Capítulo 06

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Respondi com um sorriso nervoso:

— Tudo bem, Emily. Não me importo. Trouxe para vocês mesmo, podem comer à vontade. Aliás, fico muito feliz que tenham gostado...

Suspirei e continuei:

— Queria, de verdade, agradecer a vocês pelo que fizeram por mim ontem. Se não fosse o Sam, e vocês que também ajudaram... não sei como teria sido minha noite. Obrigada.

Sam sorriu para mim e disse gentilmente:

— Imagina, Alisson. Estamos sempre dispostos a ajudar quem precisa.

Paul me encarou sério e perguntou, sem rodeios:

— Mas o que aconteceu naquela floresta? Você não acha mesmo que a gente acreditou que você caiu de uma árvore, né? Tem algo por trás disso...

Fiquei sem reação, engasgada pela súbita tensão que a pergunta trouxe.

— Paul! Não faça isso! — repreendeu Sam, com firmeza.

— Qual é? Essa garota se mete no meio da floresta e a gente que foi procurar por ela. O mínimo que ela nos deve é a verdade! — exclamou Paul, exaltado.

Me senti completamente acuada. Eu não queria contar a verdade — nem para eles, nem para mim mesma. Tudo ainda parecia um pesadelo desconexo, e eu definitivamente não estava pronta para compartilhar aquilo com ninguém.

— Me desculpem de verdade, meninos. Não queria dar trabalho pra vocês...

— Mas deu — interrompeu Paul, ríspido.

— CHEGA, PAUL! — gritou Sam, levantando-se da cadeira e batendo forte na mesa, fazendo todos se calarem por um instante.

— Desculpa mesmo... — murmurei, saindo apressada da casa, tentando escapar daquela situação sufocante.

Pouco tempo depois, ouvi passos atrás de mim. Respirei fundo e olhei para trás. Era o Seth.

— Desculpa pelo que aconteceu lá dentro... o Paul é assim mesmo — disse ele, coçando a parte de trás da cabeça, visivelmente sem jeito.

— Assim como? — perguntei, ainda confusa.

— Sem noção — respondeu ele, rindo, também nervoso.

— Ah, sem problemas... ele só está como todo mundo: curioso, achando que sou maluca — falei, frustrada, olhando para o chão.

— Ei, para com isso. A última coisa que achamos de você aqui é que é maluca — garantiu ele, com um sorriso acolhedor.

Sorri de volta, sem jeito. Ele sustentou o olhar por um instante, depois falou:

— Você quer conhecer a reserva? Se quiser, posso te mostrar. Conheço cada pedacinho daqui...

— Claro —  respondi, um pouco surpresa com o convite.

— Então vamos — disse ele, estendendo a mão e me indicando o caminho.

Fomos andando lado a lado. Às vezes, o silêncio preenchia o espaço entre nossas conversas simples. Ele me contava curiosidades sobre a reserva, sobre trilhas escondidas, árvores antigas e lendas locais. Foi quando me dei conta de que não estava com meu celular — tinha deixado no carro.

— Seth, acho que preciso ir embora. Minha mãe deve estar preocupada. Fiquei um tempão sem olhar o celular... com certeza ela está surtando agora — falei, preocupada.

— Sem problema. Outro dia você volta? Tem mais coisa legal que quero te mostrar — perguntou, esperançoso.

— Claro, volto sim — respondi, meio sem jeito. — Mas agora... precisamos ir, sério.

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