Ela é minha

128 13 0
                                        

PLIM!

O barulho de notificação preencheu o silêncio da sala. Simone dormia no sofá, aninhada no colo de Soraya, que passava os dedos suavemente pelos cabelos dela. O celular de Simone vibrou de novo. Estava desbloqueado, e a tela acendeu.

JANJA: "Tô morrendo de saudade de você, Si… Aquele nosso beijo não saiu da minha cabeça. Sei que você não lembra de tudo, mas eu lembro. Eu te amo, mais do que a Soraya vai amar um dia."

Soraya paralisou. O coração acelerou de raiva. As mãos começaram a tremer. Ela pegou o celular e ficou olhando a mensagem por longos segundos. Os olhos marejaram, mas não era tristeza — era ciúme, era fúria.

Ela levantou devagar, depositando a cabeça de Simone no travesseiro. Pegou sua bolsa, a chave do carro, e saiu porta afora, sem dizer uma palavra.

---

No ponto de encontro, 30 minutos depois…

Janja estava sentada em cima da mureta perto do antigo campo de futebol da escola onde estudaram. Mexia no celular, distraída, até ouvir os passos rápidos e determinados de Soraya.

— O que você pensa que tá fazendo, Janja?

A voz de Soraya veio cortante como navalha.

Janja levantou com calma, encarando a mulher com desdém.

— Olha só… a esposa traída apareceu.

— Cala a boca! — Soraya rosna, os punhos fechados. — Você não tem o direito de mandar mensagem pra ela! Ela é minha mulher!

— Ah, claro. Sua mulher? Aquela que você traiu com César logo depois do acidente? Quando ela tava entre a vida e a morte, tentando lembrar o próprio nome?

— Você não sabe de nada! — Soraya gritou, o rosto ficando vermelho. — Isso não te dá o direito de tentar se meter na nossa vida!

— Eu sei mais do que você pensa. Ela te perdoou porque esqueceu. Porque tava frágil. E você se aproveitou disso! — Janja se aproximou, o rosto a centímetros do de Soraya. — A Simone que eu conhecia nunca aceitaria ser feita de idiota.

— E você? — Soraya riu com desprezo. — Beijou ela sem ela lembrar de nada! Forçou um sentimento em alguém sem memória! Você chama isso de amor?

Janja não recuou.

— O beijo pode não ter valido pra ela… mas pra mim foi como respirar depois de anos afogada. Eu amo ela, Soraya. Mais do que você jamais amou.

— Cala essa boca! — Soraya explodiu.

Num impulso de raiva, ela deu um soco certeiro no rosto de Janja, que caiu de lado com um gemido. Tentou se levantar, mas Soraya veio por cima, desferindo outro golpe.

— Você nunca mais vai se aproximar dela! Nunca mais vai mandar mensagem! Entendeu?

Janja tentou reagir, segurando o braço de Soraya, mas a fúria da outra era maior. Soraya a empurrou contra a parede do galpão, socando-a mais uma vez. O som do impacto do nariz de Janja quebrando foi seco.

— Isso é por manipular ela! Por usar o que ela esqueceu pra tentar ganhar espaço! — Soraya gritou, ofegante, o peito subindo e descendo de raiva.

Janja caiu sentada no chão, o nariz sangrando, os olhos arregalados, sentindo dor e humilhação.

Soraya a olhou por um último segundo, com desprezo.

— Você não ama ela. Você ama o controle que acha que tem. Mas eu… eu sou quem ela escolheu. Mesmo depois de tudo, foi comigo que ela ficou. E vai continuar sendo.

Virou as costas, limpando as mãos como se tivesse tirado sujeira da alma, e foi embora sem olhar pra trás.

Janja permaneceu caída, com a mão cobrindo o rosto ensanguentado, mas com o olhar ainda cheio de ódio e promessas silenciosas.

— Isso não acabou, Soraya…

AmnésiaOnde histórias criam vida. Descubra agora