choro!

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O celular de Soraya vibrava sem parar em sua mão suada. Ela enviava mensagem atrás de mensagem para Simone, mas todas ficavam no vácuo. Cada segundo de silêncio a sufocava ainda mais. Em um impulso, pegou as chaves do carro e saiu dirigindo apressada pelas ruas já escuras. Não podia deixar as coisas assim. Precisava ver Simone. Precisava explicar.

Parou em frente à casa de Faite, quase derrubando o portão de tanta pressa. Bateu à porta, aflita, sentindo o coração batendo no peito como tambores de guerra.

Faite abriu a porta, assustada com a insistência.

— Soraya? — disse, franzindo a testa. — O que tá acontecendo?

Soraya olhou desesperada para dentro da casa, tentando ver algum sinal de Simone.

— A Simone... ela tá aí? Preciso falar com ela, é urgente!

Faite respirou fundo e negou com a cabeça.

— Ela saiu. Não disse pra onde ia. Só falou que precisava pensar...

Soraya sentiu as pernas fraquejarem. Apoiada no batente da porta, ela fechou os olhos com força, tentando se manter de pé.

— Eu preciso que ela me escute... — a voz de Soraya quebrou num soluço. — Eu não queria que nada disso acontecesse... Eu estava bêbada... O César armou tudo, Faite! Ele me manipulou!

Faite, com o olhar carregado de tristeza, segurou o braço de Soraya, tentando acalmá-la.

— Talvez seja melhor dar um tempo pra ela, Soraya. A Simone... ela tá muito ferida.

Mas Soraya já não conseguia ouvir direito. Sua cabeça latejava, seus olhos ardiam. Virou-se sem dizer nada e foi para o carro, tropeçando nos próprios pés.

Assim que entrou, a dor explodiu. Um choro forte, rasgado, saiu da sua garganta, enchendo o carro de gemidos e soluços. Ela bateu no volante, impotente. Como as coisas tinham chegado àquele ponto? Como deixou César arruinar tudo?

Enquanto Soraya se afogava em lágrimas, do outro lado da cidade, Simone estava sentada no sofá gasto da casa de Janja, abraçando uma almofada contra o peito.

— Eu achei... eu achei que a Soraya me amava — disse Simone, sua voz soando tão fraca que parecia desaparecer no ar.

Janja, sentada ao lado, observava Simone com um olhar cheio de dor, mas também de paciência. Ela sempre soube que Soraya não era certa pra Simone, mas ver a amiga sofrendo daquele jeito a partia em pedaços.

— Amor de verdade não te faz duvidar tanto, Simone — disse Janja, tocando de leve a mão dela. — Você sempre teve que lutar pra ser amada por ela... Sempre aceitando migalhas.

Simone olhou para Janja com olhos marejados.

— Eu queria acreditar que dessa vez ia ser diferente. Depois de tudo que a gente passou...

— Talvez você tenha acreditado porque você é boa — disse Janja, sorrindo triste. — Porque seu coração é puro. Mas nem todo mundo sabe cuidar de um coração assim.

O silêncio se instalou entre elas. Simone encostou a cabeça no ombro de Janja, se permitindo chorar em silêncio. Não era só raiva. Era perda. Era uma dor tão funda que parecia não caber dentro dela.

Enquanto isso, Soraya dirigia pelas ruas sem rumo, os olhos embaçados pelas lágrimas. Cada esquina, cada luz de poste, parecia ecoar o nome de Simone. Ela lembrava do sorriso dela, dos abraços, dos planos que fizeram juntas. E agora, tudo desmoronava.

Chegando em casa, Soraya largou a bolsa no chão e caiu de joelhos na sala. O choro vinha em ondas, dolorido, desesperado. Tentava entender onde tinha se perdido, como tinha deixado César se meter entre elas. A lembrança daquela noite voltava como um pesadelo: a bebida, a voz de César no ouvido, as decisões ruins... tudo parecia um filme em câmera lenta.

— Eu te amo, Simone... — sussurrou entre soluços, abraçando o próprio corpo.

Mas, no fundo, ela sabia. Talvez já fosse tarde demais.

E na casa de Janja, Simone respirava fundo, tentando se recompor. Janja passava a mão nos cabelos dela com carinho.

— Um dia, você vai encontrar alguém que veja o seu valor de verdade, sem precisar de provas... sem te colocar em segundo plano.

Simone fechou os olhos, deixando uma última lágrima escorrer.

— Talvez você esteja certa, Janja. Talvez eu tenha amado mais do que fui amada.





Janja parece está aproveitando já que a Simone ainda não consegue lembrar de muitas coisas né 👍🏼

AmnésiaOnde histórias criam vida. Descubra agora