Capítulo 23

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Ao chegarmos, os dois saem do carro imediatamente, menos eu, que ainda mantinha meu olhar fixo na janela.

— Vem, Alisson, a gente não morde! — diz Embry com um sorriso.

— Fala por você! — protesta Jared.

Suspiro fundo, abro a porta e sigo em direção à entrada da casa da Emily.

— O que houve? — pergunta ela ao notar a expressão confusa no meu rosto.

— O segredo do lobo foi revelado. — afirma Embry, com um tom quase dramático.

— E a ordem do Sam de não contar nada. — questionou ela, franzindo a testa.

– Com ela, essa regra não se aplica. Ela é o imprinting do Seth. Ia ficar sabendo de qualquer jeito, cedo ou tarde.

— Eu sou o quê? — perguntei, confusa.

— É coisa de lobo. — responde Embry.

— Melhor deixar o Seth te explicar, Alisson. — completou Emily.

Pouco tempo depois, Seth chegou acompanhado de Sam e Paul. Seu olhar encontrou o meu.

— Você está bem, Alisson?— perguntou Sam.

— Estou... acho que sim.

Seth se aproxima devagar.

— Vem, quero conversar com você.

Caminhamos em silêncio até a praia de La Push. O som das ondas parecia acalmar minha mente agitada.

— Tá surtando? — perguntou ele, quebrando o silêncio.

— Sim... mas acho que um pouco menos agora. Então... a lenda é verdadeira? Você é um lobisomem?

— Sim. Alguns de nós têm esse gene.

– Alguns? Quer dizer que nem todos têm?

– Não, não é pra todo mundo.

– É algum tipo de ritual?

– Na verdade, não... Você se lembra...

Meu celular começa a tocar, interrompendo.

– Desculpa, é meu pai. Preciso atender.

***

— Alisson? Onde você está com o presente da sua mãe?

— Oi pai, desculpa. Estou aqui na reserva.

— Fazendo o quê aí? Quer saber? Depois conversamos. Estou indo te buscar.

— Tá bom.

***

Desliguei o telefone, suspirei e olhei para Seth.

— Me desculpa, eu preciso ir. Hoje é aniversário de casamento dos meus pais e eu fiquei responsável pelo presente. Meu pai já está vindo me buscar.

— Tudo bem. A gente continua essa conversa depois.

Meu pai chegou, com a expressão fechada.

Entrei no carro, e o silêncio dele é mais pesado que qualquer bronca.

—  Não acredito, Alisson. Sua mãe estava preocupada! Quase perdemos a reserva no restaurante.

— Me desculpa mesmo, pai.

— Desculpo nada. Você está de castigo até segunda ordem.

— Aqui está o presente.
Pego o embrulho na mochila e coloco no porta-luvas.

ImprintingOnde histórias criam vida. Descubra agora