36'- everyone makes mistakes

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🎵 if you don't wanna cry to my music
don't make me hate you prolifically

boa leitura!

◾️Dulce◾️

Naquela noite, eu fui direto para casa. Jude não quis falar sobre o que aconteceu e eu respeitei isso, então nós apenas assistimos filmes e comemos pipoca enroladas em um cobertor no sofá. Rowan me mandou mensagens perguntando se ela estava bem e se precisávamos de algo, respondi de forma positiva, mesmo achando que Jude precisaria de um tempo para se reerguer.

Dormi com ela em seu quarto e acordei antes dela na manhã seguinte para preparar o café da manhã. Estou tirando os ovos da frigideira quando ouço a campainha tocar. Sei exatamente quem é e não consigo acreditar que ele teve a coragem de vir até aqui. Caminho a passos firmes até a porta da frente e abro bruscamente, lançando um olhar feio e raivoso para o Hector. Pelo menos ele está com um olho roxo, o que alivia um pouco a minha raiva.

— O que você quer? — pergunto de forma ríspida.

— Pedir desculpas. — ele diz sério.

— E acha que isso vai fazer a gente te odiar menos?

— Não, não acho. Mas se eu não pedir desculpas, vou estar sendo mais babaca ainda.

— Então isso é sobre você se sentir melhor consigo mesmo? — cruzo os braços.

Ele respira fundo e solta um suspiro arrastado como se a conversa o cansasse.

— Quero pedir desculpas, porque vocês são minhas amigas e eu me importo com seus sentimentos. Sei que isso não vai mudar muita coisa, mas é melhor do que não fazer nada e agir como se eu não tivesse feito nada.

— Ela chorou, Hector. Muito.

— Eu... eu não queria... — olha para o chão.

— Você tem muitos problemas, sempre teve. A gente sempre relevou, porque afinal você é assim mesmo. Mas está passando dos limites e ninguém vai aguentar isso por muito tempo. Precisa dar um jeito na sua vida.

— Não estamos todos tentando fazer isso?

— Cheirar meio quilo de cocaína e depois falar sobre a vida íntima das suas amigas na frente de todo mundo não é tentar.

Ele continua encarando o chão, suas bochechas estão ruborizadas e ele parece genuinamente envergonhado.

— Me perdoa.

— Só quando você admitir que tem um problema e que precisa de ajuda.

— De você? Não tem me ajudado muito ultimamente...

— Não. De uma reabilitação. — franzo a testa. — Mas o que quer dizer com isso?

— Você foi embora e nem olhou pra trás pra ver o estrago que deixou. — dessa vez ele me encara e a mágoa substitui a vergonha. — Todos nós ganhamos comissões todas as noites, eu ganho bastante quando os leilões sobem. Você dava muito lucro para a casa e para mim. Mas aí você decidiu que sua vida valia mais do que aquilo.

SirenaOnde histórias criam vida. Descubra agora