Capítulo 36 - ficar

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Três dias depois

Wanda passava mais tempo na casa de Natasha do que na sua própria. O lugar estava acolhedor e a presença de Natasha parecia trazer uma paz que ela ainda não conseguia encontrar em nenhum outro lugar. No entanto, algo mais pesado pairava sobre ela, algo relacionado a Agatha. O comportamento da vampira nos últimos dias a incomodava. Wanda não entendia como, sua mãe podia ser tao cabeça dura..

Na casa de Rio, a ausência de Agatha parecia mais marcante do que nunca. Os dias estavam pesados para as duas, especialmente depois da última conversa sobre filhos. Rio se divertia com a ideia de Agatha, a mulher imortal que parecia não se importar com nada, de repente tão fragilizada por um simples assunto humano. A tensão, porém, estava crescendo. Agatha parecia diferente, e isso a incomodava.

Na casa de Rio, ela finalmente aparece, três dias depois de sumir.

A porta se abriu com um estalo, e Agatha entrou, seus olhos se fixando imediatamente em Rio, que a observava com uma expressão impassível, mas havia algo nos olhos dela que Agatha reconhecia: mágoa.

— Achava que não viria mais — Rio disse, com um sorriso forçado, mas seus olhos diziam o contrário. — Não sabia que falar sobre filhos afastaria tanto a temida Agatha Harkness.

Agatha sentiu uma pontada de culpa, mas tentou ignorá-la. Ela deu um passo à frente, fechando a porta atrás de si, antes de olhar nos olhos de Rio.

— Eu estive pensando — começou Agatha, o tom de sua voz mais suave do que o habitual. — Se isso é realmente o que você quer, se isso pode te fazer feliz, eu posso pagar o tratamento para você tentar engravidar. Isso não seria uma solução simples, mas... talvez seja a única coisa que eu posso te oferecer.

Rio franziu o cenho, surpresa pela proposta, mas antes que pudesse responder, Agatha continuou.

— Mas — Agatha deu um passo para trás, cruzando os braços, sua expressão endurecendo — depois de pensar mais sobre tudo isso, comecei a achar que talvez as duas... talvez isso seja um erro. Eu estou começando a acreditar que talvez eu devesse ir embora, me afastar de tudo isso. Não sei se isso tem algum futuro.

O ar na sala parecia pesar ainda mais. O coração de Rio batia forte, e a raiva começou a crescer em seu peito. Como Agatha poderia dizer isso depois de tudo que passaram? Como ela poderia, de repente, afastá-la, depois de tantas promessas não ditas e gestos que diziam mais do que palavras? Ela se aproximou de Agatha com o rosto vermelho de raiva.

— O que você tem na cabeça, Agatha? Você quer me deixar sozinha? Grávida e sozinha? — Rio gritou, sua voz tremendo de indignação. — Isso é o que você quer fazer? Como você pode ser tão egoísta? Você acha que pode sair da minha vida agora, depois de tudo que passamos?

Agatha não conseguiu se mover. As palavras de Rio cortaram mais fundo do que ela gostaria de admitir. Ela sabia que estava sendo insensível, mas o medo de se prender a algo que poderia destruí-la no final estava dominando seus pensamentos.

— Não é sobre você, Rio. É sobre nós — Agatha respondeu, tentando controlar a raiva que começava a tomar conta de sua própria voz. — Não posso mais continuar assim. Eu... eu não sou boa para você. Não posso te dar a vida que você quer. Você merece mais do que uma vida de incertezas e promessas quebradas.

— Você está me dizendo que tudo o que fizemos, todos esses momentos... isso não vale nada para você? — Rio gritou, com os olhos agora úmidos, mas ela se forçou a não chorar. — Isso é o que você quer? Me deixar, quando mais preciso de você?

Agatha sentiu a dor em suas palavras, mas algo dentro dela, um medo profundo, ainda a fazia hesitar. Ela deu um passo atrás, quase como se estivesse tentando fugir de tudo aquilo. A raiva de Rio era palpável, e Agatha não sabia como lidar com isso. Era mais fácil enfrentar inimigos, vampiros e até mesmo as ameaças do que enfrentar o que realmente sentia por Rio.

Evil - AgatharioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora