042. de volta para nosso lar

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Agatha acordou com uma leve dor de cabeça. Seus olhos, ainda pesados, focaram no teto antes de se virarem para o lado. Foi então que seu olhar suavizou ao encontrar sua amada.

Rio estava deitada ao seu lado, os braços firmemente enlaçados na cintura de Agatha, como se mesmo no sono estivesse protegendo-a. Os olhos de Rio permaneciam fechados, a respiração profunda e constante denunciando um descanso tranquilo.

Agatha não pôde evitar um pequeno sorriso. Mesmo com a dor latejante em sua cabeça, havia algo calmante naquela cena. Ela levantou uma das mãos e passou delicadamente pelos cabelos escuros de Rio, como se tentasse memorizar cada detalhe daquele momento.

Rio mexeu-se levemente, murmurando algo ininteligível, mas sem abrir os olhos. O aperto em torno da cintura de Agatha ficou mais firme, como se, mesmo inconsciente, Rio quisesse assegurar-se de que sua amada não sairia dali.

— Sempre tão protetora... — murmurou Agatha para si mesma, um tom de ternura em sua voz.

Por mais que quisesse se mover, o calor do corpo de Rio e o conforto daquela manhã a fizeram permanecer ali. Agatha sabia que momentos como aquele eram raros. Eram as pequenas pausas em meio ao caos que as cercava.

Ela fechou os olhos novamente, inclinando-se ligeiramente para depositar um beijo suave na testa de Rio.

— Eu amo você... — sussurrou, antes de se permitir relaxar novamente nos braços de sua protetora adormecida.

Mesmo com o mundo lá fora esperando, naquele momento, tudo parecia estar em paz.

Rio mexeu-se lentamente, seus olhos abrindo-se enquanto um pequeno sorriso surgia em seus lábios ao ouvir o sussurro de Agatha. Ainda com a voz rouca de sono, murmurou:

— Eu também amo você, my lady.

Agatha sorriu, sentindo o coração aquecer com as palavras de Rio. Antes que pudesse dizer algo, Rio esticou-se levemente, afastando o sono enquanto olhava para o relógio que estava em cima da mesinha.

— Precisamos levantar. — A voz de Rio agora estava mais firme, mas ainda carregava o tom carinhoso que apenas Agatha conhecia. — O navio já está voltando, e temos que arrumar as coisas. Hoje é o dia de voltar para casa.

Agatha suspirou, desejando que pudesse ficar mais tempo naquele momento tranquilo, mas sabia que Rio tinha razão.

— Sempre tão prática, não é? — disse ela, tentando esconder a preguiça enquanto se sentava na cama.

— Alguém precisa ser. — Rio respondeu com um sorriso de canto, esticando a mão para afastar uma mecha de cabelo do rosto de Agatha. — Vamos, my lady. Quanto mais cedo organizarmos tudo, mais tempo teremos para aproveitar o resto do dia.

Agatha bufou teatralmente, mas acabou sorrindo ao ver o brilho nos olhos de Rio. Levantou-se da cama, começando a organizar suas coisas enquanto Rio fazia o mesmo.
Enquanto Agatha dobrava cuidadosamente um vestido, não pôde deixar de observar Rio pelo canto do olho. Havia algo na maneira como ela se movia, tão segura e precisa, que fazia Agatha sorrir involuntariamente.

— Você parece muito animada para voltar para casa, — comentou Agatha, tentando disfarçar a curiosidade em sua voz.

Rio parou por um momento, olhando por cima do ombro enquanto colocava sua jaqueta na mala.

— E por que não estaria? — respondeu com um leve sorriso. — Nossa casa é o único lugar onde posso realmente relaxar, sem me preocupar com quem está à espreita.

Agatha assentiu, mas havia algo na resposta de Rio que parecia esconder mais do que dizia.

— Sente falta de algo, my lady? — Rio perguntou de repente, com aquele olhar penetrante que sempre fazia Agatha se sentir completamente transparente.

Agatha hesitou por um momento, mas acabou sorrindo.

— Não é falta, exatamente... É só que este navio, essa viagem... Parece que tivemos uma pausa de tudo. É estranho pensar em voltar à rotina.

Rio aproximou-se, deixando a mala de lado e colocando as mãos nos ombros de Agatha.

— Pausas são boas, mas o que temos em casa é o que importa. — Sua voz era baixa e cheia de convicção. — Você, eu e Nicolas. Nossa família.

Agatha sentiu as palavras de Rio como um abraço quente, e antes que pudesse responder, Rio inclinou-se, depositando um beijo breve, mas intenso, em sua testa.

— Agora, vamos terminar isso logo, — disse Rio, com o mesmo tom prático de antes, mas seus olhos ainda brilhavam com algo mais profundo. — Quero que estejamos prontas quando o navio atracar.

Agatha riu suavemente, voltando a dobrar suas roupas, mas sentia o coração mais leve. A perspectiva de voltar para casa, de estar com sua família, já não parecia tão pesada.

Quando terminaram de arrumar tudo, Rio abriu a janela da cabine, deixando a brisa fresca do mar invadir o espaço. Elas pararam por um instante, lado a lado, observando o horizonte onde a terra começava a se formar.

— Pronta? — perguntou Rio, com um sorriso.

Agatha segurou sua mão, entrelaçando os dedos nos dela.

— Sempre, my lady.

[...]

A sala estava iluminada pela luz quente da cozinha, onde Agatha misturava ingredientes com a destreza de quem tinha um carinho especial por preparar refeições para sua família. Rio, sentada no chão da sala, acompanhava Nicolas em uma brincadeira que parecia ter ganhado vida própria. As risadas do pequeno ecoavam pela casa, preenchendo o ambiente de uma energia acolhedora.

— Mamãe Rio, por que você não conta pra mamãe a verdade? — Nicolas perguntou de repente, sua voz carregando a sabedoria inocente de uma criança.

Rio ergueu o olhar, surpresa pela pergunta. — Que verdade, meu amorzinho? — ela perguntou, deixando a brincadeira de lado para dar atenção ao menino.

Nicolas inclinou a cabeça, como se estivesse elaborando a melhor forma de explicar. — Você tem que contar pra ela que você também sofreu quando teve que me levar. Mamãe é cabeça dura, mas ela ama Rio, e eu amo minha mamãe Rio e minha mamãe Agatha.

Rio suspirou, claramente emocionada com as palavras de Nicolas. Antes que pudesse responder, Agatha surgiu silenciosamente, com um sorriso intrigado. Ela se abaixou, envolvendo o filho e Rio em um abraço caloroso, sua voz carregada de ternura.

— A mamãe Agatha sabe disso, sabe muito bem — disse ela, fazendo cócegas na barriga do pequeno Nicolas, que gargalhou alto. Ela então se inclinou e depositou um beijo suave na bochecha de Rio, seu gesto transmitindo mais do que palavras poderiam dizer. — Vim chamar vocês pra jantar e depois direto para a cama.

— Ah, mas eu quero brincar mais um pouquinho... — Nick protestou, fazendo um beicinho adorável enquanto seus olhos brilhavam em um pedido silencioso.

Agatha ergueu uma sobrancelha, mas manteve o tom gentil. — Você brincou muito, senhor bagunceiro. Agora, vocês dois vão arrumar essa bagunça, e depois direto para a cozinha lavar as mãos. Sem negociações, mocinho.

Com um sorriso cúmplice, Rio se levantou, segurando Nicolas pela mão. — Vamos lá, campeão, antes que a mamãe Agatha resolva usar magia para nos arrastar até lá.

A risada de Nicolas ecoou novamente pela casa enquanto eles começavam a arrumar a bagunça. O ambiente transbordava amor e cumplicidade, uma pequena família construída em meio a desafios, mas sustentada por laços profundos e inquebráveis.

𝐒𝐨𝐛 𝐨 𝐯é𝐮 𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐀𝐠𝐚𝐭𝐡𝐚𝐫𝐢𝐨Onde histórias criam vida. Descubra agora