A noite estava tranquila, o céu escuro pontilhado por estrelas, e o vento suave fazia as árvores balançarem levemente. Rio caminhou pela casa com os passos silenciosos de quem está em casa, embora sua presença sempre carregasse algo imponente. Ela foi até o quarto de Nick, onde o garoto dormia profundamente. Com um sorriso suave, Rio se aproximou da cama e beijou a testa de seu filho, acariciando seu cabelo com a mesma ternura de sempre, como se o amor de mãe fosse sua única âncora.
Depois de deixar o quarto, ela se dirigiu à cozinha. Abriu a porta da adega, retirando duas taças de vinho. O ritual de buscar um momento de paz para si mesma era algo que Rio adorava. Era o pequeno luxo que ela se permitia, longe do caos de seu trabalho, longe da morte. Quando ela saiu da cozinha com as taças em mãos, o som suave de uma porta se abriu chamou sua atenção.
Na sacada, Agatha estava ali, fumando um cigarro. O brilho da lua refletia sobre seu cabelo, criando uma aura quase etérea ao redor dela. Quando Agatha percebeu a presença de Rio, ela se assustou, a fumaça do cigarro saindo em pequenas nuvens brancas. Agatha parecia surpresa, mas logo seu olhar se suavizou, como se fosse difícil resistir à presença de Rio.
— Você... — Agatha começou, mas foi interrompida quando Rio, com seu charme inconfundível, se aproximou de forma manhosa.
Rio se aproximou lentamente de Agatha, com um sorriso provocante, e entregou-lhe uma das taças de vinho. Com a outra mão, sem dizer uma palavra, ela pegou o cigarro das mãos de Agatha e, de maneira quase impiedosa, tragou uma boa quantidade da fumaça. A sensação de poder era palpável, mas Rio sabia que nada disso era para afastar Agatha, mas para deixá-la ainda mais próxima.
A sacada estava decorada com um sofá roxo e um tapete preto com detalhes roxos no chão, criando um ambiente misterioso e acolhedor ao mesmo tempo. A luz da lua iluminava o cenário, dando um toque de elegância ao momento. Rio, com uma confiança de quem sabia exatamente o que queria, se sentou no colo de Agatha, deixando uma perna de cada lado de seu corpo, e relaxou, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Você está muito quieta hoje. — Rio disse em um tom baixo, quase um sussurro, enquanto seus olhos não saíam do rosto de Agatha, tentando ler o que ela estava pensando. Ela passou uma mão pelo cabelo de Agatha, puxando-a suavemente para mais perto, sentindo o calor do corpo dela. — Como você está, minha querida?
A tensão entre elas era palpável, mas ao mesmo tempo, havia uma sensação de intimidade única. Rio sabia que aquele momento era só delas, longe dos outros mundos, longe de qualquer outra preocupação, ali, naquele instante, em que as sombras da noite cobravam tudo ao redor, mas não podiam tocar o que as unia.
Agatha acenou com a cabeça, compreensiva, e ficou observando Rio por um momento, enquanto tragava seu cigarro e exalava a fumaça em suaves anéis que se dissolviam no ar noturno.
— Estou bem — respondeu Agatha, com um leve franzir de sobrancelha. — E você? — perguntou, inclinando a cabeça para olhar Rio nos olhos, estudando a expressão cansada que ela tinha.
Rio deu de ombros, como se não fosse grande coisa, mas depois soltou um suspiro longo, meio exausto.
— Estou bem, só um pouco cansada — admitiu Rio, erguendo uma sobrancelha com um sorriso de canto de boca. — Tive um contratempo hoje, mas não é o momento de falar sobre isso. — Ela deu um gole no vinho, sentindo o gosto suave e doce da bebida e, em seguida, se aconchegou um pouco mais no colo de Agatha, apertando a cintura dela com os braços. — Preciso de um pouco de paz, sabe? E você me traz isso.
Agatha riu baixinho, gostando da proximidade de Rio. Ela passou uma mão pelo cabelo da mulher, penteando os fios com os dedos e sorrindo de volta, enquanto sentia a pele macia da companheira contra sua bochecha. Depois, levou a taça de vinho aos lábios e deu um gole, sentindo a brisa fresca da noite mexer com seus cabelos.
— Eu trouxe paz, é? — provocou Agatha, com um brilho travesso nos olhos, enquanto brincava com um dos botões do roupão que estava vestindo. — Não me leve a mal, mas você sempre diz isso e nunca cansa. É como uma música que toca repetidamente.
Rio soltou uma risada rouca, colocando o vinho na mesinha ao lado e então se inclinou para frente, aproximando ainda mais de Agatha e colocando os lábios contra sua têmpora, num gesto de carinho.
— É porque é verdade — respondeu, com uma piscadela. — Você tem esse efeito em mim, Agatha. Você me faz querer deixar tudo para trás, viver o presente e não me preocupar com o que está por vir. — Ela se inclinou um pouco mais, quase provocando um beijo nos lábios da bruxa. — Agora, me diz... O que mais te incomoda no momento, além de mim e desse vinho?
Agatha pensou por um instante, afastando o cigarro e contemplando a visão das estrelas sobre elas. Depois, soltou um suspiro e respondeu:
— Nada além da sua teimosia de sempre e dessa noite fria que me deixa com vontade de ficar aqui com você, — ela disse, se referindo à brisa suave que passava por eles, brincando com suas roupas e cabelos. — Por que não aproveitamos isso e nos concentramos no que realmente importa?
Rio sorriu e, com uma expressão descontraída, apertou Agatha contra ela e a puxou para um abraço caloroso.
— Você tem razão. — Rio disse, apoiando a cabeça na nuca de Agatha e sentindo o batimento do coração dela contra seu peito. — Vamos focar no agora e esquecer o resto. Estou aqui com você, e isso é tudo o que importa.
Agatha sorriu de volta, encostando a cabeça na dela com um suspiro de alívio. Ela sabia que, no fundo, aquele momento era o que importava mais, não importava o que estava acontecendo ao redor.
