A noite caía serena na casa de Janja, um refúgio silencioso no meio do caos recente da vida de Simone. As luzes estavam baixas, e o leve som do vento nas janelas era o único ruído. No sofá da sala, Simone adormecera, o rosto sereno apesar das marcas visíveis do cansaço emocional. A respiração dela era lenta, quase como a de uma criança após um dia turbulento.
Janja a observava da porta com os olhos marejados. Durante anos, havia guardado em silêncio um amor puro e silencioso. E agora, ali estava ela, tão perto, tão real, mas ainda tão frágil. Janja se aproximou devagar, sentando ao lado dela, com cuidado para não acordá-la.
Ela se inclinou, aproximando os lábios do ouvido de Simone, e sussurrou:
— Eu esperei por tanto tempo, Sisa...
Sua voz quebrou levemente, carregada de emoção contida.
— Agora você está livre. Soraya te machucou, e eu... eu jamais serei capaz de fazer isso com você.
As palavras saíam como promessas, quase como preces. Janja olhou para o rosto sereno de Simone e sorriu com ternura.
— Eu vou te ajudar a recuperar sua memória... mas só das coisas boas, só daquilo que realmente vale a pena lembrar. Com sua mãe ao seu lado, e comigo também, se você deixar.
Com um gesto leve, Janja afastou uma mecha de cabelo do rosto de Simone. Depois, se deitou atrás dela, abraçando-a com delicadeza em forma de conchinha. Foi ali, naquele silêncio envolvente, que o passado começou a se curar.
Uma semana depois
Os dias seguintes pareceram um mundo novo para Simone. Ela quase não parava em casa. Acordava cedo, ia para a casa de Janja e lá permanecia. Voltava apenas à noite, às vezes só para tomar banho e trocar de roupa. Mal conversava com Faite, sua mãe. Não dava explicações, nem sentia necessidade. Era adulta agora, e aquela nova liberdade vinha com um gosto agridoce de recomeço.
Janja se tornava, a cada dia, uma presença mais constante. Alguém com quem Simone podia rir, conversar, silenciar. Não havia pressão, só compreensão. Janja não cobrava nada — apenas oferecia acolhimento.
Enquanto isso, do outro lado da história, Soraya vivia uma realidade completamente oposta. Fazia exatamente sete dias que tentava entrar em contato com Simone. Sete dias de ligações não atendidas, mensagens visualizadas e ignoradas, tentativas frustradas de encontrá-la na casa de Faite.
Todos os dias, Soraya passava por lá. Tocava a campainha com esperança, mas a resposta era sempre a mesma:
— “Ela não está, Soraya. Saiu cedo, ainda não voltou.”
No início, Soraya tentava não se desesperar. Pensava que era uma fase, que Simone só precisava de um tempo. Mas a ausência foi crescendo como uma sombra, e a cada dia o silêncio pesava mais.
Na sétima noite, Soraya sentou-se no banco da praça em frente à casa de Faite. O celular nas mãos, a tela iluminada com a última mensagem enviada para Simone: “Sisa, me desculpa. Por tudo. Só quero te ver.”
Sem resposta.
Ela olhou para o céu escurecendo e sentiu uma lágrima escorrer. Não era só arrependimento — era medo. Medo de ter perdido Simone para sempre. Medo de que, dessa vez, o fim fosse real e definitivo.
— Acho que é o fim... — sussurrou para si mesma. — Simone não vai me perdoar. Depois do que aconteceu, como poderia?
Ela se culpava. As palavras ditas no calor das brigas, as atitudes impensadas, a dor que causou. Tudo voltava como ecos na sua mente. E agora, não havia mais como voltar no tempo.
Ela olhou novamente para o celular, com os olhos já cheios de lágrimas. Uma notificação? Não. Nenhuma. Nenhum sinal de Simone.
Na mesma hora, em outro canto da cidade, Simone ria com Janja em uma cafeteria pequena, falando de lembranças antigas, da infância, de coisas leves. Por um momento, ela se esquecia de tudo que doía. E nesse instante, ela sentia... paz.
Janja está se aproveitando!
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Amnésia
FanficSimone sofre um acidente voltando do trabalho e perde a memória. Soraya, frustrada e cansada, tem que lidar com a amnésia da esposa e os conflitos não resolvidos do casamento.
