Depois daquela noite, Rio sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas. O beijo de Agatha ainda queimava em seus lábios, e, por mais que tentasse, não conseguia afastar o desejo latente que havia surgido nela. O que deveria ser apenas ódio agora era um turbilhão de emoções conflitantes. Ela não conseguia mais confiar em seus próprios sentimentos.
Rio passou o dia evitando Agatha, caminhando pelos longos corredores da mansão, perdida em pensamentos. Como poderia ceder tão facilmente? Como poderia deixar que aquela mulher... aquele monstro... se infiltrasse em seu coração?
- Está pensando em mim, não está?
A voz de Agatha, suave e traiçoeira, quebrou o silêncio. Rio parou de andar imediatamente, sentindo o coração disparar. Ela não a tinha ouvido chegar.
- Saia da minha cabeça, Agatha - Rio respondeu, a voz mais fraca do que gostaria. - Você já me tem prisioneira aqui, o que mais quer?
- Não preciso entrar na sua cabeça para saber o que você está pensando. - Agatha deu alguns passos à frente, parando ao lado de Rio. - Está escrito em cada gesto seu, cada suspiro. Acha que consegue me evitar? Que consegue fugir do que já está dentro de você?
Rio engoliu em seco, tentando controlar o turbilhão de emoções que tomava conta de si. Ela precisava se manter firme. Não podia ceder novamente.
- Eu vou sair daqui, Agatha. Nem que seja a última coisa que eu faça - Rio falou, forçando a voz a soar firme. - E quando eu for, vou garantir que você nunca mais machuque ninguém.
Agatha sorriu, um sorriso que misturava diversão e fascínio.
- Eu não a estou impedindo de ir, Rio. Se quiser, pode tentar. Mas sabemos que você não irá. Ainda não.
- E por que acha isso? - Rio cruzou os braços, encarando Agatha com desafio.
- Porque você está curiosa. - Agatha deu mais um passo, seus olhos penetrantes prendendo os de Rio. - Você sente a tensão entre nós, o desejo que cresce a cada dia. E, por mais que lute contra isso, sabe que está começando a ceder.
Rio não respondeu. Ela odiava o fato de Agatha estar certa. Odiava como o desejo misturado à raiva fazia sua cabeça girar. Mas ainda assim, ela não podia se deixar controlar.
- Não vou ceder - sussurrou, mais para si mesma do que para Agatha.
- Você já está cedendo, querida. - Agatha se aproximou ainda mais, sua presença dominadora. - E quando você finalmente parar de lutar, vai perceber que isso não é uma fraqueza.
Rio queria gritar, queria se afastar, mas seus pés não obedeciam. Havia algo no olhar de Agatha que a deixava presa, como se estivesse sob algum feitiço. As palavras da vampira penetravam fundo em sua mente, como um veneno doce e perigoso, que a seduzia mesmo quando deveria repelir.
- Por que não me mata logo? - Rio perguntou de repente, sem conseguir esconder a frustração em sua voz. - Esse não era o seu plano?
Agatha inclinou a cabeça, como se estivesse considerando a pergunta.
- Era, de fato. - Ela deu de ombros. - Mas você é diferente, Rio. Não sou do tipo que desperdiça algo... único.
Rio sentiu o peito apertar. Por mais que soubesse que estava lidando com um ser cruel e manipulador, não podia evitar a sensação de que havia mais em Agatha do que ela mostrava. Algo escondido nas sombras, algo que ainda não entendia completamente.
- E o que você quer de mim, então? - A pergunta saiu quase sem pensar, mas agora Rio precisava da resposta.
Agatha sorriu novamente, mas dessa vez havia uma ponta de sinceridade em seus olhos.
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Evil - Agathario
RandomPara quitar as dívidas de sua família, Rio Vidal é entregue à vampira Agatha Harkness. Determinada a não aceitar esse destino, ela tenta fugir, mas logo descobre que escapar de Agatha não será tão simples quanto imaginava.
