A chuva caía forte em Madrid, e eu estava com a minha câmera em mãos, tentando encontrar algo para fotografar enquanto as ruas vazias refletiam a luz dourada dos faróis. Eu adorava capturar esses momentos silenciosos, aqueles onde a cidade parecia respirar sozinha, sem pressa.
Passei perto do Santiago Bernabéu, como sempre fazia, e, mesmo com a chuva, o lugar parecia ter uma energia própria. Algo naquele estádio, naquela área, sempre me deixava curiosa. Era como se o peso da história e a paixão por trás de cada jogo estivessem no ar, misturados com o som da chuva.
Me sentei em um banco próximo, observando o estádio e esperando a chuva dar uma trégua. Então, eu o vi. Mendy. Ele estava saindo de um carro, com uma jaqueta preta que já estava encharcada. Tentei ser discreta, mas não pude deixar de olhar. Havia algo na postura dele, na maneira como ele se movia, que me chamou a atenção. Ele parecia absorver a chuva, sem pressa de se proteger, como se aquilo fosse parte dele.
Peguei minha câmera e, de maneira quase instintiva, cliquei. Foi um momento fugaz, mas aquele instante, em meio à tempestade, ficou gravado na lente. Quando olhei para ele, percebi que havia me visto. Ele me observava agora, com um olhar intenso e silencioso.
— Você... me fotografou? — Sua voz era grave, mas curiosa.
Eu me encolhi um pouco, sentindo uma pontada de vergonha, mas não podia negar a verdade.
— Sim... Desculpe. Eu não queria te incomodar — falei apressada, minha mão ainda segurando a câmera.
Ele deu um sorriso leve, quase imperceptível, como se estivesse aliviado.
— Não me incomodou. Na verdade, acho que você pegou algo interessante. — Ele deu um passo à frente, seus olhos ainda fixos nos meus. — O que você vê em mim, exatamente?
Eu não esperava essa pergunta, e me senti um pouco perdida, mas a resposta veio com naturalidade.
— Acho que vejo alguém tentando se esconder da tempestade, mas ao mesmo tempo alguém que sabe que a chuva é parte do jogo, parte da vida.
Ele ficou em silêncio, observando-me como se estivesse procurando algo nas minhas palavras. Eu não sabia ao certo o que ele pensava, mas senti que ele não estava apenas tentando entender a resposta. Ele parecia refletir sobre algo mais profundo, algo que ninguém mais tinha notado.
— Você não sabe o quanto acertou — ele disse com suavidade, os olhos agora mais abertos, mais vulneráveis.
Eu não soube o que responder, mas algo naquelas palavras me tocou profundamente. Ele estava se abrindo comigo de uma forma que eu não esperava, e aquilo me fazia querer conhecê-lo ainda mais. O Mendy que todos viam no campo parecia ser apenas uma camada do que ele realmente era.
— Eu me chamo Viola — falei, sem saber direito o que dizer. — E você é...?
Ele hesitou por um momento, como se estivesse pensando nas palavras certas. Quando respondeu, sua voz era mais suave do que eu imaginava.
— Mendy. Eu sei quem você é. Vi suas fotos. Você tem um talento incrível.
Eu não consegui esconder meu sorriso. Era raro alguém de tão alto nível me reconhecer assim, e a sensação foi um misto de surpresa e prazer. Eu, uma fotógrafa comum, sendo notada por um jogador tão famoso. Isso me fez sentir algo estranho, mas bom ao mesmo tempo.
— Eu agradeço — respondi, tentando disfarçar o nervosismo. — Eu nunca imaginei que um dia conversaria com você fora dos campos.
Ele sorriu de novo, dessa vez com mais calma, como se estivesse se permitindo ser mais relaxado.
— Bem, aqui estamos. Às vezes, a vida tem formas curiosas de nos conectar. — Ele olhou para mim com um brilho nos olhos, como se estivesse descobrindo algo novo.
Ficamos conversando por alguns minutos, mais à vontade agora. Ele me contou sobre a pressão que sentia como jogador, sobre as expectativas, e sobre o que realmente significava para ele ser visto não apenas como o "jogador Mendy", mas como alguém com sentimentos e inseguranças, como qualquer outra pessoa. Eu, por outro lado, compartilhei um pouco sobre minha paixão pela fotografia, sobre o quanto amava capturar a essência das pessoas, as emoções que muitas vezes ficavam escondidas.
Foi então que ele fez algo que me pegou completamente de surpresa.
— Que tal fazer uma sessão de fotos para mim? Não como o Mendy do Real Madrid, mas como... quem eu realmente sou. — Ele disse, com um olhar que parecia esconder algo profundo.
Eu olhei para ele, meu coração batendo mais rápido. Não sabia o que responder. Ele estava pedindo algo tão pessoal. Eu queria ajudá-lo a se expressar, mas, ao mesmo tempo, o que ele me pedia era mais do que apenas uma foto. Era um convite para vê-lo de uma forma mais íntima.
— Eu aceito — disse, sem hesitar. Não sei por que, mas senti que isso era importante. Que de alguma forma ele estava me permitindo ver uma parte dele que ninguém mais via.
Nos aproximamos, e ele me olhou com mais intensidade. Estávamos tão próximos, quase como se o mundo ao redor tivesse desaparecido. A chuva ainda caía, mas parecia que, ali, naquele momento, nada mais importava. Ele olhou nos meus olhos por um longo instante, e então, sem aviso, ele se inclinou lentamente, tocando os meus lábios com os dele.
O beijo foi suave no começo, hesitante, como se ambos tivéssemos medo de que aquilo fosse um sonho. Mas então, algo mudou. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas o toque dos seus lábios me fez sentir uma conexão que eu não podia explicar. Era como se ele tivesse deixado cair uma parede invisível entre nós, permitindo que algo mais genuíno acontecesse.
Quando nos afastamos, ambos estávamos sem palavras, sem saber ao certo o que fazer ou dizer. Mas o que quer que tivesse acontecido ali, havia sido mais do que eu jamais poderia imaginar.
Mendy sorriu, e eu, sem querer, também sorri. O que começou com uma simples fotografia havia se transformado em algo muito mais profundo.
Aquele beijo, sob a chuva de Madrid, foi mais do que um gesto. Foi um momento, um gol da alma. E eu sabia que, de agora em diante, nada seria mais como antes.
Fim.
VOCÊ ESTÁ LENDO
IMAGINE JOGADORES
FanfictionAceito pedidos! Minha primeira vez fazendo isso!!📍 Autora: Ana💖
