Capítulo 28

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Ao chegarmos em casa, percebi que meus pais ainda não tinham chegado, mas, pelo horário, isso aconteceria em cerca de trinta minutos.

— Seth, vou tomar um banho e me arrumar pra sairmos. Quando meus pais chegarem, pode ficar à vontade na sala. Volto rapidinho.

— Tudo bem, te espero aqui no sofá. Mas, Alisson...

Seth se acomodou no sofá, parecendo relaxado.

— Oi?

— Quando descer, traz uma mochila com você?

Franzi o cenho, confusa.

— Uma mochila? Pra quê?

— Você vai descobrir.

— Ok...

Fiz uma cara intrigada, mas não insisti.

Subi, tomei um banho rápido, arrumei o cabelo e, enquanto me vestia, ouvi meus pais chegando. Calcei o tênis, peguei a mochila e desci.

— Oi, querida. O Seth já estava aqui — disse minha mãe, sorrindo.

— Eu sei, mãe. Deixei ele na sala enquanto me arrumava.

Meu pai lançou um olhar avaliador para Seth, cruzando os braços.

— E como você está, meu jovem?

— Estou bem, senhor.

Seth parecia visivelmente nervoso perto do meu pai. Engraçado pensar que um garoto que se transforma em um lobo enorme e feroz tremia diante de um dentista.

— Para onde pretendem ir hoje? — perguntou minha mãe.

— É surpresa — respondeu Seth com um sorriso misterioso.

— Entendi. Divirtam-se, então.

— Obrigado, senhora Carter.

— Mas nada de exageros. Quero você em casa até meia-noite. E, Seth...

— Sim, senhor Carter?

— Nada de álcool, nada de drogas... e nada de mãos.

Meu rosto ficou quente na hora.

— Pai!

— O que foi? Preciso impor limites, querida.

— Meu Deus! Tchau!

Puxei Seth pela mão, apressada para sair dali antes que meu pai resolvesse adicionar mais algum outro comentário absurdo.

— Tchau, senhor e senhora Carter — ele se despediu, rindo baixinho.

Do lado de fora, eu ainda sentia minhas bochechas queimando de vergonha.

— Me desculpa pelo meu pai, eu...

— Ei, ei... fica tranquila.

Seth segurou minhas mãos com delicadeza e me deu um beijo suave na testa.

— Vem.

Ele me puxou em direção às árvores do outro lado da rua.

— Pra onde estamos indo?

— Quero te apresentar algumas pessoas.

— No meio da floresta? Quem? Os guaxinins?

Seth riu.

— Hoje, não.

— Então por que viemos pra cá?

— Nós dois ainda não podemos dirigir, então pensei que poderíamos nos locomover de outra maneira. Me dá só um segundo. Fica aqui, ok?

ImprintingOnde histórias criam vida. Descubra agora