Capítulo 41 - Não me negue

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Dois Meses Depois

Rio estava na delegacia, batendo os dedos na mesa de sua sala enquanto lia um relatório. Ou melhor, tentava. A irritação fervia em seu peito, cada pensamento desviado por uma única pessoa: Agatha. Desde que havia completado a transformação, sua nova natureza a tornara mais sensível a tudo. Sons, cheiros, emoções... e, especialmente, desejos. E como se já não fosse suficiente ela ter que lidar com a quantidade de humanos perto dela.

Dois meses. Dois malditos meses desde a transformação e, apesar da conexão intensa entre elas, Agatha parecia estar evitando qualquer tipo de intimidade física. No início, Rio tentou entender. A adaptação ao novo corpo, à nova rotina, ao vínculo delas... mas agora? Não havia justificativa que a convencesse. E as desculpas de Agatha? Eram sempre vagas e ridículas. 

"Estou ocupada estudando um feitiço." 
"Você ainda está se adaptando." 
"Não quero que sua energia se descontrole." 

Energia se descontrolar? Era a falta de Agatha quem a deixava à beira da loucura. 

— Vai quebrar a mesa, Vidal. — A voz de Natasha interrompeu seus pensamentos. A mulher apareceu na porta com uma expressão séria, mas um sorriso leve nos lábios. 

— Eu deveria quebrar a cara da sua sogra, isso sim. — Rio bufou, cruzando os braços e olhando para Natasha. — Dois meses, Natasha. Dois meses inteiros, e nada.  Nadaaaaa. Conheço  mais meu dedos do que os da Agatha.

Natasha riu, encostando-se no batente da porta. Desde que se mudara para a casa das Harkness, ela acompanhava de perto o que acontecia por lá, e era evidente para ela que Agatha estava evitando Rio de propósito. 

— Você já tentou... conversar com ela? — Natasha perguntou, arqueando uma sobrancelha. 

— Conversar? Já perdi a conta de quantas vezes! Ela sempre tem uma desculpa idiota ou muda de assunto. 

Natasha suspirou e se afastou da porta. 

— Quer um conselho? Vá para casa. Encare ela de frente. Sem chance de fuga. 

— Isso não vai funcionar. — Rio rebateu, frustrada. — Eu já tentei de tudo. Já quase esfreguei a buceta na cara dela.

Natasha parou e olhou para ela com seriedade. 

— Então, talvez seja hora de ser direta. Pergunte a ela o que está acontecendo. Se ela te ama, vai responder. 

Rio ficou em silêncio por um momento, considerando as palavras de Natasha. Finalmente, ela assentiu, pegou seu casaco e saiu da sala. 

...

Na casa das Harkness, Agatha estava no andar de cima, cercada por livros e velas. Ela estava concentrada em um feitiço quando ouviu a porta da frente se abrir com força. O perfume incomparável invadiu a casa.  O som dos passos rápidos de Rio ecoou pela casa. 

— Agatha! — Rio chamou, subindo as escadas sem hesitar. 

Agatha fechou o livro rapidamente e olhou para a porta do quarto, onde Rio apareceu com uma expressão furiosa. 

— O que aconteceu amor? — Agatha perguntou, tentando manter a calma, mas sentindo o nervosismo crescer. 

— Dois meses, Agatha. Dois meses sem você me tocar. — Rio cruzou os braços, encarando-a. — O que está acontecendo? 

Agatha desviou o olhar, caminhando até a mesa onde estavam os livros. 

— Não é nada... 

— Não vem com isso de "não é nada"! — Rio interrompeu, avançando até ela. — Eu sei que você está me evitando. Quero saber por quê. Sou imortal, vou passar a eternidade do seu lado e agora você não quer mais me comer ? — Rio estava bem alterada. Passou a mão na barriga estressada.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora