Soraya sentou-se na beira da cama ao lado de Simone, com o rosto fechado. O ciúmes era evidente. Janja estava ali, sorrindo como quem sabia exatamente o efeito que causava. Estava ali para provocar, Soraya não tinha dúvidas. Mas ela precisava se controlar. Da última vez, perdeu a cabeça… e quebrou o braço de Janja.
— Sisa, como foi no médico? — perguntou Janja, com voz doce.
— Sim, tenho ótimas notícias — respondeu Simone, animada.
— Me conta, sisa!
— Ela só mudou os medicamentos… se era isso que queria saber — disse Soraya, com a voz grossa, sem nem olhar na direção das duas.
— Sisa, parece que a Soraya não me quer por perto. É melhor eu ir… — disse Janja, fazendo-se de vítima.
— Desculpa, Janja. A Soraya deve estar com dor de cabeça — respondeu Simone, tentando amenizar a situação.
— É, amor, deve ser isso — murmurou Soraya, olhando para o chão, os punhos cerrados.
— Vem, gente! Vamos almoçar — Simone chamou, levantando-se e saindo do quarto, acreditando que as duas a seguiriam.
Mas Soraya não se mexeu. Assim que Simone saiu, ela segurou o braço de Janja com força, os olhos ardendo de raiva.
— Escuta aqui, sua filha da puta… se afasta da minha mulher! — rosnou Soraya.
— Sua mulher? Não… ela não é sua — respondeu Janja com um sorriso provocador.
— Eu não vou avisar de novo. Você se lembra da última vez!
— Vai fazer o quê, Soraya? Vai me bater de novo?
— Não. Dessa vez eu vou te matar. Vou tirar você do mapa!
— Não vai adiantar nada. Você que foi babaca com a Simone! Vai lá, volta a dar pro seu amiguinho de novo!
— Cala a porra da boca! — Soraya gritou, soltando o braço dela e empurrando-a com força contra a parede.
Janja se endireitou devagar, os olhos faiscando.
— Não, Soraya. Você não vai estragar tudo. É minha vez agora. Ela não merece ser amada por você!
— Eu vou te bater até tirar sangue de você! — ameaçou Soraya, a respiração pesada.
— Se ama tanto ela, por que a machuca? Quando ela descobrir que você talvez esteja grávida, como acha que vai ficar?
— O quê? Quem te contou isso?! — Soraya congelou.
— Esqueceu que o César também é meu amigo?
Aquelas palavras foram como uma facada. Soraya cambaleou um passo para trás, sem saber o que dizer. Janja apenas sorriu de novo, se ajeitou e saiu do quarto.
A mesa estava posta com carinho. Faite havia preparado um almoço especial para receber Soraya e Janja. Simone ajudava a servir os pratos, sorrindo animada.
_Faite: Espero que gostem, fiz tudo com muito carinho.
_Simone: Vai por mim, Soraya, a comida da minha mãe é a melhor que existe.
Soraya sorri, mas ao se sentar e sentir o cheiro da comida, seu rosto muda. Ela leva a mão ao estômago discretamente.
_Soraya: (tentando disfarçar) Tá com um cheiro forte hoje, né?
_Simone: (estranhando) Forte? É o mesmo tempero de sempre.
_Faite: (preocupada) Você tá bem, querida? Parece meio pálida.
_Soraya: Acho que é só um mal-estar... não dormi muito bem essa noite.
Janja observa em silêncio, com um leve sorriso no canto da boca, tomando um gole de suco calmamente.
_Simone: Você quer deitar um pouco?
_soraya: (pegando a bolsa) Não, na verdade... eu vou pra casa. Lembrei que tenho umas coisas pra resolver. Me desculpa, Faite, o almoço tá lindo mesmo.
_Faite: Imagina, querida. Se cuida, viu?
Soraya sai apressada. Simone a observa pela janela com uma expressão confusa.
Farmácia
Soraya entra na farmácia com passos apressados, olha para os lados e vai direto ao balcão.
Soraya: (em voz baixa) Moça... vocês têm teste de gravidez?
A atendente confirma com a cabeça e entrega discretamente. Soraya sai com o teste na bolsa, o rosto preocupado, o coração acelerado.
Poxa tudo vai acabar agora né, volto quando tiver muitas estrelas
VOCÊ ESTÁ LENDO
Amnésia
FanfictionSimone sofre um acidente voltando do trabalho e perde a memória. Soraya, frustrada e cansada, tem que lidar com a amnésia da esposa e os conflitos não resolvidos do casamento.
