039. me desculpa?

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Rio estava relaxando na beira da piscina, observando Agatha brincar com Nick na água. O sorriso de Agatha era puro e contagiante, e Rio não conseguia evitar um sorriso também, sentindo-se em paz por vê-la feliz ao lado do filho. Até aquele momento, estava tranquila, aproveitando o tempo juntas. A amizade de Agatha com Wanda parecia genuína, e Rio achou até bonito como elas se entendiam. Mas isso foi antes das outras chegarem.

Catarina e Patrícia chegaram em um momento que Rio não esperava. As duas se aproximaram de Agatha, e a energia ao redor delas parecia mudar. Rio reconheceu imediatamente os olhares que Patrícia e Catarina trocavam com Agatha, e tudo dentro dela se apertou. Patrícia, a mulher que não soubera disfarçar sua atração por Agatha na festa da vila, e Catarina, que também tivera os olhos voltados para ela naquela mesma noite.

- Que biquíni lindo, Agatha, você está radiante - Patrícia disse, o tom levemente provocador. Catarina não demorou a se juntar, elogiando o corpo de Agatha com a mesma intensidade. E aquilo, como uma faísca em pólvora, fez o sangue de Rio ferver. Ela ficou ali, a poucos metros, observando, sentindo os ciúmes e a raiva crescendo de maneira insuportável dentro de si.

Ela observou Agatha sorrir, inconsciente da tensão que estava gerando ao redor dela, e isso só fez a irritação de Rio aumentar. Ela queria ir até lá e afastar aquelas mulheres, mas se conteve, apenas observando e sentindo a necessidade de marcar seu território.

Nick, como sempre, chamou Rio para brincar, e ela se levantou sem pensar duas vezes. A água fria da piscina não foi suficiente para acalmar o furor que queimava em suas veias. Ela nadou até Agatha, posicionando-se bem ao lado dela, mais perto do que o necessário. Quando as mulheres começaram a elogiar Agatha novamente, Rio se sentiu sufocada pela raiva, como se algo dentro dela estivesse prestes a estourar.

Rio se afasta da piscina com passos firmes, deixando para trás o som das risadas de Catarina e Patrícia, que agora soam como unhas arranhando uma lousa para ela. Não era insegurança – era puro desprezo. Ela odiava aquele tipo de pessoas: bajuladoras, insistentes, que não respeitavam limites. Pessoas que achavam que podiam se meter onde não deviam, mesmo sabendo que Agatha tinha alguém ao lado.

Ao entrar na casa, Rio bate a porta do quarto com um pouco mais de força do que o necessário. O silêncio a envolve enquanto ela se joga na cama, os braços cruzados e o olhar fixo no teto. A raiva ainda queima, mas ela sabe que é passageira. Não vale a pena perder tempo com gente assim, pensa.

Durante o resto do dia, Rio permanece no quarto, refletindo, mas também tentando se distrair. A raiva dá lugar a uma tranquilidade crescente conforme as horas passam. Agatha sabia quem era sua parceira, e Rio confiava nela. O problema não era Agatha, mas aquelas duas que insistiam em tentar cruzar uma linha que não deveriam.

Agatha entrou no quarto, carregando Nick no colo, já sonolento, e o levou para o quarto ao lado.

— Vamos, meu amor. Vamos te dar um banho e depois descansar — disse com calma, colocando-o de pé para ajudá-lo.

Ela o levou ao banheiro e, enquanto preparava a água, começou a cantar baixinho. Durante o banho, continuou com a melodia suave que o fazia relaxar. Depois de limpá-lo e secá-lo com cuidado, vestiu Nick com o pijama e o colocou na cama.

— Agora é hora de dormir, meu anjo. Descanse bem.

Nick sorriu levemente antes de fechar os olhos e adormecer rapidamente. Agatha o cobriu, ajeitou os travesseiros e apagou a luz. Em seguida, foi direto para o banheiro no quarto principal para tomar banho.
Agatha remove as roupas e entra no banheiro. Enquanto isso, percebe a sensação do quarto balançando levemente; o navio acabara de enfrentar uma onda furiosa.

Rio entrou pouco depois, fechando a porta atrás de si. Ela ficou parada por um momento, observando o movimento de Agatha no banheiro antes de se aproximar.

— Agatha... — Rio começou, sua voz soando diferente. Ela hesitou, então mudou de assunto. — Desculpa por sair da área da piscina. Não suporto elas, e eu sabia que ia acabar emburrada.

Agatha, que estava ligando o chuveiro, parou e olhou para Rio com um sorriso tranquilo.

— Eu entendo, Rio. Também não gosto desse tipo de gente. Mas, amor, não precisa se afastar assim. Você sabe que eu não vou a lugar nenhum.

— Eu sei — Rio respondeu, cruzando os braços, mas com um semblante menos tenso. — Só que não gosto de ver aquelas pessoas te elogiando. Dá raiva. É como se eu precisasse te proteger delas.

Agatha se aproximou, deixando o chuveiro ligado enquanto parava diante de Rio.

— Você não precisa me proteger, Rio. Eu sei quem eu sou, e sei quem está ao meu lado. Mas se quiser marcar território, não vou reclamar...

Rio sorriu de lado, puxando Agatha para perto em um abraço.

— Só você, Agatha. Só você.

Agatha riu, depositando um beijo no rosto de Rio antes de voltar ao banho.
Agatha deixou a água morna escorrer pelo corpo enquanto Rio ainda estava ali, recostada na porta do banheiro, com os braços cruzados e a expressão mais tranquila agora.

— Você vai ficar aí me olhando? — Agatha perguntou, a voz carregada de um tom provocador.

Rio sorriu de lado, erguendo uma sobrancelha. — Talvez. Gosto de ver o que é meu.

Agatha riu baixinho, fechando os olhos enquanto sentia a água relaxar seus músculos. — Então entra e aproveita o que é seu.

Rio hesitou por um momento, mas acabou balançando a cabeça, rindo consigo mesma. — Não, não. Vou esperar lá fora. Quando você terminar, a gente desce para jantar.

— Esperar, é? — Agatha virou-se levemente, deixando a água escorrer pelo corpo, o vapor do banheiro subindo ao redor dela. — Achei que você não fosse do tipo que espera.

— Eu sei o que quero, e quando quero, eu pego — Rio respondeu, dando um sorriso atrevido antes de se virar para sair. — Te vejo lá fora, amor.

Agatha apenas riu, voltando a se concentrar no banho. Alguns minutos depois, ela saiu do banheiro enrolada em uma toalha, encontrando Rio sentada na cama, mexendo no celular.

— Sua vez — disse Agatha, pegando uma escova de cabelo para começar a se arrumar.

Rio se levantou, passou por ela e sussurrou ao pé do ouvido antes de entrar no banheiro: — Quero ver o que você vai vestir, meu amor.

Agatha riu sozinha, escolhendo um vestido longo preto, com uma fenda profunda na lateral e detalhes brilhantes no tecido da cor roxa. Combinou com sandálias de salto alto e acessórios simples, mas elegantes, que destacavam sua beleza natural.

Quando Rio voltou do banho, já estava pronta. Ela olhou para Agatha por alguns segundos, os olhos escurecendo em um misto de admiração e desejo.

— Você está... incrível — Rio disse, sem rodeios, enquanto abotoava a camisa verde de tecido fino que havia escolhido, que deixava parte do colo à mostra. Combinou com calças justas de couro e botas de salto baixo, exalando confiança.

Agatha sorriu, se aproximando para ajustar a gola da camisa de Rio. — Você também. Acho que vão ficar olhando mais para você do que para mim hoje.

— Duvido — Rio respondeu, segurando a mão de Agatha. — Vamos?

— Vamos — Agatha disse, sorrindo enquanto elas saíam do quarto juntas, prontas para aproveitar a noite no restaurante.

𝐒𝐨𝐛 𝐨 𝐯é𝐮 𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐀𝐠𝐚𝐭𝐡𝐚𝐫𝐢𝐨Onde histórias criam vida. Descubra agora