Soraya ainda estava deitada na cama de Simone. O lençol embolado, o perfume dela ainda no travesseiro, e o quarto silencioso. A ausência de Simone era mais alta que qualquer barulho. Ela olhava fixamente para o teto, tentando entender o que sentia: arrependimento, saudade, ciúmes… tudo misturado.
Passou a mão nos cabelos, que já estavam bagunçados, e se sentou na beira da cama. Ficou um tempo ali, em silêncio. A última noite tinha sido uma chance. Um pedido de perdão. Um toque de esperança. Mas no fundo, Soraya sabia que Simone ainda não tinha v
oltado. Não completamente.
Ela levantou, caminhou até a janela e olhou o céu. Estava um dia bonito, daqueles que Simone adorava. Sentiu um aperto no peito imaginando-a com Janja na praia.
"Será que ela tá rindo agora? Se jogando na água? Será que Janja tá segurando sua mão?", pensou, mordendo o lábio inferior com força.
Pegou o celular, abriu a conversa com Simone… mas não tinha coragem de mandar mensagem. "Se eu for atrás, vou parecer desesperada. Mas se eu não for, ela vai se afastar de vez."
Desceu até a cozinha, encontrou Faite sentada lendo alguma coisa no celular.
— Já vai, Soraya? — perguntou a sogra, com doçura.
— Acho melhor… não quero atrapalhar a cabeça dela.
— Você não atrapalha. O que vocês têm é real. Mas… se você continuar perdendo ela pra Janja, aí vai ser outra história.
— Você acha que eu tô perdendo?
Faite suspirou, largando o celular.
— Eu acho que você machucou alguém que te ama demais. E agora precisa mostrar que vale a pena confiar de novo. E isso… leva tempo.
Soraya assentiu com um meio sorriso triste.
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Mais tarde, já em casa, Soraya deitou no sofá. A TV ligada em qualquer canal. O coração longe, pensando em tudo. Queria acreditar que Janja estava errada, que não era uma manipuladora, que Simone via verdade em seus olhos… mas o medo de perder era maior.
Ela escreveu uma mensagem, depois apagou. Depois escreveu de novo:
"Você está bem?"
Mas não enviou.
Em vez disso, deitou de lado, abraçou a almofada e sussurrou para si mesma:
— Volta pra mim, Sisa… mas volta por amor, não por pena.
•°•°•°•°•°
Já era noite quando Simone chegou em casa, cansada, com a mente confusa e o coração dividido. A discussão na praia ainda ecoava. Mas antes que pudesse descansar, recebeu uma mensagem de Janja:
"Podemos conversar? Só um pouco. Tô aqui perto."
Simone hesitou. Suspirou. E respondeu:
"Vem."
Minutos depois, Janja chegou com uma sacola de comida e um sorriso doce no rosto.
— Trouxe seu lanche preferido. Achei que hoje você ia precisar de um carinho — disse, se aproximando devagar, como quem não queria parecer invasiva.
Simone forçou um sorriso.
— Obrigada… você sempre acerta nisso.
Elas sentaram-se no sofá, comendo em silêncio por alguns minutos. Janja observava cada gesto da outra. Sabia que Simone estava fragilizada, e era ali que ela podia agir.
— Sabe, eu tava pensando… — começou, com voz suave. — Você sempre foi tão forte. Mesmo com tudo o que já passou. Mas parece que quando se trata da Soraya, você vira outra pessoa.
Simone franziu a testa, deixando o copo de suco na mesa.
— Ela fez parte da minha vida por anos. É difícil desligar.
— Difícil não é impossível — disse Janja, olhando nos olhos dela. — Às vezes a gente acha que é amor, mas é só apego. Dor disfarçada de saudade.
Simone ficou em silêncio. Janja se aproximou mais, encostando o joelho no dela.
— Você merece alguém que te escolha sem pensar duas vezes. Que não te traia, que não te confunda… que não use o seu coração como garantia.
— E você acha que é essa pessoa? — Simone perguntou, com a voz baixa.
Janja sorriu. Um sorriso doce, mas calculado.
— Eu não tô dizendo que sou perfeita. Mas eu tô aqui. Fiquei quando ela te deixou. Eu cuidei de você quando ela sumiu. E agora… agora ela volta e você quase esquece tudo que sentiu comigo nesses dias?
Simone baixou o olhar. Estava sendo puxada, pouco a pouco.
— Eu não esqueci… só estou confusa.
Janja se inclinou mais, tocando de leve na mão dela.
— Então deixa eu te provar que você pode amar de novo. Mas amar alguém que não vai te quebrar. Soraya te deixa em pedaços, Sisa. Eu quero te juntar.
Ela então se aproximou e deu um beijo suave na bochecha de Simone. O toque gelado e inesperado arrepiou a espinha da garota, mas também a deixou sem reação.
— Me deixa cuidar de você, Simone. Só isso.
Simone não respondeu. Estava perdida entre a ternura e a dúvida. Janja sorriu por dentro. Sabia que estava ganhando espaço. E cada espaço que ocupava… era um que Soraya perdia.
Essa janja ama se aproveitar né
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Amnésia
Fiksi PenggemarSimone sofre um acidente voltando do trabalho e perde a memória. Soraya, frustrada e cansada, tem que lidar com a amnésia da esposa e os conflitos não resolvidos do casamento.
