traição

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Isso fez Soraya ficar pensativa. Depois de um tempo, ela e Jade desceram as escadas. Soraya estava mais calma, mas, ao olhar ao redor, percebeu que a festa já tinha acabado. Elas passaram tanto tempo conversando no quarto que acabaram se esquecendo de comemorar o aniversário da pequena Melissa.

A sala estava mais vazia, com poucos convidados ainda presentes. Eliziane, uma das últimas amigas de Soraya que permanecia ali, olhava tudo de longe. Mas uma coisa chamou ainda mais atenção: Janja ainda estava ali. E pior, Simone continuava ao lado dela, segurando Melissa no colo. Era nítido que Janja não tinha intenção de ir embora tão cedo.

Eu sabia que essa mulher ia se fazer de vítima. — Jade comentou em um tom baixo, cruzando os braços ao lado de Soraya.

Ela sempre faz isso. — Soraya respondeu, sem tirar os olhos da cena.

E a Simone? Nem parece que percebe.

Soraya respirou fundo, sua expressão endurecendo. Ela sabia que precisava fazer algo, mas antes que tomasse qualquer decisão, Jade voltou a falar:

Se ela fizer isso com você, tire o que é mais precioso dela.

Aquelas palavras ficaram ecoando na mente de Soraya, fazendo seu olhar se fixar ainda mais em Simone e Janja. Ela não poderia simplesmente aceitar aquilo. Não dessa vez.

A casa estava mais silenciosa agora. Jade e Melissa tinham saído para passar a noite na casa de Faite, deixando Soraya sozinha com seus pensamentos. Ela tentou se distrair, mas uma inquietação tomou conta de seu peito. Onde estava Simone?

Sem pensar muito, começou a procurá-la pela casa. Passou pela cozinha, pela sala, mas nada. O coração acelerou um pouco, um pressentimento ruim crescendo dentro dela. Será que Simone estava com Janja?

Seus passos ficaram mais rápidos quando se aproximou do corredor que dava para a varanda dos fundos. E foi ali que parou, sentindo um gelo subir por sua espinha.

Simone e Janja estavam sentadas no sofá, muito próximas uma da outra.

Soraya franziu a testa, sentindo o sangue ferver. Mas antes que pudesse reagir, viu Janja se aproximar ainda mais… e então beijá-la.

Foi de propósito.

O choque travou o corpo de Soraya por um instante. Mas o pior de tudo foi ver Simone corresponder.

Uma mistura de raiva e dor se espalhou pelo peito de Soraya. Sem dizer nada, ela simplesmente virou as costas e bateu a porta com força ao sair dali.

O som do impacto ecoou pela casa, e foi como se um estalo trouxesse Simone de volta à realidade. O que eu estou fazendo?

O beijo de Janja… não teve gosto. Não teve emoção. Não teve nada.

O desespero bateu de uma vez. Simone se levantou num impulso, ignorando completamente Janja, e correu atrás de Soraya.

— Soraya, espera! — a voz dela soou aflita, mas Soraya não parou.

Ela continuou andando rápido, ignorando o aperto no peito, ignorando a vontade de chorar. Simone sabia que tinha feito uma grande merda. Mas e se fosse tarde demais para consertar?

[Soraya entra no quarto e tranca a porta, seu coração batendo acelerado. O peito ardia de raiva e mágoa. Ela não conseguia acreditar no que tinha acabado de ver. Enquanto isso, do outro lado da porta, Simone chega apressada, ofegante, e começa a bater desesperadamente.]

Simone: — Soraya, por favor, abre essa porta!

[Silêncio. Soraya fecha os olhos com força, tentando segurar as lágrimas. As batidas continuam, cada vez mais insistentes.]

Simone: — Me escuta, eu preciso falar com você! Me deixa explicar!

Soraya: (com a voz embargada) — Vai embora, Simone!

Simone: (desesperada) — Eu não queria… Eu juro, não queria! Foi um erro, eu não senti nada, NADA! Eu… eu só tava confusa!

Soraya: (irritada, enxugando as lágrimas que teimam em cair) — Confusa?! Você tava confusa enquanto beijava a Janja?!

Simone: — Não foi assim! Eu juro, Soraya, eu não…

Soraya: (interrompe, gritando) — Para! Para de mentir! Eu vi, Simone! Eu vi você beijando ela! Você correspondeu!

[Simone encosta a testa na porta, frustrada, com lágrimas nos olhos. O desespero em sua voz só aumenta.]

Simone: — Eu sei! Eu sei que eu fiz merda! Mas, pelo amor de Deus, me escuta! Eu não quero a Janja… eu nunca quis! É você, Soraya! Só você!

Soraya: (amarga, respirando fundo para não desabar mais ainda) — Então por que fez isso? Hein? Me diz, Simone, se sou eu que você quer, por que me machucar desse jeito?!

[Silêncio. Simone aperta os olhos, sentindo o peso do que fez. Ela não tem uma resposta que conserte aquilo.]

Simone: (quase num sussurro) — Eu sou uma idiota… eu tive medo, Soraya. Medo de admitir o que eu sinto de verdade.

Soraya: (baixa a cabeça, lágrimas escorrendo pelo rosto) — Pois agora é tarde demais.

Simone: (desesperada, batendo mais forte na porta) — Não! Não fala isso! Eu te amo, Soraya! Eu te amo, por favor, não me afasta!

Soraya: (engolindo o choro, mas com a voz firme) — Me deixa em paz, Simone. Me esquece.

Um silêncio cortante se instala. Simone sente o coração despedaçar com aquelas palavras. Ela encosta a mão na porta, como se pudesse alcançá-la do outro lado, mas sabe que Soraya não vai abrir. Derrotada, ela dá um passo para trás, sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto. Soraya, do outro lado, desliza até o chão, chorando silenciosamente.



Tadinha, Soraya amava muito a sisa,
Pela demora do tempo tenho que recompensar vocês é lança pelo menos uns 4 caps hoje.
Deixa estrelinhas, qualquer um erro perdão hein

AmnésiaOnde histórias criam vida. Descubra agora