Soraya chega em casa às pressas, o medo estava estampado no seu olhar. Ela rapidamente corre até o banheiro, com as mãos trêmulas e a respiração acelerada. O teste de gravidez tremia em seus dedos. Se ela estivesse grávida, seria o fim. O fim de tudo. Ela não queria ter um filho com alguém que não amava.
Já chorava antes mesmo de ver o resultado. As lágrimas caíam em silêncio, molhando suas bochechas. Depois de longos minutos que pareceram horas, o resultado apareceu: negativo.
Soraya soltou o ar preso nos pulmões e se encostou na parede fria do banheiro. Um alívio imediato tomou conta do seu corpo, mas ainda assim, a dúvida persistia. E se o teste tivesse dado errado? E se fosse um falso negativo?
Sem pensar duas vezes, ela pegou a bolsa e saiu de casa, decidida a ir ao médico. Precisava de certeza, precisava de paz.
Chegando à clínica, foi atendida por uma recepcionista que notou seu nervosismo.
— Bom dia, posso te ajudar?
— Preciso fazer um exame de sangue. Teste de gravidez. — disse, ofegante. — É urgente.
Minutos depois, Soraya já estava sentada em uma sala branca, enquanto a médica a observava com atenção.
— Quais sintomas você tem sentido? — perguntou a doutora, com voz calma.
— Meus seios estão sensíveis, tenho sentido um pouco de enjoo pela manhã, e minha menstruação atrasou… — Soraya respondeu, olhando para o chão.
— Entendo. Vamos fazer um beta-hCG para confirmar. É o mais confiável. Fique tranquila, ok?
A coleta de sangue foi rápida, mas as duas horas de espera pareciam uma eternidade. Soraya tentava se distrair, mas o coração insistia em bater forte. Cada segundo parecia pesar o dobro.
Finalmente, seu nome foi chamado novamente. Ela entrou na sala quase sem respirar.
A médica sorriu levemente ao olhar os resultados.
— Soraya… o exame deu negativo. Você não está grávida.
Soraya sentiu as pernas ficarem fracas. Uma lágrima escorreu, mas dessa vez era de alívio.
— Obrigada… muito obrigada.
Saiu da clínica com passos mais leves. Ainda havia muito a enfrentar, mas agora, pelo menos, ela podia respirar.
Após saber que não estava grávida, Soraya sorriu feliz. Ela poderia viver com Simone. Agora ela teria chance de fazer Simone se sentir confiável com ela, fazê-la lembrar dos momentos felizes, do casamento e tudo mais.
Janja estava com Simone. Já era noite. As duas estavam vendo uma série. Simone estava deitada com a cabeça no peito de Janja, que fazia um leve carinho em seus cabelos negros. Simone estava triste. Não recebeu uma mensagem de Soraya. Janja havia lhe contado que Soraya estava inventando desculpas para não passar mais tempo com ela.
No fundo, Simone sabia que Janja poderia estar certa, que talvez, se ela deixasse de amar Soraya, Janja seria sua pessoa em mente.
Já que, nesses últimos dias, estava recebendo carinho, atenção… e Soraya estava fugindo, falando que tinha coisas pra resolver. Simone queria entender.
Ela se lembrou de como conheceu Janja, graças a algumas fotos que a mesma lhe mostrou. Ela ficou feliz por finalmente conseguir lembrar… mas estava sendo difícil.
O coração de Simone parecia dividido entre o que sentia e o que estava vivendo. Janja era presente, doce, atenciosa. Soraya era amor, mas estava distante, misteriosa.
E no silêncio daquela noite, enquanto os créditos da série rolavam na tela, nenhuma das duas disse nada.
Todo o suspense acabou
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Amnésia
FanfictionSimone sofre um acidente voltando do trabalho e perde a memória. Soraya, frustrada e cansada, tem que lidar com a amnésia da esposa e os conflitos não resolvidos do casamento.
