A casa parecia mais silenciosa do que o normal. Agatha percebia cada movimento de Rio com uma atenção redobrada, mas a distância entre elas era palpável. Rio estava diferente. Não havia discussões ou palavras duras, mas a falta de proximidade era quase insuportável. Agatha suspirava, tentando não insistir, mas sentia-se ferida. Nicolas também parecia mais reservado, o que só aumentava a angústia.
Naquela noite, Agatha, exausta da tensão acumulada, decidiu abordar Rio. Ela encontrou a namorada sentada no sofá, com o olhar perdido em um ponto qualquer da parede.
— Rio, podemos conversar? — começou Agatha, cautelosa.
Rio não desviou o olhar imediatamente. Quando o fez, sua expressão era fria, distante.
— Fale, Agatha.
A falta de calor no tom da outra mulher cortou como uma lâmina. Agatha respirou fundo, tentando não deixar a dor transparecer.
— Sinto você distante. Está magoada comigo? Fiz algo errado?
Rio cruzou os braços e suspirou. — Não se trata de você, Agatha. Eu só… preciso de um tempo.
— Um tempo? — A voz de Agatha vacilou levemente. — Depois de tudo o que passamos?
— Justamente por tudo o que passamos, Agatha — disse Rio, com firmeza. — Algumas coisas ainda doem, e eu preciso processar isso sozinha.
Antes que Agatha pudesse dizer mais, Rio se levantou. — Vou sair um pouco. Nicolas está dormindo. Fique com ele.
— Rio, por favor…
— Boa noite, Agatha — disse Rio, encerrando a conversa e saindo pela porta.
O Silêncio da Ausência
Agatha passou as horas seguintes em um misto de preocupação e tristeza. Nicolas percebeu o estado da mãe ao acordar na manhã seguinte. Com seu jeitinho carinhoso, ele tentou distraí-la.
— Mamãe Agatha, vamos lá fora? — ele pediu, puxando sua mão.
Agatha quase recusou, mas o sorriso de Nicolas a convenceu. — Está bem, meu pequeno. Vamos.
Quando chegaram ao quintal, Agatha parou, surpresa. A área estava decorada com luzes delicadas, pequenas flores espalhadas pelo gramado e uma mesa improvisada com um bolo simples e duas taças de vinho.
No centro de tudo, Rio estava de pé, usando um vestido preto elegante, seus cabelos presos de forma despretensiosa. O olhar que ela lançou a Agatha estava carregado de emoções que haviam sido contidas nos últimos dias.
— O que… é isso? — Agatha perguntou, a voz embargada.
Rio se aproximou lentamente, segurando as mãos dela com delicadeza.
— Eu sei que fui dura com você, e sinto muito por isso. Mas eu precisava de um tempo para pensar, para planejar isso. — Ela fez uma pausa, os olhos brilhando. — Agatha Harkness, você mudou minha vida de formas que eu nunca imaginei. Nós passamos por tanta coisa, boas e ruins, mas a única certeza que eu sempre tive foi o quanto eu te amo.
Agatha começou a abrir a boca para falar, mas Rio a interrompeu, ajoelhando-se.
— Quero que você saiba que é com você que eu quero passar o resto da sua vida. Você aceita ser minha esposa?
Por um momento, Agatha ficou em choque, mas logo as lágrimas começaram a rolar pelo rosto. Ela puxou Rio de volta para ficar de pé e a abraçou com força.
— Sim, mil vezes sim!
Nicolas, que observava tudo de longe, correu até elas, abraçando-as. — Agora somos uma família completa!
O quintal ecoou com as risadas e os sorrisos de três corações que se encontraram novamente, mais fortes e mais unidos do que nunca. Rio e Agatha estavam prontas para recomeçar, agora como noivas, prontas para construir um futuro juntas.
A casa estava em silêncio naquela manhã, mas não era um silêncio confortável. Era pesado, quase sufocante. Agatha observava Rio de longe, tentando entender a distância que parecia ter crescido entre elas. Rio estava mais reservada, seus sorrisos eram breves e suas respostas, curtas. Isso fazia Agatha questionar cada detalhe, cada gesto. E Nicolas, tão perceptivo para sua idade, também parecia mais quieto, como se estivesse absorvendo o clima tenso entre as mães.
Agatha estava na cozinha, mexendo distraidamente no café da manhã que preparava. Sentia a ausência de Rio, que geralmente estaria ali ao seu lado, ajudando ou ao menos observando. "Ela está magoada... mas por quê?", pensava Agatha, sentindo uma pontada no peito. Era frustrante e angustiante não saber o motivo da distância.
Decidida a não prolongar mais o desconforto, Agatha saiu da cozinha e foi até a sala, onde encontrou Rio no sofá, lendo um livro.
— Podemos conversar? — Agatha perguntou, sua voz calma, mas carregada de preocupação.
Rio olhou para ela rapidamente e voltou a encarar o livro. — Claro.
Agatha sentou ao lado dela, hesitante. — Eu... tenho sentido você distante. Está acontecendo alguma coisa? Fiz algo que te magoou?
Rio fechou o livro devagar, mas seu olhar permaneceu fixo na capa. — Não é nada, Agatha. Só estou cansada.
— Cansada? — Agatha repetiu, sua mente trabalhando freneticamente para encontrar sentido naquela resposta. — Mas você parece... diferente.
Rio suspirou, levantou-se e colocou o livro de lado. — Não precisa se preocupar. Eu só preciso de um tempo.
Antes que Agatha pudesse dizer mais alguma coisa, Rio pegou sua bolsa e saiu, dizendo apenas: — Vou dar uma volta.
O som da porta se fechando ecoou pela casa, deixando Agatha sozinha na sala. A ansiedade começou a corroê-la. "Um tempo? Um tempo do quê? De mim? Da nossa vida juntas?", pensou. A sensação de perda iminente era quase insuportável.
Horas depois
Nicolas entrou correndo na sala, puxando a barra do vestido de Agatha.
— Mamãe, vem comigo no quintal! É importante!
Agatha, ainda com a mente sobrecarregada, seguiu o filho. A preocupação de que algo estivesse errado ainda pairava sobre ela, mas ela não tinha forças para negar o pedido do menino.
Quando chegaram ao quintal, Agatha parou, seus olhos arregalados diante da cena que encontrou. Luzinhas delicadas penduradas pelas árvores iluminavam o espaço de forma suave. Uma mesa pequena estava decorada com flores e velas, e no centro havia um buquê de flores que Rio segurava, vestida com um elegante terno branco.
— Rio...? — Agatha murmurou, completamente surpresa.
Rio se aproximou, segurando o buquê com uma das mãos e estendendo a outra para Agatha.
— Surpresa.... my lady.
Eu sei que nos últimos dias eu estava estranha, mas... tinha um motivo — começou Rio, sua voz carregada de emoção. — Agatha, você mudou minha vida. Você me fez acreditar no amor, na construção de algo maior. Eu quero passar o resto da minha vida com você.
Rio então se ajoelhou, enquanto Nicolas, animado, entregava uma pequena caixinha a ela.
— Agatha Harkness, você aceita se casar comigo?
Os olhos de Agatha se encheram de lágrimas enquanto ela olhava para Rio e depois para Nicolas, que sorria ansioso.
— Sim... mil vezes, sim! — respondeu Agatha, puxando Rio para um abraço apertado.
Nicolas bateu palmas, correndo para abraçar as duas. Naquele momento, todo o peso dos dias anteriores desapareceu, substituído por uma alegria palpável. Elas estavam noivas, e, mais importante, estavam unidas de forma inabalável.
