Depois de algum tempo conversando, Seth e eu nos deitamos. Ele adormece antes de mim — o que não me surpreende. Na verdade, dormir parece uma tarefa impossível.
Apesar de todas as suas palavras, das juras e reafirmações, o medo ainda habita em mim. Silencioso, paciente, ele se aconchega nos cantos da minha mente, esperando a menor brecha para tomar forma.
Olho para Seth, deitado ao meu lado, entregue ao sono como se o mundo lá fora não representasse ameaça alguma. A serenidade em seu rosto me desconcerta. Como ele consegue? Como é possível encontrar paz em meio a tudo isso?
Ele respira de maneira lenta e compassada, o peito subindo e descendo em um ritmo quase hipnótico. O calor de seu corpo, tão próximo, se mistura ao caos dentro de mim — um contraste cruel entre a tranquilidade dele e a tempestade que se agita sob a minha pele.
Não é apenas medo do que está por vir, do que nos aguarda quando essa calmaria se romper. É a certeza de que não há mais retorno. Desde que conheci Seth, tudo mudou. O mundo como eu o conhecia desmoronou e, em seu lugar, ergueu-se algo novo — desconhecido, perigoso, fascinante. Agora há segredos sussurrados nas sombras, ameaças invisíveis e um futuro que escapa aos meus dedos, mesmo quando tento agarrá-lo com força.
Estendo a mão e deixo os dedos deslizarem pelo braço dele, sentindo o calor de sua pele sob meu toque. Seth se mexe levemente, mas continua dormindo. Pergunto-me se ele tem noção do quanto estou ligada a ele. Se sabe o quanto a presença dele me ancora e, me assusta.
A noite está silenciosa, mas dentro de mim tudo ruge.
Fecho os olhos, tentando me forçar a descansar. Mas como repousar quando o que mais temo é perder exatamente isso? Este instante, essa paz ilusória. Esse calor.
Seth se mexe mais uma vez quando me aninho contra ele. Sua mão, antes abandonada ao lado do corpo, desliza até minha cintura, puxando-me de forma instintiva. Meu coração aperta. Mesmo dormindo, ele me quer por perto.
— Você está acordada... — a voz dele surge rouca, sonolenta.
Congelo por um segundo. Não queria perturbá-lo. Mas o som de sua voz dissipa, ainda que por um instante, o nevoeiro espesso dos meus pensamentos.
— Não consegui dormir — murmuro, minha voz quase um sussurro.
Ele abre os olhos devagar, ainda envoltos pelo peso do sono. Desliza os dedos pelo meu rosto, afastando um fio de cabelo.
— No que está pensando?
Desvio o olhar. Como responder? Como traduzir o que nem eu mesma compreendo? Como retornar a um assunto que já discutimos tantas vezes — sem jamais encontrar alívio?
Então, eu minto.
— Coisas aleatórias — sussurro, forçando um sorriso que não alcança meus olhos.
Seth estreita os olhos, desconfiado. Mesmo com sono, ele vê através de mim. Seus dedos continuam acariciando meu rosto com delicadeza quase reverente.
— Você nunca pensa em coisas aleatórias — responde, com a mesma calma de sempre.
Engulo em seco.
— Eu não quero te preocupar.
Ele suspira, se virando um pouco mais em minha direção. Seu olhar me envolve, firme e carinhoso.
— Se isso está te consumindo, então já me preocupa, Alisson.
Viro o rosto, tentando fugir de seus olhos. O que eu poderia dizer? Que tenho medo de perder tudo isso? Que me sinto à beira de um abismo? Que mesmo depois de tudo o que vivemos, algo em mim insiste em temer o amanhã?
Ele permanece em silêncio por alguns instantes, apenas me observa. Então, entrelaça seus dedos nos meus, com gentileza.
— Você não precisa carregar isso sozinha.
Fecho os olhos, sentindo o calor da sua pele contra a minha. A segurança que ele me oferece. E, ainda assim, hesito.
— Eu sei.
Mas não toco no assunto. Pelo menos, não de verdade.
— Pensei no Zack... no Lúcio — murmuro, desviando novamente o olhar.
Seth não responde de imediato. Ele apenas observa, talvez percebendo que não é toda a verdade, mas, com seu jeito silencioso, opta por não insistir. Apenas aperta minha mão, passando o polegar devagar sobre a minha pele.
Ele me puxa para mais perto, envolvendo-me com seu calor. Apoio a cabeça em seu peito, escutando as batidas firmes do seu coração — e querendo, desesperadamente, que isso seja o bastante para silenciar a tempestade.
Ele pressiona um beijo no topo da minha cabeça. Um gesto simples, mas carregado de significado. Fecho os olhos, tentando absorver cada fragmento desse instante. O cheiro da sua pele. A segurança dos seus braços. A melodia ritmada da sua respiração.
Queria que fosse suficiente.
Queria que bastasse.
Mas o medo se esconde, silencioso, esperando uma nova forma de me alcançar.
Aperto os dedos em torno dos dele, como se isso bastasse para afastar o vazio.
— Que tal dormir um pouco? — ele sussurra.
Assinto, sem muita convicção.
— Eu estou aqui — ele diz, com a voz baixa, perto dos meus cabelos. — Sempre vou estar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Imprinting
FanfictionSinopse: Alisson Carter, uma menina que é acomodada com sua vida em Forks, que sofre pela falta de amigos e pela ausência dos pais que só pensam em trabalho. Sua vida muda drasticamente quando ela resolver fazer um trabalho da escola na floresta da...
