Capítulo 26 - Minha

1.5K 186 76
                                        

Agatha desceu para o bar do hotel com o peito apertado, ciente de que o destino havia decidido colocá-las frente a frente novamente. O sonho mexeu com sua cabeça e ela só queria beber.

O encontro era inevitável, e, como sempre, Agatha sabia que não poderia fugir das consequências de tudo o que aconteceu entre elas.

O bar estava relativamente vazio, com apenas algumas pessoas espalhadas nas mesas. Mas, como se o universo tivesse conspirado para esse momento, seus olhos imediatamente localizaram Rio, que estava sentada sozinha em uma das mesas no canto. A humana segurava um copo de uísque, mas o olhar distante, fixo no líquido, traía sua tentativa de esconder a inquietação interna. Agatha sabia o que isso significava: Rio estava tão longe quanto possível de querer reviver o que haviam compartilhado.

Mas ela não poderia ir embora sem entender, sem confrontar as questões que ainda a assombravam.

Ela caminhou até a mesa, o som de seus passos ecoando no silêncio do bar, e, ao chegar perto de Rio, não se permitiu hesitar. Olhou a humana com intensidade, como se estivesse tentando penetrar a barreira invisível que havia se formado entre elas.

Quando Rio a viu, a expressão dela mudou, como se o ar tivesse ficado mais denso. Ela tentou se levantar, como se fosse escapar novamente, mas Agatha não a deixou. Sua mão alcançou a dela, segurando com força suficiente para que Rio ficasse onde estava. Era uma pressão, mas não de agressão. Apenas uma súplica silenciosa.

- Não se levante. - Agatha falou com uma calma que mal disfarçava a urgência que pulsava em seu peito. - Não estou aqui para brigar, Rio. Eu só quero... entender.

Rio olhou para a mão de Agatha, para a maneira como seus dedos se entrelaçaram, e antes que pudesse responder, Agatha puxou a cadeira ao lado da humana, sentando-se sem esperar permissão.

O olhar de Rio foi frio, mas havia algo mais ali, algo escondido. Agatha não sabia se era arrependimento, mágoa, ou talvez apenas a exaustão de tanto tempo tentando apagar o que sentiam uma pela outra.

- O que você quer de mim, Agatha? - Rio perguntou, a voz baixa, mas com uma tensão evidente. - Não tem mais nada entre nós.

Agatha não desviou o olhar. Seu coração batia forte, mas ela precisava saber a verdade. As palavras estavam presas em sua garganta, mas ela forçou a si mesma a soltá-las, pois sabia que precisava fazer essa pergunta.

- Me diz uma coisa, Rio... - Agatha começou, a voz tremendo apenas o suficiente para que Rio notasse. - Em algum momento... você realmente gostou de mim? Ou você só estava esperando o momento certo para me matar? Para me perfurar com aquela adaga?

A pergunta foi como um golpe. Agatha sabia o que isso significava para Rio, sabia que a humana jamais tinha encarado aquele ato de forma tão direta. Mas ela precisava saber. Precisava entender se tudo o que houve entre elas foi uma mentira. Se o toque, os momentos de paixão, a conexão, tinham sido apenas um jogo para Rio ou se, em algum lugar, ela havia sido sincera.

Rio a encarou por alguns segundos, sua expressão inicialmente dura, antes de um sorriso seco surgir em seus lábios. Ela riu, mas não uma risada de prazer. Era uma risada amarga, cheia de dor e arrependimento.

- Você realmente acha que foi isso? - Rio perguntou, a voz carregada de uma ironia amarga. - Que eu estava só esperando o momento certo para te matar?

Agatha não respondeu, apenas a observou, esperando mais. E, para sua surpresa, Rio fez uma pausa, engolindo a bebida, antes de colocar o copo novamente na mesa com um movimento suave. A humana então limpou uma lágrima que, Agatha notou, tinha escorrido silenciosamente pelo seu rosto.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora