizam por seu braço quente, e só então percebo que estou tremendo.

Ele se mexe levemente, soltando um suspiro sonolento, mas não acorda. Seu calor me acalma um pouco, dissipando o medo que rasteja dentro de mim.

Fecho os olhos e respiro fundo, aconchegando minha cabeça em seu peito. Tento afastar aquela sensação de perda iminente.

Já fazia um bom tempo desde o último sonho com Lúcio, mas esse... esse fez a angústia antiga voltar com força total.

A sensação de perda ainda pesava sobre mim — fria como a neve do pesadelo.

Não sei quanto tempo fiquei ali, ouvindo a respiração constante de Seth, tentando convencer meu coração de que ele estava seguro, de que tudo aquilo não passava de um delírio da minha mente. Mas a imagem do sangue manchando a neve não desaparecia. Nem os olhos de Lúcio, vermelhos, cruéis, cheios de um prazer doentio ao tirar algo precioso de mim.

Lúcio.

O nome ecoa na minha mente como um veneno antigo despertando sob a pele. Achei que ele fosse parte do passado, enterrado junto com os horrores que tentei esquecer. Mas agora... agora ele estava de volta, mesmo que apenas nos meus sonhos.

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