Capítulo 22

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O cheiro de café recém-passado tomava conta da cozinha quando me sentei à mesa, pegando uma torrada.

— Bom dia, pai.

— Bom dia.

— Cadê a mamãe?

— Está terminando de se arrumar. Daqui a pouco ela desce para te levar à escola.

Peguei outra torrada e me ajeitei na cadeira.

— Estava pensando em ir a Portland com sua mãe hoje — disse ele, casualmente.

— Portland? Pra quê?

— Hoje é nosso aniversário de casamento.

— É hoje? Ai, pai... me desculpa, esqueci completamente.

Ele riu, divertido.

— Tudo bem. Estava pensando em levá-la àquele restaurante italiano que ela gosta. O que acha?

— Acho uma ótima ideia!

— Mas preciso que me faça um favor.

— Claro. O que seria?

— Tenho consultas o dia todo e não vou conseguir sair para comprar um presente para sua mãe...

— E você quer que eu compre?

— Exatamente. Pode ser uma joia.

Suspirei, hesitante.

— Sei não, pai. Sou péssima com essas coisas.

— Mas você conhece o gosto dela. Tenho certeza de que encontrará algo bonito. Posso contar com você?

— Pode. Passo em alguma loja depois da escola.

— Perfeito. À noite pego com você.

Ele sorriu satisfeito e me entregou seu cartão de crédito.

***

Saímos atrasadas de casa. Sem dúvidas, chegaria no último minuto à escola. Mal podia esperar para fazer 16 anos e finalmente ter meu próprio carro.

No caminho, minha mãe falava animada sobre os planos para o dia.

— Seu pai quer me levar àquele restaurante italiano hoje.

— Ele me contou.

— Vai ficar bem sozinha em casa? Ou vai chamar alguém?

— Alguém, tipo... quem?

— Não sei... seus amigos. Ou o Seth?

Revirei os olhos.

— Já entendi onde essa conversa vai chegar. E não, não vou chamar ninguém. Tenho prova semana que vem. Preciso estudar. No máximo, peço uma pizza.

— Huum... — disse ela, erguendo as sobrancelhas com um leve sorriso.

— O que foi? Espera que eu organize uma festa na ausência de vocês?

— Não uma festa... Mas uma reunião com seu grupinho, umas pizzas...

— Não, mãe. Eu vou estudar. Sozinha. Fim de papo.

— Você quem decide.

Chegamos à escola quando o sinal estava prestes a tocar. Corri para não me atrasar.

***

Quando a última aula terminou, vi Zack parado no corredor, segurando uma sacolinha de presente. Ao me ver, ele caminhou até mim.

— Oi, Alisson.

— Oi. Aniversário de alguém?

Apontei para o embrulho, apreensiva por talvez ter esquecido mais uma data.

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