Capitulo 8 - Wantasha

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Naquela noite, Wanda sentia-se ansiosa, algo que não costumava acontecer com frequência. Decidiu procurar por Natasha, mas, ao avistá-la, percebeu que a ruiva estava distraída e com o semblante carregado. Natasha parecia exausta, e, sem dar a mínima atenção para Wanda, simplesmente passou por ela e seguiu seu caminho, como se a presença da vampira não significasse nada.

Wanda ficou parada, observando a outra se afastar, intrigada. Não entendia o que havia de errado; Natasha costumava reagir de outra forma, mesmo que fosse com o ódio usual. Porém, aquela frieza indiferente a incomodava. Algo estava errado. E foi quando, depois de algum tempo, sua audição aguçada captou um som distante. Natasha estava conversando com alguém, mas sua voz soava perturbada. Um tom de alerta acendeu em Wanda.

A vampira seguiu os sons até um ponto mais profundo da floresta. Silenciosa, subiu em uma árvore, tentando localizar Natasha. Do alto, sua visão captou a silhueta da ruiva e um homem que se aproximava rapidamente dela. Antes que Natasha pudesse reagir, ele a agarrou, encostando-a contra uma árvore. Wanda apertou os punhos ao ver a cena. Natasha tentou se soltar, acertando um soco no homem, mas ele era insistente. Sua mão agarrou Natasha pelos ombros, puxando-a novamente.

Foi então que Wanda percebeu o verdadeiro perigo. O homem golpeou Natasha com força, deixando-a atordoada, e começou a rasgar sua roupa com violência. Uma raiva brutal cresceu dentro dela, uma fúria que Wanda não sabia que possuía. Sem pensar duas vezes, ela saltou da árvore, aterrissando perto deles com um olhar gélido e implacável.

— Largue ela. — A voz de Wanda soou firme e letal.

O homem se virou, surpreso, mas ainda com um ar desafiador.

— E o que você vai fazer, garota? — ele respondeu, com um tom arrogante.

— Vou acabar com você. — Wanda avançou sem hesitação, seus olhos queimando com uma intensidade assustadora.

O homem tentou atacá-la, mas Wanda desviou com facilidade, respondendo com um golpe que o fez cambalear para trás. Em seguida, desferiu outro soco, atingindo-o com precisão e força. Ele tentou contra-atacar, mas Wanda o dominava. A cada golpe, sua raiva aumentava, como se tudo o que aquele homem representava fosse motivo para sua ira.

— O que você queria com ela? — Wanda perguntou, segurando-o pelo colarinho, sua voz fria e cortante.

O homem soltou uma risada insolente, cuspindo sangue.

— Eu queria... — Ele hesitou, mas logo confessou, um sorriso nojento estampando seu rosto. — Eu queria trepar com ela, o que você tem haver com isso.

Foi a última coisa que disse antes de Wanda agir. Sem piedade alguma, ela o lançou ao chão, os olhos brilhando com um ódio intenso, a respiração pesada enquanto olhava para o corpo imóvel.

Afastando-se do homem, Wanda voltou sua atenção para Natasha, machucada e fraca, tentava se levantar, mas seu corpo estava exausto demais. Ainda que relutante, Natasha aceitou a ajuda de Wanda, mesmo lançando-lhe um olhar de ressentimento e desconfiança. Sabia quem era a vampira e a culpa que carregava, mas naquele momento, estava incapaz de lutar sozinha.

Segundos antes de desmaiar, Natasha sentiu os braços firmes de Wanda a segurando. Não conseguiu resistir, sua visão escurecendo enquanto se deixava levar.

Wanda a carregou até sua cabana, o coração ainda acelerado após a briga. Ao entrar, notou que o local não tinha muitos recursos para cuidar dos ferimentos da ruiva. Procurou por algo que pudesse usar, mas não encontrou nada além do básico. Decidiu esquentar um pouco de água e, com um pano, começou a limpar o rosto e os cortes de Natasha.

Com delicadeza incomum, Wanda cuidou dela. Limpou os machucados, trocou suas roupas e tentou deixá-la o mais confortável possível. Sentou-se ao lado dela, observando-a por alguns instantes, o rosto sério. Mesmo depois de tudo, Natasha continuava imersa em seu próprio ódio.

Quando Natasha finalmente começou a se mover, Wanda permaneceu ali, esperando que ela abrisse os olhos.

