Pedido da: esterlionata
O silêncio na casa estava começando a me enlouquecer. Cada canto parecia gritar a ausência de Alex. Fazia semanas que ele havia saído com uma mala na mão e a expressão cansada, depois da nossa última briga. Eu fiquei, mas não sabia exatamente o que restava para mim. Nosso filho, Rafael, era o único motivo para eu continuar em pé.
— Mãe, a gente pode ir no jogo hoje? — perguntou Rafael, com os olhos brilhando. — Papai vai jogar, e ele disse que é muito importante.
Eu respirei fundo. Desde que Alex saíra de casa, minha vontade era evitar qualquer coisa que me lembrasse dele. Mas, olhando para Rafael, não consegui dizer não.
— Tudo bem, Rafa. Vamos ao jogo.
Ele pulou de alegria, correndo para vestir a camisa do Corinthians. Vesti meu jeans e uma camiseta simples, tentando ignorar o nó no estômago.
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A arena estava lotada, um mar de preto e branco. Rafael segurava minha mão com força, a excitação dele contrastava com minha ansiedade. O estádio rugia com cada jogada, mas eu me sentia fora de lugar. Mesmo assim, quando Alex entrou em campo, não consegui evitar olhar para ele. Ainda era o mesmo homem por quem me apaixonei, mesmo que agora estivesse tão distante.
— Vai, papai! — Rafael gritava.
Alex parecia determinado. Cada movimento dele era cheio de intensidade, de uma força que eu não via há tempos. Eu não conseguia tirar os olhos dele.
Quando o gol saiu, tudo aconteceu em câmera lenta. A bola encontrou a rede, e o estádio explodiu em comemoração. Rafael pulou e gritou como se tivesse ganhado o melhor presente do mundo. Alex procurou algo nas arquibancadas e nossos olhares se cruzaram por um segundo. Senti o peito apertar, uma mistura de dor e saudade.
— Ele viu a gente, mãe! Ele viu! — Rafael exclamou, e sua alegria era tão pura que doía.
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Depois do jogo, fomos até a saída dos jogadores. Lá estava ele, suado, mas com aquele sorriso de lado que fazia meu coração tropeçar.
— Oi, campeão! — Alex se abaixou e puxou Rafael para um abraço apertado.
— Papai, você jogou demais! Eu sabia que você ia fazer um gol!
Alex riu, os olhos brilhando com algo que eu não via há tempos. Então ele me olhou, sério.
— Querem uma carona para casa? — perguntou baixinho.
Eu hesitei. Tudo dentro de mim gritava que aquilo era arriscado demais. Mas Rafael olhou para mim com aqueles olhos esperançosos, e minha resistência se desfez.
— Tá bom — murmurei.
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O carro estava silencioso. Rafael, cansado da emoção do jogo, dormiu no banco de trás, abraçado à sua bandeira do Corinthians. Eu olhava pela janela, sentindo a presença de Alex ao meu lado, tão familiar e, ao mesmo tempo, tão distante.
— Obrigado por ter ido hoje — ele quebrou o silêncio, a voz rouca. — Eu precisava disso. De vocês lá.
— Rafael queria muito ir — respondi, tentando manter a voz firme. — Fiz por ele.
Ele assentiu, apertando o volante com força.
— Eu sei que estraguei muita coisa, Stella. Mas eu não quero que acabe assim. — Sua voz tremeu. — Ainda existe algo entre nós... ou estou enganado?
Engoli em seco. Fechei os olhos, sentindo as lágrimas queimarem.
— Alex, a gente se machucou demais... Parece que a gente quebrou alguma coisa que não dá para consertar.
Ele estendeu a mão e pousou sobre a minha, hesitante.
— Eu não quero desistir. A gente ainda pode consertar isso, se quisermos. Eu te amo, Stella. Mesmo quando brigo, mesmo quando erro. Eu não deixei de te amar.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto. Eu queria acreditar nele, queria acreditar que ainda existia esperança. Olhei para ele, finalmente encarando seus olhos castanhos, tão cheios de arrependimento.
— Amar não é suficiente, Alex. Precisamos mudar. Precisamos querer fazer diferente.
— Eu quero — ele sussurrou, apertando minha mão. — Me dá essa chance? Só mais uma?
O silêncio tomou conta do carro. A única coisa que eu conseguia ouvir era a respiração tranquila de Rafael. Respirei fundo e balancei a cabeça.
— Tá bom. Vamos tentar.
Ele soltou um suspiro tremido e me puxou para um abraço. Encostei minha testa no ombro dele e, pela primeira vez em semanas, senti uma fagulha de esperança. Talvez, só talvez, ainda pudéssemos encontrar nosso caminho de volta.
— Obrigado, Stella — ele murmurou, os lábios roçando minha têmpora.
Levantei o rosto e nossos olhos se encontraram de perto. Antes que eu pudesse hesitar, ele me beijou. Foi lento, cheio de saudade e promessas não ditas. Sua mão deslizou pela minha cintura, puxando-me mais para perto, com uma intensidade que eu não sentia há muito tempo. O beijo ficou mais urgente, como se quiséssemos recuperar o tempo perdido.
Quando nos afastamos, respirei fundo, tentando controlar os batimentos descompassados.
— Você não presta — murmurei, sentindo meu rosto corar.
Ele riu baixinho, os dedos fazendo um leve carinho na minha cintura.
— E você adora isso — respondeu, a voz baixa e rouca.
Eu sorri, um sorriso verdadeiro dessa vez. Talvez ainda houvesse conserto para nós.
Ainda havia amor. E ainda havia esperança.
Fim.
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IMAGINE JOGADORES
Fiksi PenggemarAceito pedidos! Minha primeira vez fazendo isso!!📍 Autora: Ana💖
