Estou falando. Dopada de remédios. Não costumo fazer isso. Mas. Não importa. Eu estou louca. De toda forma. Eu não sei. Por quê peguei o celular. Nem por quê. Estou falando. Ultimamente. Eu não tenho tentado. Fazer mais nada. Evito as. Conversas com a psicóloga. Com o médico. Todos. As vozes continuam me torturando. Passo noites acordada. Alucinando. E tendo crises. Sem dormir.
Eu cortei meu pescoço. Há alguns dias. Com uma faca. Eu estava delirando. Denovo. As vozes falavam. E meu corpo. Obedecia. Eu prometi que. Não tentaria mais. Suicídio. Ao meu pai. E eu. Quebrei essa promessa. Há muito tempo. Mesmo consciente. As vozes. Só me manipulam. Mentem. Me machucam. E torturam. Nos pesadelos. E quando eu acordo. Até eu desmaiar. Dói olhar. Pro meu pescoço. Pro rosto. Ou olhar no espelho. Ver tantas. Cicatrizes. Ver. Esse. Monstro. E saber. Que é culpa minha. Ficar sóbria. Sem os remédios. É o mesmo. Que. Suicídio. Não tenho mais controle. Sei disso. Dói saber. Que ainda. Não morri.
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Meu Diário
Non-FictionEste é meu diário pessoal. Tento relatar sobre a minha vida como costumava fazer no meu antigo diário físico. Muitas vezes utilizo o gravador de voz para dizer tudo que está na minha mente. Não há coisas boas para se ler neste diário. Peço que tome...