Wanda observava Natasha com um misto de sentimentos que a surpreendia. A noite fria parecia insignificante comparada ao calor inesperado que brotava em seu peito. Odiava admitir, mas algo havia mudado. Antes, Natasha era só um desafio, uma diversão amarga para aliviar o tédio e provocar uma reação. Mas, ao ver a ruiva vulnerável daquela forma, machucada e frágil, algo dentro dela havia cedido.

Ela não queria mais só perturbar a humana. A preocupação que sentiu ao vê-la ser atacada era real. A fúria que queimava em sua pele enquanto enfrentava o agressor tinha uma origem que ia além da simples rivalidade. Natasha era mais do que um alvo para o seu desdém – era uma chama indomável que, de alguma forma, Wanda queria proteger.

Sentada ao lado da cama improvisada, Wanda observava a respiração lenta de Natasha enquanto a ruiva ainda se recuperava da queda repentina de energia. Passou o pano delicadamente sobre um corte no rosto dela, limpando os resquícios de sangue que haviam secado.

Natasha gemeu de leve, os olhos piscando enquanto voltava lentamente à consciência. Wanda se manteve imóvel, o olhar fixo na ruiva, enquanto seus pensamentos a confundiam. Não queria que Natasha visse aquele lado dela – o lado que não combinava com a imagem fria e calculista que sempre mantivera.

Natasha abriu os olhos, piscando algumas vezes até focar em Wanda. No início, o olhar dela era de pura desconfiança, como se quisesse entender por que a vampira estava ali, cuidando de seus ferimentos.

— O que... o que está fazendo? — A voz de Natasha soou rouca, entrecortada pela dor.

Wanda hesitou, os olhos fixos nela, sem saber exatamente como responder. Uma parte dela queria se afastar, sair da cabana e deixar que Natasha cuidasse de si mesma. Mas agora, mais do que nunca, sabia que não podia fazer isso.

— Estou cuidando de você — respondeu, a voz mais suave do que pretendia. — Não vou deixar você sozinha assim, não depois do que aconteceu.

Natasha ergueu uma sobrancelha, tentando se levantar, mas seu corpo protestou, fazendo-a recuar contra o colchão improvisado. A dor estava evidente em seu rosto, mas também a desconfiança.

— Desde quando você se importa, Wanda? — Natasha perguntou, os olhos buscando uma resposta que talvez nem a própria vampira tivesse.

— Eu... não sei — confessou Wanda, sentindo o peso das palavras. — Mas ver você sendo machucada daquele jeito... — Ela desviou o olhar, como se admiti-lo fosse um erro. — Fez algo em mim mudar.

Natasha riu, um som seco e amargo que fez Wanda se encolher por dentro.

— Achei que você gostasse de me ver sofrer — murmurou Natasha, ainda com o mesmo olhar duro. — Não é isso o que você sempre quis? Me atormentar?

— Talvez fosse — admitiu Wanda, encarando Natasha com intensidade. — Mas hoje foi diferente. Eu queria proteger você.

A sinceridade daquelas palavras surpreendeu até a própria Wanda. Ela esperava uma resposta sarcástica, algo para quebrar o peso daquele momento, mas Natasha permaneceu em silêncio, como se tentasse decifrar a verdade nos olhos da vampira.

Finalmente, Natasha suspirou, exausta. Ela olhou para o teto, evitando o olhar de Wanda, e por um breve momento, a barreira entre elas pareceu tremer.

— Ainda assim, você não entende... — Natasha murmurou, com um tom triste. — Você não sabe o que tirou de mim.

Aquelas palavras perfuraram Wanda mais fundo do que qualquer arma ou insulto. Ela sabia o que fizera, mas agora, pela primeira vez, desejava poder mudar isso. Talvez ela nunca tivesse o perdão de Natasha, e talvez isso fosse parte do que agora a fazia permanecer ao lado dela.

— Sei que não vai acreditar em mim, mas não vou deixar você sozinha, Natasha. — Wanda inclinou-se um pouco mais perto, o olhar firme. — Não enquanto eu puder te proteger.

Natasha permaneceu em silêncio, e Wanda não sabia se isso era uma aceitação ou apenas resignação. Mas, por ora, aquela proximidade, aquele vínculo silencioso, era o suficiente.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora