Capitulo 49 - É serio?

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Agatha caminhava pela floresta, a neblina espessa a envolvia, e o som de seus passos, pesados e descompassados, parecia ecoar contra a escuridão que a cercava. O vento cortante uivava entre os troncos das árvores, que se curvavam como se quisessem alcançar sua alma. Ela não sabia por que estava ali, mas sentia que algo a chamava. Algo que ela não podia ignorar.

De repente, um grito cortou o ar, violento e cheio de dor. Era o som de Rio, e Agatha reconheceu imediatamente o tom desesperado da sua voz. Seus músculos se tensionaram, e, sem pensar, ela começou a correr, os galhos e raízes se enroscando em suas pernas, tentando detê-la, mas ela não se importava. O único som que importava era o grito de Rio, distante e desesperado.

Quando finalmente chegou a uma clareira, uma visão grotesca a fez parar abruptamente. Rio estava caída no chão, ensanguentada. O corpo dela parecia frágil, quebrado, e os olhos de Agatha se encheram de pavor. Não podia ser. Não poderia ser. Mas era.

Ela se aproximou, o coração apertado, os dedos trêmulos ao se estenderem para tocar o rosto de Rio. O calor de seu corpo estava se esvaindo, a vida dela escapando em cada respiração que dava. Rio, com dificuldade, olhou para Agatha, e um sorriso, fraco mas sincero, se formou em seus lábios.

- Você não conseguiu... - Rio disse, a voz quase inaudível, mas o olhar dela disse tudo.

Agatha sentiu o peso daquelas palavras, como se a terra estivesse desmoronando sob seus pés. Ela tentou segurá-la, mas o corpo de Rio estava sem vida, suas mãos pesadas, sem reação. Era tarde demais. O som de seu coração batendo foi se tornando mais distante, até que o silêncio tomou conta de tudo.

A dor era física, uma lâmina que perfurava seu peito, mas algo mais profundo começou a se acender dentro dela, um instinto, um desejo. Uma voz, baixa e convidativa, começou a ressoar em sua mente, sutil no início, mas ganhando força a cada segundo.

- Você pode trazê-la de volta, Agatha. Você sabe o que fazer.

As palavras eram simples, claras, como uma ordem silenciosa. Não havia escolha. Ela se levantou, o peso da perda ainda dilacerando sua alma, e caminhou até uma abertura no bosque que a guiava de volta à sua casa. O caminho parecia mais escuro à medida que ela se aproximava da porta do porão.

Sem hesitar, Agatha desceu até o lugar onde o Darkhold estava preso. As correntes mágicas que mantinham o livro selado começaram a brilhar e se desfazer com um simples toque de seus dedos. O livro estava ali, esperando, com suas páginas amareladas e gravadas com símbolos que pareciam pulsar com uma energia viva. Cada passo que ela dava em direção a ele parecia pesar mais, como se o próprio ar estivesse tentando afastá-la.

Ela abriu o livro, os olhos percorriam rapidamente as páginas, ignorando os alertas que surgiam nas entrelinhas, avisos em cada palavra escrita em um idioma esquecido. Sua mente estava focada apenas em uma coisa: trazer Rio de volta.

A voz do Darkhold se fez ouvir, mais forte agora, como um trovão em sua mente.

- Você sabe o preço, Agatha. Uma parte de sua alma será minha. Você será consumida, e o que resta de você será uma sombra do que foi.

Agatha não hesitou. A dor que sentia por Rio, o vazio profundo que ela experimentava, era maior do que qualquer aviso. Ela não se importava com o preço. Não se importava com o que perderia. Só queria Rio de volta.

- Foda-se! - gritou Agatha, a raiva e o desespero se misturando em sua voz. - Eu sei o que estou fazendo, e não me importo com o que você me levar!

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora