Capítulo 22 - Tiro

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Na manhã seguinte, Wanda se viu parada em frente ao prédio de Rio e Natasha, tentando reunir coragem para subir até o apartamento. Era estranho como tantos anos de vida, de lutas, de batalhas, não a prepararam para a angústia que sentia agora. Mas sabia que essa conversa era necessária, mesmo que trouxesse à tona tudo que sua mãe tentava evitar. Respirando fundo, Wanda entrou no edifício e subiu até o andar certo, onde aguardou até ver Rio saindo. Assim que a jovem desapareceu pelo corredor, Wanda se aproximou da porta e bateu, seu coração acelerado de um jeito que não experimentava há muito tempo.

Por um momento, o silêncio do corredor era quase ensurdecedor, e Wanda se perguntou se Natasha realmente abriria. Ela quase desistiu, quando a porta finalmente se abriu.

Natasha Romanoff apareceu à sua frente, falando ao celular, o tom de sua voz baixo e firme, mas Wanda mal conseguia se concentrar nas palavras. O tempo parecia ter sido generoso com Natasha, que agora, aos 37 anos, parecia ainda mais deslumbrante do que Wanda se lembrava. Seu rosto carregava uma beleza madura e poderosa, traços delicados, porém intensos, e os olhos verdes profundos exalavam uma mistura de determinação e mistério. Seus cabelos ruivos caíam em ondas que terminavam em pontas loiras, um detalhe que a tornava ainda mais inesquecível. Natasha vestia uma blusa simples, mas que destacava seu físico impecável, seu porte elegante e ao mesmo tempo imponente.

Wanda permaneceu em silêncio, hipnotizada pela imagem à sua frente, enquanto Natasha terminava a ligação com um breve aceno de cabeça e uma despedida murmurada. Quando guardou o celular, seus olhos se encontraram com os de Wanda, e ela permaneceu imóvel, a expressão surpresa e, por um breve segundo, vulnerável.

As duas se encararam por alguns segundos, a tensão palpável entre elas, enquanto Natasha parecia travada, sem saber como reagir.

— Wanda... — murmurou Natasha, em um tom quase inaudível.  A humana reparou nos cabelos totalmente ruivos de wanda.

A voz de Natasha era como Wanda se lembrava: suave, mas com uma força contida que parecia capaz de cortar o silêncio. O nome dela nos lábios de Natasha trouxe uma mistura de emoções à tona. Wanda respirou fundo, tentando reunir a coragem para explicar o motivo de sua visita, mas as palavras pareciam se perder diante do olhar fixo de Natasha.

— Eu... eu precisava te ver.... na verdade precisamos conversar - disse Wanda finalmente, sua voz mais baixa do que gostaria, o nervosismo evidente. — Eu preciso te contar algo.

Natasha ainda a encarava, como se tentasse processar a presença da vampira diante de si. Era claro que havia uma história profunda e não resolvida entre as duas, algo que Natasha carregava em seu olhar atento e desconfiado.

— Me ver ? Conversar? Depois de tantos anos? — Natasha questionou, e o tom dela, levemente irônico, carregava uma tristeza sutil que Wanda sentiu como um golpe.

A vampira abaixou a cabeça, ciente de que essa conversa não seria fácil, mas levantou os olhos, encarando Natasha com sinceridade.

—Sei que parece absurdo, depois de todo esse tempo. Mas... tem coisas que precisam ser ditas. Coisas que minha mãe, que eu...

— Ah claro. Agatha Harkness  te tiriou do meu caminho e agora ela te coloca novamente ? Como uma ventríloqua com sua filha marionete.

— Pelo que vejo esse seu lado não mudou.

— Não  Wanda. Meu temperamento não mudou.— Ela bufou.

— Você e a Rio estão correndo perigo.

— E você resolveu vir em seu cavalo branco nos salvar ? — Natasha deu risada.— Estamos sozinhas nessa a dez anos, ela cuida de mim e eu dela e isso é o suficiente.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora