A madrugada estava silenciosa, exceto pelo som suave da respiração entrecortada de Rio. Agatha acordou de um sono pesado e logo percebeu algo estranho: o leve som de soluços. Olhou para o lado e viu Rio encolhida, com os olhos fechados, a testa franzida e as lágrimas escorrendo pela sua face. A vampira se sentou na cama, sua expressão preocupada. Agatha, apesar de sua natureza fria e distante, não podia ignorar o sofrimento de Rio.
— Rio... — chamou, sua voz suave e calma, mas cheia de uma preocupação que ela não costumava demonstrar.
Rio, ao ouvir a voz de Agatha, tentou rapidamente limpar as lágrimas e se afastou, dizendo com um sorriso forçado:
— Não é nada, Agatha. Apenas um pesadelo.
Mas Agatha não acreditou. Ela conhecia aquele tipo de resposta. Era a mesma coisa que ela costumava dizer quando algo a incomodava, quando tentava esconder a dor. Agatha sabia que havia mais, e agora, algo dentro dela a fazia ir mais fundo.
Sem pensar muito, ela quebrou a promessa que fizera para Rio — a promessa de não invadir sua mente. Fechou os olhos e, com um simples gesto, entrou na cabeça de Rio. A sensação foi como um arrepio que percorreu seu corpo, e, ao abrir os olhos novamente, ela viu o que estava por trás daquela dor silenciosa.
Agatha viu flashes. Lembranças de Rio, momentos em que ela pensava em ter filhos, mas mais do que isso, ela percebeu que o desejo de ser mãe não estava apenas relacionado a um sonho de infância ou algo que ela sempre quis. O desejo de Rio de ter filhos estava ligado a algo mais profundo, algo que se conectava diretamente a Agatha. Quando Rio se apaixonou por ela, aquele desejo começou a crescer, a se formar como um reflexo do amor que ela sentia por Agatha. Era como se o amor que ela nutria pela vampira tivesse se transformado em uma necessidade de construir algo com ela, algo que fosse delas.
Agatha se afastou lentamente da mente de Rio, agora entendendo que aquele sofrimento não vinha só do fato de não poder ter filhos, mas da impossibilidade que ela sentia de ter um futuro com Agatha de uma forma completa.
O silêncio entre elas foi interrompido quando Rio, sentindo a presença de Agatha de volta, se virou para ela, ainda com os olhos lacrimejando, mas agora com uma expressão de confusão.
— Por que você fez isso? — Rio perguntou, sua voz baixa e ainda cheia de dor.
Agatha não respondeu imediatamente. Em vez disso, ela se aproximou da humana, delicadamente. O toque de suas mãos era suave, quase como se ela temesse quebrar algo dentro de Rio.
— Eu sei o que você sente, Rio — disse Agatha, a voz suave, mas com uma intensidade que mostrava a sinceridade. — Eu entendo o que você quer. E eu... eu também quero você. De uma forma que talvez você nem imagine.
Rio olhou para ela, tentando entender, mas a dor ainda estava ali, refletida em seus olhos. Agatha, percebendo isso, deitou ao lado de Rio, sem pressa, como se estivesse esperando que a mulher a entendesse sem palavras.
Sem mais palavras, as duas se aproximaram novamente, os corpos se alinhando com uma suavidade que parecia contrastar com a paixão contida que havia entre elas. Agatha beijou o rosto de Rio, onde as lágrimas ainda estavam. Cada beijo parecia prometer algo mais, algo além do sexo. Era um consolo, uma reconciliação silenciosa entre os dois corações que estavam tão afastados, mas ao mesmo tempo, se reconheciam em um nível profundo.
O toque de Agatha continuava suave, suas mãos acariciando Rio com cuidado, até que, em um movimento gentil, ela foi lentamente se posicionando entre as pernas da mulher. A sensualidade no ar era agora entrelaçada com a ternura. Rio sentia cada movimento, cada gesto, como se fosse uma mensagem não dita.
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Evil - Agathario
RandomPara quitar as dívidas de sua família, Rio Vidal é entregue à vampira Agatha Harkness. Determinada a não aceitar esse destino, ela tenta fugir, mas logo descobre que escapar de Agatha não será tão simples quanto imaginava.
