A porta foi aberta de uma única vez acordando Rio de maneira brusca.
— Saia do quarto — ordenou um homem corpulento e de rosto impassível.
Rio hesitou por um momento, os dedos apertando a barra da jaqueta de couro que vestia. Sentiu o peso da decisão em seus ombros, mas sabia que não tinha escolha. Sua família estava endividada até o pescoço, e a única maneira de saldar as dívidas era entregá-la àquela mulher, a tal vampira que comandava a cidade nas sombras.
Com um suspiro resignado, Rio se levantou os pés tocando o chão frio com leveza. O ar ao redor parecia mais frio, como se a presença de Agatha já estivesse impregnada em cada centímetro daquele lugar.
— Ela está esperando por você — disse o homem, sem qualquer emoção.
Rio olhou para ele uma última vez antes de começar a caminhar em direção à mansão. Cada passo que dava parecia pesar mais que o anterior, e a jovem sentia-se como se estivesse se aproximando de seu fim. Mas, no fundo, havia uma centelha de raiva. Ninguém a usaria assim sem que ela lutasse.
O interior da mansão era tão opulento quanto sombrio. Lustres de cristal pendiam do teto alto, iluminando levemente os móveis antigos e as paredes de pedra. O silêncio era quase ensurdecedor.
Ela foi conduzida por um corredor amplo até uma grande porta dupla. O homem bateu de leve e, sem esperar resposta, abriu as portas. Ali estava ela: Agatha Harkness.
Sentada em uma cadeira de couro escuro, Agatha parecia uma escultura saída de um sonho gótico. Seus longos cabelos negros caíam em cascata sobre os ombros, e os olhos brilhavam com uma intensidade predadora. Rio sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Então, você é meu pagamento ? — a voz de Agatha soou, baixa e arrastada, como se estivesse saboreando cada palavra.
Rio ergueu o queixo, recusando-se a mostrar medo. Não seria uma vítima fácil.
— Meu nome é Rio Vidal — disse ela, sem quebrar o contato visual. — Não sou um pagamento.
Um sorriso lento se formou nos lábios de Agatha, um sorriso que não chegou aos olhos.
— Isso não está exatamente em suas mãos, está? — Agatha se levantou, seus movimentos suaves e graciosos, como um predador prestes a atacar. — Sua família me deve uma fortuna, e você foi entregue para saldar a dívida.
— Eu não pedi isso — Rio rebateu, dando um passo para trás, sentindo o coração acelerar. — Se eles têm dívidas, é problema deles. Eu não sou parte desse acordo.
Agatha riu suavemente, aproximando-se com passos calculados. Ela parou bem na frente dela.
Rio, que sentiu a respiração presa ao ver de perto a figura intimidadora que Agatha era. A vampira inclinou a cabeça levemente, como se estudasse cada traço, cada reação da jovem à sua presença. Rio não desviou o olhar, o que parecia divertir Agatha ainda mais.
— Tão petulante para alguém que veio parar aqui como moeda de troca — disse Agatha, o tom de voz como um sussurro venenoso, carregado de sarcasmo. — Você não faz ideia de onde se meteu, não é?
Rio ergueu a sobrancelha, uma expressão de desafio que só serviu para aumentar o sorriso predatório de Agatha. Sabia que estava em desvantagem, mas não iria ceder tão facilmente. Mesmo que aquela fosse a criatura mais poderosa da cidade, não a veria abaixar a cabeça.
— Eu sei exatamente onde estou — respondeu Rio, em um tom firme, embora a voz carregasse uma ligeira tensão. — E não preciso que me explique as consequências de uma dívida. A questão é que não fui eu quem pediu nada a você, então acho que a minha presença aqui está um pouco... equivocada.
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Evil - Agathario
De TodoPara quitar as dívidas de sua família, Rio Vidal é entregue à vampira Agatha Harkness. Determinada a não aceitar esse destino, ela tenta fugir, mas logo descobre que escapar de Agatha não será tão simples quanto imaginava.
