Soraya avançou em direção a Janja no instante em que Simone se afastou para levar a sobrinha ao banheiro. Era a oportunidade perfeita para confrontá-la sem que os outros percebessem.
Em um movimento rápido, Soraya agarrou o braço de Janja e a arrastou para um canto mais isolado, longe dos olhares curiosos.
— O que você pensa que está fazendo? Me larga, sua louca! — Janja protestou, tentando se soltar.
— Escuta bem, sai da minha casa. Você acha que eu não sei por que veio aqui?
— Primeiro, é o aniversário da Melissa. Segundo, você não manda em mim. Essa casa também é da Simone.
— Fique longe da minha mulher. Não ouse fazer gracinhas pra ela!
Janja sorriu de canto, provocativa.
— Simone nem te considera esposa, Soraya. Pra ela, você é só um lanchinho.
Os olhos de Soraya brilharam de raiva.
— Cala essa porra dessa boca antes que eu te mate!
— Só preciso de mais um tempo até fazer Simone esquecer que você existe e vir pros meus braços.
— Tenta a sorte. Antes disso acontecer, eu acabo com você.
Janja riu, provocativa.
— Será, florzinha? Acho que hoje mesmo ela vai me querer na cama.
Foi a gota d’água. Soraya estalou um tapa forte no rosto de Janja e, tomada pelo ódio, agarrou seus cabelos, desferindo socos sem piedade. Mas era exatamente isso que Janja queria.
— Soraya, para! Solta ela! Tá maluca?! — A voz de Simone interrompeu a briga, puxando Soraya para longe.
— Me larga, Simone! Eu vou matar essa vagabunda!
— Soraya, chega! É aniversário da Melissa. Para com esse escândalo!
Soraya se virou, indignada.
— Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca?!
— Agora tudo faz sentido… — Simone balançou a cabeça, irritada. — Tá explicado por que ninguém te suporta. Você merece ficar sozinha. Só assim aprende!
Janja, fingindo fragilidade, choramingou.
— Simone, ela me machucou muito…
A expressão de Simone suavizou. Ela segurou Janja nos braços, passando a mão em seus cabelos.
— Meu bem, desculpa… Eu não sabia que essa maluca faria isso com você.
O mundo de Soraya desabou ali. Ela percebeu, com o peito apertado, que Simone nunca mais a amaria. E se Janja não iria desistir, talvez ela tivesse que ser a primeira a fazer isso.
Soraya subiu as escadas às pressas, o coração disparado e a visão turva pelas lágrimas que teimavam em cair. Cada passo era um peso a mais em seu peito, como se a dor se espalhasse por todo o seu corpo. Ao chegar no quarto, trancou a porta atrás de si e deslizou até o chão, abraçando os próprios joelhos.
O choro veio forte, sufocante. Simone sequer lembrava que um dia haviam sido esposas. Preferiu defender Janja a enxergar sua dor.
Perdida em seus pensamentos, Soraya não percebeu a porta se abrindo lentamente. Uma voz doce e inocente quebrou o silêncio:
— O que aconteceu, tia Soso? Por que está triste?
Era Jade, olhando para ela com preocupação nos olhos grandes e curiosos.
Os próximos capítulos, promete tantas coisas, deixe estrelinha, volto rápido
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Amnésia
FanfictionSimone sofre um acidente voltando do trabalho e perde a memória. Soraya, frustrada e cansada, tem que lidar com a amnésia da esposa e os conflitos não resolvidos do casamento.
