Capítulo 52

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Os dias de castigo se arrastavam como se o tempo em Forks tivesse decidido parar. Sem celular e sem a janela aberta, meu quarto havia se tornado um mausoléu de pensamentos repetitivos. Meus pais tentavam ser gentis; traziam bandejas de lanche e falavam baixo, mas o clima na casa era de vidro quebrado, um movimento em falso e todos sairiam feridos. Eu me sentia culpada por ter gritado com eles, mas a mágoa que eu sentia pelo silêncio de Seth era uma muralha que me impedia de pedir desculpas.

​Os dias de castigo transformaram minha rotina em um ciclo mecânico: casa, escola, casa. E sem o celular, eu me sentia desconectada do mundo, e o silêncio de Seth tornava cada segundo mais pesado.

Na tarde de quarta-feira, ao sair pelo portão principal, o som de um motor potente cortou o burburinho dos estudantes. Encostado em uma moto preta, com os braços cruzados e uma expressão que misturava impaciência e preocupação, estava Jacob Black.

Vários alunos pararam para olhar. Jacob tinha aquela presença que ocupava espaço demais para um humano comum. Aproximei-me, sentindo o calor que emanava dele mesmo a um metro de distância.

​— Jacob? O que está fazendo aqui? Meus pais...

​— Eu sei, eu sei. Estão na sua cola — ele me interrompeu, com um meio sorriso sem humor.

— Mas o Seth está um caco, Alisson. Ele não come, não dorme, estamos todo prestes a ter um colapso porque os pensamentos dele são como um rádio tocando música triste 24 horas por dia na nossa cabeça.

​Eu estanquei o passo, franzindo a testa. O que ele tinha dito não fazia o menor sentido.

​— Pensamentos? — repeti, confusa. — Como assim "na cabeça de vocês"? A Leah me disse algo parecido na estrada, sobre ouvir o que ele sente... mas eu achei que era força de expressão.

​Jacob soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo cabelo curto. Ele parecia ter esquecido que eu ainda não sabia de todos os "detalhes técnicos" da matilha.

​— Não é força de expressão, Alisson. Quando estamos na forma de lobo, a gente compartilha tudo. Não existem segredos. Cada imagem, cada memória, cada sentimento... é tudo uma mente só. O que o Seth sente agora, nós sentimos também. É como se a dor dele fosse um ruído de fundo que a gente não consegue desligar.

Senti um frio na espinha. A ideia de ter toda a sua privacidade devorada por outras pessoas era assustadora, mas o que me atingiu de verdade foi a escala do sofrimento do Seth.

​— Então todos vocês sabem? — perguntei, a voz falhando. — Todos vocês sabem sobre o meu pesadelo? Sobre o jeito que eu gritei?

​— Sabemos — Jacob disse, a voz mais suave agora. — Mas o problema não é o seu grito, Alisson. O problema é que o Seth está usando essa conexão para se punir. Ele projeta a imagem de você com medo dele repetidamente, como se quisesse garantir que nenhum de nós esqueça que ele é um "perigo" para você. Ele está se martirizando na frente de todos.

Ele se inclinou um pouco mais perto, o calor que emanava dele era quase sufocante.

​— Ele se afastou porque pensa que você teme que ele seja um monstro. Mas ele só está te deixando vulnerável para o tipo errado de perigo. Não deixe ele se esconder atrás dessa culpa, Alisson. Se você ainda o ama, vai ter que ser mais teimosa que dele.

​— Eu... eu tentei Jacob — respondi, sentindo a mágoa lutar com a saudade. — Ele me deixou sozinha naquela estrada.

​Jacob suspirou e chutou o cascalho.

— Ele é um idiota. Ele acha que está te protegendo de si mesmo, mas só está te deixando vulnerável. Eu passei por isso com a Bella. O Sam passou com a Emily. Mas o Seth não tem o direito de decidir por você o que você aguenta ou não.

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