sorrisos

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As duas chegaram na casa de Soraya. Simone não imaginava que era uma casa tão grande. Seus olhos brilharam ao ver a fachada iluminada, os detalhes do jardim e o portão automático que se abria devagar. Ela ficou encantada.

— Nossa, Soraya… sua casa é grande, né? — disse Simone, ainda olhando ao redor.

— Nossa casa, amor! — Soraya corrigiu com um sorriso caloroso. — Sim, ela é.

— Nossa… poxa, eu gostaria de lembrar.

— Não tem problema, eu vou fazer de tudo, meu amor.

— É tão difícil não conseguir lembrar, Soraya… — disse Simone, a voz embargada.

— Eu sei, princesa, mas com o tempo você vai se lembrar de tudo.

— Promete pra mim?

— Eu prometo, amor! — respondeu Soraya, segurando firme sua mão.

Elas entraram. A porta se abriu revelando um ambiente espaçoso e acolhedor. A sala estava arrumada, iluminada com luzes suaves. Um perfume doce preenchia o ar. Simone ficou parada na entrada, como se absorvesse tudo.

Seus olhos foram direto para a parede da sala, onde havia um quadro grande delas duas: uma foto do casamento. As duas sorriam na imagem, vestidas de branco, olhando uma para a outra como se o mundo tivesse parado.

Simone sorriu ao ver.

— Essa foto... tá linda.

Soraya pegou a caixinha com o brigadeiro e o álbum de fotos que havia deixado na bancada. Sentou-se no sofá e olhou para Simone.

— Vem aqui, amorzinho... quero te mostrar algo.

Simone caminhou até o sofá e sentou-se ao lado dela, curiosa. Soraya abriu o álbum devagar, como se estivesse abrindo um tesouro. As fotos do casamento estavam todas lá: o vestido, o buquê, os sorrisos, o beijo.

— Esse dia foi perfeito, Simone... a gente riu tanto, dançou até de madrugada. Teve até chuva na hora da valsa, lembra? Você escorregou no gramado e me puxou junto...

Simone começou a sorrir, os olhos marejando.

— Meu Deus… — ela disse, com a voz baixa. — Eu... eu lembro… do dia que você caiu de bicicleta na frente da escola toda!

Soraya arregalou os olhos e depois riu alto.

— Poxa amor, que vergonha! Logo isso você lembra?!

Simone riu também, emocionada.

— Mas pelo menos você lembrou de algo... — Soraya disse, tocando suavemente sua mão. — Aos poucos você vai lembrar de tudo.

Soraya pegou o pote de brigadeiro.

— Quer um pouquinho?

Simone olhou para ele, mas negou com um sorriso. Em vez disso, aproximou-se devagar e deu um beijo terno nos lábios de Soraya, demorado e cheio de sentimento.

Soraya fechou os olhos e retribuiu, sentindo o coração bater forte. Naquele instante, tudo valia a pena.





Que fofas né

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