Capítulo 40

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Seth soltou um suspiro tranquilo, ajustando o corpo para se aconchegar ainda mais em mim. Seu braço envolvia minha cintura com uma naturalidade que me fazia esquecer o mundo lá fora. Encostei-me a ele, sentindo a paz silenciosa que só sua presença sabia trazer.

Ele ergueu os olhos para o teto, onde pequenas estrelas brilhavam suavemente. Um sorriso sereno surgiu em seus lábios.

— Então... você dorme sob um céu de mentira?

Dei de ombros, sorrindo de leve.

— Eu prefiro chamá-lo de céu particular.

Virei o rosto até encontrar seus olhos.

— Quando era criança, achava que, se apagasse a luz e ficasse bem quietinha, poderia viajar pelo espaço.

Seus dedos tocaram meus cabelos com a leveza de uma brisa, num gesto tão natural que parecia parte dele.

— E funcionava?

Suspirei, envolta numa nostalgia doce.

— Às vezes. Acho que minha imaginação era mais poderosa naquela época.

Ele permaneceu em silêncio, os dedos ainda desenhando caminhos invisíveis entre meus fios. Seu toque era suave, um refúgio silencioso.

— Sua imaginação ainda é forte — disse ele, a voz baixa, mas firme, o olhar cheio de certeza. — Você só precisa lembrar como usá-la.

Soltei um riso contido.

— Você acha mesmo?

Seth assentiu, os olhos brilhando com ternura.

— Claro. Você cresceu e descobriu que os contos de terror são reais. Lobisomens, vampiros... se isso não é coisa de imaginação, então o que é?

Suspirei, voltando o olhar para o teto.

— Às vezes, parece que tudo virou de cabeça pra baixo num piscar de olhos. Um dia eu era só... eu. No outro, um vampiro queria me matar, e um lobo gigante se tornou meu namorado.

Seth ficou sério, a expressão suavemente contraída.

— Eu não queria que fosse assim pra você.

— Eu sei — respondi, hesitando antes da pergunta que me queimava no peito. — Mas... se tivesse escolha, ainda teria se ligado a mim daquele jeito?

Ele não vacilou. Seu olhar encontrou o meu com firmeza, como se a resposta já estivesse escrita dentro dele.

— Eu não escolheria nada diferente.

Sorri, um gesto pequeno, enquanto brincava com seus dedos. Ele observava o movimento, como se minha mão entrelaçada à dele fosse algo precioso. Havia uma força ali — firme, quente — e, ao mesmo tempo, uma delicadeza contida.

— Eu sei que tudo aconteceu rápido demais — ele disse, a voz mais baixa, quase como uma confissão. — Mas, se serve de consolo... eu também não tive tempo de entender. Um dia, eu era só um garoto comum. E no outro...

Ele riu sem humor, balançando a cabeça.

— No outro, eu era um lobo gigante.

Suspirei, mordendo levemente o lábio.

— Deve ser uma transição difícil para todos vocês, né?

— Para alguns mais do que para outros.

— E pra você? Como foi?

— No começo, eu não entendia o que estava acontecendo. Mas, no fundo, sempre soube que era algo que eu precisava aceitar. Não foi tão difícil quanto imaginei. Era como... algo inevitável. Parte de mim.

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