Capítulo 35 - Depressiva

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Agatha entrou em casa com um suspiro pesado. A frustração estava estampada em seu rosto, e seus passos eram pesados, como se cada movimento fosse uma batalha. Ela havia saído da casa de Rio sentindo uma mistura de raiva e tristeza, algo que raramente sentia, mas que, naquele momento, parecia inevitável.

Ela desejava que Rio tivesse feito a escolha certa, a escolha que ela acreditava ser a melhor para ambas: tornar-se vampira. Pensava que seria uma solução para os dilemas que as separavam, uma maneira de unir seus mundos. Agatha nunca havia sido uma pessoa que aceitasse facilmente o conceito de limites, e a ideia de que Rio fosse uma humana cheia de fragilidades a incomodava.

Mas a conversa havia tomado um rumo que Agatha não imaginava. Quando Rio falou sobre filhos, algo em seu peito se apertou. Ela sabia que não podia oferecer isso a Rio. O peso daquela impossibilidade foi como uma âncora, afundando-a mais fundo na frustração e na sensação de inadequação. Ela sabia que era imortal, mas não poderia proporcionar o que Rio desejava para sua vida.

E então, o que mais doeu foi o pedido de Rio. A humana queria ficar sozinha. Agatha ainda conseguia ouvir as palavras dela ecoando em sua mente, como uma lâmina afiada cortando o que restava de seus sentimentos pela mulher.

Agatha fechou os olhos por um momento, tentando controlar as emoções que estavam à flor da pele. Ela havia se afastado de Rio por tantas razões, e agora, depois de tudo o que passara, ela sentia que poderia ter feito mais, mas, ao mesmo tempo, o peso da responsabilidade parecia insuportável.

Ela se aproximou da janela, encarando a noite lá fora, tentando se acalmar. A lua cheia iluminava a escuridão, refletindo de forma quase cruel a solidão que ela sentia. A decisão de Rio a havia deixado vulnerável, algo que ela não costumava ser. Por um instante, se perguntou se era possível amar alguém sem destruí-la.

Agatha fechou a janela, virando-se para o interior da casa. Olhou em volta, as paredes vazias, as lembranças de uma vida solitária que, por mais que tentasse negar, sempre foi seu caminho. E, agora, Rio estava longe. Ela se sentia perdida, sem saber se ainda havia algo entre elas que valesse a pena lutar.

“Talvez eu tenha sido egoísta ao querer que ela fosse como eu", murmurou, como se a própria casa estivesse ouvindo seus pensamentos. O silêncio foi a única resposta, uma lembrança amarga de que, no final, as escolhas de Rio eram dela, e Agatha precisaria aprender a lidar com as consequências disso.

Ela se afundou no sofá, exausta. As paredes estavam ficando cada vez mais apertadas, mas havia algo mais apertado ainda dentro dela. Um vazio que ela tentava, sem sucesso, preencher com rancor e frustração. Só o tempo diria o que aconteceria a seguir.

Agatha ficou ali, sentada no sofá, perdida em seus pensamentos, mais do que gostaria de admitir. A frustração tomava conta dela enquanto procurava algo, qualquer coisa, que pudesse fazer para agradar Rio, para que as coisas entre elas funcionassem. Ela sabia que Rio queria filhos, e o fato de não poder oferecer isso mexia com ela de um jeito que nem Agatha, com toda a sua força e indiferença, queria reconhecer. A ideia de não ser suficiente estava martelando em sua cabeça. Então, como um reflexo automático, ela foi até a mesa e pegou seu computador. Sentou-se novamente e começou a pesquisar clínicas de fertilização.

Ali estava ela, a vampira imortal, temida por todos, agora pesquisando algo tão humano, tão distante daquilo que ela sempre fora. Agatha estava tão absorta em suas pesquisas que não percebeu quando a porta de sua casa foi aberta, ou o som de passos suaves atrás dela.

Quando finalmente ouviu o barulho, sua cabeça se ergueu abruptamente. Ela se virou com a velocidade de um predador, os olhos estreitos, preparados para o que quer que fosse. Cinco vampiros estavam na sala, olhando para ela com uma calma irritante.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora