030. Agatha é seu ponto fraco

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Rio virou de costas, sinalizando o fim da conversa. O som de seus passos firmes na terra ressequida ecoava pelo ambiente sombrio do mundo dos mortos. O silêncio pairava entre eles, denso, até que a voz de Thanos cortou o ar como uma lâmina, carregada de provocação:

— Sabe, Rio... é curioso como você, a própria Morte, pode ser tão facilmente seduzida. Agatha realmente não perdeu tempo, não é?

Rio parou abruptamente. Seus ombros se ergueram e abaixaram em uma respiração pesada, mas ela não se virou.

— Cuidado com as suas palavras — disse, sua voz controlada, mas com um tom afiado como uma lâmina prestes a cortar.

Thanos, no entanto, parecia não se importar com o aviso. Ele prosseguiu com as provocações

— Oh, eu só estou constatando um fato. Ela seduziu você rapidamente... mas sejamos honestos, eu sou muito melhor.

Rio girou nos calcanhares, seu olhar agora queimando com fúria. Ela caminhou em direção a Thanos com passos firmes e controlados, cada movimento carregado de uma autoridade quase divina.

— Não teste minha paciência, Thanos.

Ele cruzou os braços, fingindo indiferença, mas seu sorriso arrogante permanecia.

— E o que há de tão especial nela? Agatha é fraca. Uma bruxa qualquer, ela só suga os poderes, sem importância, sem poder real. Você deveria saber melhor do que ninguém o quanto ela é insignificante.

O tapa veio tão rápido que ele não teve tempo de reagir. O som reverberou pelo mundo dos mortos, e Thanos cambaleou levemente para trás, segurando o lado do rosto com uma expressão de surpresa e fúria.

— Nunca ouse insultar Agatha na minha frente novamente — Rio disse, sua voz baixa e perigosa, cheia de uma raiva gelada. — Você só está inseguro, por que é com ela que eu transo. Seu hipócrita

Antes que Thanos pudesse reagir, os galhos retorcidos das árvores ao redor começaram a se mover, como serpentes despertando. Eles se enrolaram nos braços de Thanos, prendendo-o firmemente contra o tronco onde ele estava antes. Ele tentou resistir, mas os galhos eram implacáveis, apertando com força suficiente para deixar claro que não havia escapatória.

Rio se aproximou ainda mais, seu rosto a centímetros do dele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade sobrenatural, e sua presença parecia sufocar o ar ao redor.

— Lave sua boca antes de falar dela. Agatha não é fraca, e você, Thanos, não passa de um tolo arrogante que acha que pode se comparar a ela. Seu ego é frágil, precisa diminuir ela só para se sentir homem

Thanos, apesar de preso, ainda tentou provocar, seu tom ligeiramente sarcástico:

— Ela te deixa vulnerável, lady of death. Todos sabem disso. Você, a Morte, tem um ponto fraco agora, e qualquer um pode usá-lo contra você.

Rio sorriu, mas não era um sorriso amigável. Era frio, calculado, cheio de desdém.

— Quem seria corajoso o suficiente para enfrentar a Morte? Você? — Ela fez uma pausa, deixando o peso da pergunta pairar no ar.

Thanos tentou responder, mas Rio continuou, sua voz cortante como gelo:

— Eu não posso matar você, Thanos, mas posso fazer você desejar a morte. E saiba de uma coisa: você não é nada além de um qualquer, um pedaço insignificante neste mundo dos mortos.

Ela recuou alguns passos, mas antes de partir, lançou-lhe um último olhar, sua voz carregada de desprezo:

— Ah, e só para deixar claro: isso aqui não é um salão de jogos. É o mundo dos mortos, o meu mundo. Aqui, você não é ninguém.

Rio virou-se novamente, sem esperar por qualquer resposta. Sua figura desapareceu entre as sombras, deixando Thanos preso e com o gosto amargo de sua própria arrogância.

Rio caminhou com passos lentos e deliberados, seu corpo envolto pela escuridão que dominava o mundo dos mortos. Cada movimento seu parecia fazer o ar vibrar, como se a própria terra sentisse sua presença. O silêncio que a cercava era profundo, mas Rio sabia que ele era apenas uma fachada. A tensão em suas palavras com Thanos ainda ecoava em sua mente, mas ela não se permitia se abalar.

O mundo ao seu redor era vasto, uma mistura de paisagens sombrias e paisagens desoladas, onde o tempo não existia da mesma forma que no mundo dos vivos. Aqui, as almas flutuavam em uma eterna quietude, algumas aprisionadas e outras simplesmente vagando, sem rumo. Rio não as via como vítimas, mas como partes de um ciclo eterno. Elas vinham para ela, como é o destino de todas as coisas.

Ela se dirigiu até um portal que se erguia à sua frente, um arco negro e opaco que pulsava com energia ancestral. Era a entrada para o coração do mundo dos mortos, onde as almas eram conduzidas para seu destino final — algumas para ascender, outras para permanecer em uma prisão eterna. Rio sabia o que fazia ali, não apenas como a Morte, mas como uma entidade que governava o ciclo da vida e da morte, equilibrando os dois mundos.

À medida que se aproximava, sentia a energia do portal se intensificar. Ela estendeu a mão, tocando a superfície fria do arco. Uma sensação de poder a envolveu, como se o próprio portal reconhecesse a Morte em sua essência. Ao entrar, o mundo ao seu redor mudou, se transformando em uma paisagem ainda mais árida, sem vida, onde as sombras tomavam forma.

Rio sentou-se em um trono de pedras negras, observando o movimento das almas à sua frente. O guardião, uma figura nebulosa, surgiu do nada, como se estivesse sempre ali, esperando por sua presença. Ele a cumprimentou com uma reverência silenciosa, aguardando suas ordens.

— As almas estão prontas para serem encaminhadas — disse o guardião com sua voz profunda, ecoando no espaço vazio.

Rio assentiu com um movimento de cabeça, observando a maneira como as almas se alinhavam diante dela, aguardando seu destino. Ela estendeu as mãos, e o portal do outro lado se abriu lentamente. Para algumas, seria a ascensão, para outras, a queda, mas todas passariam pelo ciclo que Rio presidia.

Ela olhou uma última vez para as almas, o peso do mundo das mortes sobre seus ombros, sentindo a frieza e o vazio que isso trazia. Mas ela nunca teve medo. Ela era a Morte, e este era o seu domínio.

Com um último suspiro, Rio deu as ordens. As almas começaram a atravessar o portal, algumas com expressão de resignação, outras com uma última chama de esperança. O ciclo se renovava, e ela, como sempre, se preparava para o próximo passo. O que viesse, ela estava pronta. Afinal, ela era a Morte.

𝐒𝐨𝐛 𝐨 𝐯é𝐮 𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐫𝐭𝐞-𝐀𝐠𝐚𝐭𝐡𝐚𝐫𝐢𝐨Onde histórias criam vida. Descubra agora